(Por Kayron Kaic)
“João disse a Jesus: Mestre, vimos um homem expulsar
demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não nos segue.”
(Marcos
9,38)
A velha e frequente
história das panelinhas, “se não for
aquela pessoa que é do meu círculo de amigos eu não aceito”. Mesmo sendo
algo atual isto é um problema que ocorre desde a época dos discípulos e,
infelizmente, vai se renovando com o tempo e entrando dentro dos grupos, mesmo
sabendo que neste mesmo evangelho de hoje Jesus Cristo dá a solução para este
mal.
O orgulho é uma árvore
enraizada no amor próprio. Somos cristãos que buscamos viver a nossa fé dentro
da igreja, mas como está o nosso coração em relação ao próximo? Será que
estamos seguindo o mandamento do Senhor que nos pede que venhamos a amar o
próximo como a nós mesmos. Que tipo de árvore estamos a nos formar dentro do
jardim da igreja? Somos como a mangueira que com sua sombra permite que outras
plantinhas nasçam sob ela, ou somos como o pé de acerola que cresse sem fazer
sombra e impede que outras plantas nasçam próximas a ela?
Ter amigos e pessoas as
quais mais nos identificamos e nos entendemos não é nenhum pecado – desde que
seja uma amizade alicerçada no coração de Deus – porém isto não significa que devemos
excluir ou não voltar a atenção para aqueles que possuímos um menor contato.
Não somos superiores a ninguém independente do que fazemos dentro da casa do
Senhor; se eu coordeno alguma atividade, grupo ou movimento este fato não me
faz melhor do que os outros, me faz somente aquela pessoa que delegará função a
todos a fim de que tudo fique organizado, sem o propósito de se elevar, mas com
o coração puro e direcionado ao engrandecimento do Todo Poderoso.
Santa Teresinha do Menino
Jesus tem um ensinamento muito bonito em sua vida, como ela descreve em sua
autobiografia “História de uma alma”,
tendo a jovem Teresa percebido que existia entre ela e outra irmã no Carmelo um
desafeto ela pôs-se a pensar em algo para solucionar aquilo, sabendo ela que
tal sentimento não era de Deus; Então logo que a outra irmã chegava no local em
que a pequena santa se encontrava, esta se apressava em buscar na mente uma
virtude daquela irmã, de modo que todas
as vezes o sentimento bom sufocava o ruim e ela sempre direcionava um sorriso
de amor para aquela que antes não lhe tinha nenhum estima e que com o tempo vieram
a tornar-se grandes amigas.
A atitude de querer que
somente um grupo de pessoas tenham direito á servir ao Senhor é um pecado
gravíssimo e é entendido como egoísmo e falta de amor ao próximo, além de nos
afastar dos caminhos da salvação. Santa Catarina de Sena escreveu a carta de
número 182, endereçada à monja Bartolomea de Setta com o título de egoísmo e
caridade, vejamos um trecho:
“Em nome de Jesus crucificado e da amável Maria
afirmo que (o orgulho?!) produz o egoísmo que cega a alma. Impede que ela
conheça a si mesma e conheça a Deus, retira-lhe a graça, gera a impaciência.
Desse modo a raiz do orgulho faz germinar seus ramos: a pessoa ofende a Deus,
ofende ao próximo com falsa afeição, torna-se insuportável a si mesma, torna-se
rebelde na obediência. Eis o que produz o egoísmo!” (Cartas completas de Santa
Catarina de Sena).
A jovem Catarina de Sena,
em outro momento de sua vida, sente em seu coração – ao ser inspirada pelo
Espírito Santo – que a causa dos males existentes no mundo era devido à
imperfeição e egoísmo da humanidade, e – estando ela na missa – começa sentir
vergonha de sua imperfeição, pois sabia que somos chamados a viver a perfeição
a qual fomos criados, Parecia-lhe ser a causadora de todos os males existentes
no mundo e por esse motivo começa a odiar-se e desprezar-se com santa justiça
por tantos pecados presentes em sua alma, é neste momento que ela faz uma oração
que eu vos convido a fazê-la também:
“Ó eterno pai, dirijo-me a ti para que castigues
meus defeitos neste mundo. E porque, pelas minhas faltas, sou a responsável dos
sofrimentos que meu próximo padece, rogo-te que bondosamente te desagraves em
mim”. (O diálogo – Santa Catarina de Sena)
Ao voltar nossos olhos para a Mãe Santa do Senhor, ficará
mais fácil de vencer o mal do egoísmo. Deixar-se ser conduzido e moldado pela
mãezinha, nada mais é que aspirar as virtudes que ela possui e ansiar pelo seu
toque e pelo seu colo. Maria não era egoísta, mas humilde; Não excluía as
pessoas, e sim ia ao encontro delas; Maria não sentia amor só por sua família,
mas por todas as pessoas; Não se julgava superior a ninguém, mas lutava para
ser esquecida de modo a ser a mais inútil escrava do Senhor.
Encha-te do amor santo de Deus, tenha sempre em mente que é
você quem precisa de Deus e
não o contrário. O Paizinho amado quer ser servido por ti no outro. Não te
esqueças de rezar pelos nossos irmãos pobres de rua, não te esqueças de rezar
pelos marginalizados, pelos excluídos da sociedade, pelos que necessitam de
amor, pelos que necessitam de ti. O melhor lugar para encontrar a Deus é nos
olhos de nossos irmãos. Amai, amai muito até ser consumido inteiramente em
amor; eu tenho tentado, ainda falta muito, mas o Senhor, muito já tem me
alargado o coração. Jesus doce, Jesus Amor.
Paz e bem!
Encontrar-te no pobre
Jogado no chão
Sem carinho e sem amor
Preso na solidão
Jogado no chão
Sem carinho e sem amor
Preso na solidão
São Teus sofrimentos, oh Cristo Senhor
Que se fez pobre e morreu numa cruz
Só por amor, só por amor
Por Amor, Por amor,
Só por amor,
E como posso te ver no altar
No véu do Sacramento
Teu corpo em glória e não Te adorar?
E como posso te ver no irmão
Teu corpo ferido, cansado, sofrido e não dar a mão?
E como posso te ver no altar
No véu do Sacramento
Teu corpo em glória e não Te adorar?
E como posso te ver no irmão
Teu corpo ferido, cansado, sofrido e não dar a mão?
(Bis)
Eis-me aqui para Te adorar e Te dar meu coração
Eis-me aqui para Te servir e estender a minha mão
Eis-me aqui para Te adorar e Te dar meu coração
Eis-me aqui para Te servir e estender a minha mão
Toca de Assis – Como Posso?

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