(Por Kayron
Kaic)
“Jesus perguntou: ‘E vós, quem dizeis que eu sou”.
(Lucas
9,20)
“Tu
estavas mais dentro em mim do que a minha parte mais íntima, e eras mais
superior a tudo o que eu tinha de mais elevado”
Santo Agostinho encontrou dentro de si Aquele ao qual tanto procurava; nós também
somos chamados a encontra-Lo e, mais do que isso, segui-Lo.
No evangelho de hoje,
Jesus mostra-se preocupado em saber o que as pessoas pensavam sobre Ele. Este
que já havia pregado, realizado diversos milagres, não precisava mais dizer uma
palavra para comprovar que era Deus na forma humana, não obstante, Ele
mostra-se novamente como um pai preocupado que, humildemente, gostaria de saber
se seus filhos já haviam tomado consciência do que Ele era.
Hoje Jesus me lança
esta mesma pergunta, “Kayron Kaic, quem
dizes que eu sou?” Eu prontamente respondo que Ele é o próprio Deus, que Ele
é misericórdia, que ao soprar o amor nas minhas narinas, deu-me vida. Então Ele
completa: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e
siga-me. Pois quem quiser salvar a sua
vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará” (Lc 9,23-24). Dizemos amar o bom Deus,
por Ele ter nos dado seu filho unigênito, mas estamos sempre a inventar desculpas
para não estarmos em Sua presença. Todos os dias, Ele espera por um pouquinho
de amor da nossa parte mas, ingratos, esquecemo-nos das bonanças desse Pai que
só nos quer bem.
“As mudanças que a busca
pelo Deus nos dispõe, envolve todas as áreas da nossa vida: trabalho, família,
relacionamentos, vestimenta, comida, portar-se, o falar, o silenciar, a
alegria, o trato com os outros, o estado de vida e o seu discernimento, os
bens, o apostolado, entre outros”.
(Tecendo o fio de ouro)
Imagine (caso você não viva esta realidade) que você
seja um pai (ou uma mãe) e em uma madrugada qualquer, se levanta para tomar
água e ao chegar na cozinha, enquanto toma a água, se depara com uma barata
(tinha que ser esse “serzinho” pra atrapalhar teu sono) a princípio você pensa
em deixá-lo ir embora, mas por imaginar que ela entre no seu quarto ou no de seus
filhos, ou até mesmo que ela suba em cima de algo, pois sabemos que ela vive na
sujeira; então, vagarosamente você pega sua sandália e vai se aproximando do
inseto até o momento em que, sem chance de defesa, o acerta e depois de vencê-lo
joga-o para fora. Será se você, sendo um pai ou uma mãe, teria coragem de fazer
o inverso e matar sua esposa (ou esposo) e seus filhos somente para deixar a
barata viva? Lógico que não! Mas, veja bem! Deus fez isso (como assim Kaká,
“Cêtáélôko?”). Nós somos baratas, vivemos nas sujeiras que o pecado
proporciona, sabemos que há um lugar sagrado em que estaremos salvos e limpos,
mas gostamos mesmo é de ficar na porcaria e na imundície, Deus é o pai que
matou seu filho para deixar a barata viva. Há maior amor do que esse?
Lembro-me de uma vez que eu havia voltado há alguns dias de um retiro de primeira
experiência de oração e, ainda naquele clima de paz, estava em meu quarto a
comparar a minha podridão e o amor de Deus. Foi a primeira vez que percebi como
possuímos hábitos parecidos com os das baratas. Eu fiquei ali pensativo quando
recebi a mensagem de um amigo que basicamente dizia que estava me mandando uma
música e que eu deveria ouví-la, pois ela era muito boa. Quando a música chegou
e eu fiz o download, por meio dela compreendi
de fato a grandeza de Deus. O meu amigo Gabriel não sabia o que eu estava
pensado, mas aquela canção entrou totalmente em contraste com o que eu havia
refletido a pouco sobre como Deus se faz pequenino somente para ficar próximo
de seus filhos. Acho que não cheguei a comentar com ele sobre esse fato
curioso, mas se ele estiver lendo, lembrará de quando me mandou a música. Aqui
vai a letra... Irmão, antes disso gostaria de te pedir que a leia em espírito
de oração e reflita em como é grande o amor de Deus por cada filhinho seu.
Fiel Pelicano milagre
supremo de amor
Eucaristia meu Deus e Senhor
Banhado de sangue a Ti toda
glória
E eterno louvor
Glória, glória
Glória, glória
Um Deus que é tão grande se
faz tão
Pequeno assim
Só por amor pra chegar até
mim
Que seja assim que venha até
mim
E eu vou Te dar glórias
(Toca de Assis- Fiel Pelicano)
Deus
deu muito de Si por nós, salvou-nos, remiu-nos, mas Ele também quer que
venhamos a viver santamente, nada mais justo, não é mesmo?! Esse mesmo amigo
que mandou a música, emprestou-me um livro essa semana cujo título é “A Contrição perfeita, uma chave de ouro do
céu” de J. de Driesch (Sacerdote da
Arquidiocese de Colônia) o livro fala justamente do modo ao qual devemos
buscar viver para que possamos gozar das delícias do céu, ele explica que a
contrição não é preciso ser externa com suspiros, lágrimas etc... ela só
precisa estar na alma. Gozar do estado de contrição é também como uma carga de
energia a qual somos impulsionados a carregar nossa cruz. Assim como Jesus nos
pede, por meio dela obtemos as virtudes que agradam a Deus e assim como Maria
Santíssima, seremos conduzidos até o colo do pai que anseia em afagar-nos. “Deus, que é infinito, quer amor e dor
infinitos” (Santa Catarina de Sena).
Por
fim, eu, servo inútil de Jesus crucificado e da amável Maria, gostaria de lhes
aconselhar a viver sob o manto de Maria. Ela que não questionou as vontades de
Deus e somente acolheu-as, soube comportar-se santamente e alcançar a glória
eterna. Que tanto você quanto eu, possamos obter as virtudes de Maria, entre
elas a contrição perfeita, para que não tenhamos medo de carregar nossos fardos
e de abraçar a cruz. Não deixe o medo e o pecado te afastar de Deus ou sufocar
tua vocação. Encerro com um trecho do livro Cântico dos cânticos “Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, se
encontrardes o meu amado, que lhe haveis de dizer? Dizei-o que estou enferma de
amor” (Ct 5,8). Jesus doce, Jesus amor.
Paz
e bem!
Com força cantarei, como águia voarei
Se contigo estiver, eu nada temerei
Nem a tribulação, nem mesmo o sofrer
Vão calar a minha voz, contigo vou vencer
Eu não vou deixar de Te louvar
Sei que eu nasci pra Te adorar
Eu não vou deixar de caminhar
Eu abraço a minha cruz
Vou contigo, meu Jesus
Com força cantarei, como águia voarei
Se contigo estiver, eu nada temerei
Quem me separará, Senhor, do Teu amor?
Nem perseguição, angústia, morte ou a dor.
Eu não vou deixar de Te louvar
Sei que eu nasci pra Te adorar
Eu não vou deixar de caminhar
Eu abraço a minha cruz
Vou contigo, meu Jesus.
Sei que o teu caminho é loucura para o
mundo
Mesmo assim eu quero Te seguir
Renego a mim mesmo e abraço a minha cruz
Quero ser fiel ao meu Jesus
Eu não vou deixar de Te louvar
Sei que eu nasci pra Te adorar
Eu não vou deixar de caminhar
Eu abraço a minha cruz
Vou contigo, meu Jesus.
(Fátima Souza – Eu abraço a minha cruz)

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