Evangelho - Mt 5, 20-26

(Por Bruno Fachi)

"Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus. " (Mt 5, 20)

Amados, bom dia! A Paz de Jesus e o Amor de Maria estejam convosco.
A palavra justiça é comumente falada por todas as pessoas, porém, a maioria das pessoas que falam em justiça, acreditam que seu fundamento seja os princípios morais e valores humanos, estando eles escritos nas leis.
Os critérios de justiça para nós cristãos vão muito além disto, pois acima de tudo, estão as Leis divinas. Conforme tratado no Evangelho da quinta-feira passada, o Senhor nos deixou como a principal lei a ser seguida por toda a eternidade, o Amor, pois assim diz o Senhor:
"O primeiro de todos os mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único; amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças. Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento maior do que estes não existe. " (Mc 12, 29-31)
Na Sagrada escritura, Deus se apresenta a nós como misericórdia infinita, mas também como justiça perfeita. Apesar de parecer que são duas realidades que não se contradizem, isto não é a verdade, pois é justamente a misericórdia de Deus que leva o cumprimento da verdadeira justiça.
Mas qual é a verdadeira justiça que vem dos Céus?
Quando pensamos nas justiça do homens, vemos que quem se considera uma vítima, vai até o juiz e pede que a justiça seja feita. Este tipo de justiça é uma justiça retributiva, onde se inflige ao outro como culpado uma pena. Se seguirmos nosso pensamento a este tipo de justiça enquanto vivemos aqui no mundo, de nada irá adiantar, pois este caminho não leva à justiça divina, já que ela não vence o mal, apenas o impede que avance. Pois, a justiça retributiva é o mal gerando o mal, e somente o bem pode vencer o mal.
As leis impostas pela sociedade são de extrema importância para um convívio dentre a humanidade, porém é necessário lembrar que nem toda as leis, ou seja, nem tudo que é legal, é justo ou moral para nós cristãos, como por exemplo a lei do divórcio, do aborto ou da eutanásia. Nós, como cristãos, devemos impor a nós mesmos as Leis divinas em primeiro plano em nossa caminhada, pois serão elas que definirão nosso destino após nosso último suspiro.
É dever de todos levar em consideração que todas as pessoas possuem um dom de Deus que nos faz superiores à natureza, e isto nos faz ser participantes da vida divina. Sendo participantes da vida divina, temos por obrigação acatar às leis vindas do alto, pois participamos de uma mesma comunidade.
Eis então que a Bíblia nos apresenta outra maneira de se fazer justiça, uma maneira que evita o tribunal, mas prevê que a vítima se dirija diretamente o culpado para levá-lo a conversão, ajudando-o a reconhecer que está no caminho do mal.
Desta maneira, reconhecendo os próprios erros, pode se abrir ao perdão que a sua vítima, a parte lesada do ocorrido lhe está oferecendo. O perdão é a coisa mais bela oferecida por Deus, porque após a persuasão daquilo que é o mal, o coração se abre ao perdão, que lhe é oferecido. Este é o modo de resolver os contrastes dentro das famílias, nas relações entre esposos, entre pais e filhos, ou até mesmo entre aqueles que um dia foram grandes amigos, onde o ofendido ama o culpado e deseja salvar a aquilo que o liga ao outro. Não cortar aquele relacionamento, aquela relação, apenas eliminar o que causou o afastamento de ambas as partes.
O caminho do perdão é difícil, pois requer que quem sofreu esteja disposto a perdoar e desejar a salvação daquele que o ofendeu. Somente desta maneira é que a verdadeira justiça triunfará, porque se o culpado reconhece seu erro e o deixa de fazer, o mal não existirá mais, e aquele que era injusto se tornará justo, entrando aí então o perdão, a misericórdia.
É desta maneira que Deus age em nós pecadores. O Senhor, a todo instante está nos oferecendo o seu preciosíssimo perdão e nos ajuda a tomar consciência do nosso mal para poder nos libertar daquilo que nos afasta dEle. Isso porque Deus não quer a nossa condenação, mas a nossa salvação. O problema é deixar que Ele entre em nossos corações para se fazer a mudança necessária.
Deus sendo amor, sendo nosso Pai, quer que sejamos felizes, que seus filhos vivam no bem e na justiça. "Ele não está sempre a repreender nem eterno é o seu ressentimento. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos castiga em proporção de nossas faltas. " (Sl 102, 9-10).
Como proposta para vivermos o evangelho a cada dia, o Senhor nos convida a viver o perdão a todo instante, para que assim, reconhecendo nossos erros e pedindo perdão ao próximo, nosso coração se abrirá para abrigar a misericórdia divina e a verdadeira justiça que vem dos Céus...

"Quando o coração do homem se enche de Deus, o mundo inteiro se povoa de Deus. Levanta-se uma pedra e aparece Deus. Ergue-se o olhar para as estrelas e encontra-se Deus. O Senhor sorri nas flores, murmura na brisa, pergunta no vento, responde na tempestade, canta nos rios... todas as criaturas falam de Deus, quando o coração está cheio de Deus. "
 (O irmão de Assis)

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