“É para que sejamos
homens livres que Cristo nos libertou. Ficai, portanto, firmes e não vos
submetais outra vez ao jugo da escravidão” (Gl 5,1).
“Quando eu fizer 18 anos, tudo vai ser diferente!”, “Ah! Mas quando eu tiver minha habilitação, eu ganharei o mundo!”. E quando eu arrumar um emprego e ganhar muito dinheiro? “Ah, aí sim alcançarei minha liberdade”, “Ah não! Mas quando eu sair da casa dos meus pais, que pegam tanto no meu pé, terei minha carta de alforria.”
Comumente nos deparamos com esses seguintes
pensamentos. Ok, não é errado querer
alcançar a independência, mas será que realmente são essas situações que nos
fará chegar à verdadeira liberdade? Será mesmo que nossas prisões consistem em
nossos pais, em nossa situação financeira e entre tantas outras coisas que
definimos como algo que nos acorrenta?
O Catecismo da Nossa Amada Igreja estabelece
que: “A liberdade é o poder, baseado na
razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, portanto, de
praticar atos deliberados. Pelo livre-arbítrio, cada qual dispõe sobre si
mesmo. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e amadurecimento na
verdade e na bondade. A liberdade alcança sua perfeição quando está ordenada
para Deus, nossa bem-aventurança”. E completa, explicitando: “Enquanto não se tiver fixado definitivamente
em seu bem último que é Deus, a liberdade comporta a possibilidade de escolher
entre o bem e o mal, portanto, de crescer em perfeição ou de definhar e pecar”.
Sendo assim, a liberdade pode nos levar ao
pecado. Muitas vezes nossa concepção de viver livremente, na verdade, não passa
de pura escravidão. E com essa ilusão, nos tornamos escravos das nossas
vontades, dos nossos pecados e desejos, escravos de nós mesmos. Por isso, que
na Epístola aos Gálatas, São Paulo prontamente adverte-nos: “Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade.
Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. Pelo
contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade” (Gl 5, 13). E o
catecismo acrescenta: “Quanto mais
praticar o bem, mais a pessoa se torna livre. Não há verdadeira liberdade a não
ser a serviço do bem e da justiça. A escolha da desobediência e do mal é um
abuso de liberdade e conduz à “escravidão do pecado”.
Quantos jovens não se entregam aos prazeres
da carne, não respeitam os limites de seu corpo e acreditam estar exercitando a
liberdade? Quantos jovens recorrem às bebidas, às drogas para serem “livres”?
“Matrimônio? Pra quê aceitar essa convenção social? Se prender à alguém
que besteira!”, “Namoro Santo? Que paranóia! Tem que ter um
teste drive!”, “Aborto? Claro! Meu
corpo, minhas regras!”, “Igreja? Fala sério! Chato demais”. O mundo nos catequiza dessa forma, pregando
uma falsa liberdade, uma felicidade
ilusória. Nos faz acreditar que a nossa vontade tem que prevalecer, e que
somente realizando os nossos desejos viveremos plenamente e felizes.
Irmãos! Quantas vezes agimos como os
israelitas, que mesmo sendo alimentados pelo maná, recordavam das cebolas e dos
alhos do Egito, que comiam no tempo da escravidão? Deus nos quer fazer verdadeiramente
livres, por isso, São Paulo vem nos dizer: “Deixai-vos
conduzir pelo Espírito e não satisfareis os apetites da carne. Porque os
desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são
contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis” (Gl
5,16-17).
E para finalizar esse texto e retomar o que
consiste a verdadeira liberdade, o Catecismo explica : “Deus criou o homem dotado de razão e lhe conferiu a dignidade de uma
pessoa agraciada com a iniciativa e o domínio de seus atos. “Deus deixou o
homem nas mãos de sua própria decisão” (Eclo 15,14), para que pudesse ele mesmo
procurar seu Criador e , aderindo livremente a Ele, chegar à plena e feliz
perfeição.”
Então irmãos, só viveremos a liberdade plena
e real, quando finalmente nos entregarmos a Vontade de Deus, pois Ele é o único
capaz de nos concedê-la. Porque como
sabiamente está na passagem de Gálatas, que citei logo no início: “É para a liberdade que Cristo nos
libertou.”

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