Verdadeiramente Livres


(Por Stella Araújo)

“É para que sejamos homens livres que Cristo nos libertou. Ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escravidão” (Gl 5,1).

       “Quando eu fizer 18 anos, tudo vai ser diferente!”, “Ah! Mas quando eu tiver minha habilitação, eu ganharei o mundo!”. E quando eu arrumar um emprego e ganhar muito dinheiro? “Ah, aí sim alcançarei minha liberdade”, “Ah não! Mas quando eu sair da casa dos meus pais, que pegam tanto no meu pé, terei minha carta de alforria.”
Comumente nos deparamos com esses seguintes pensamentos. Ok, não é errado  querer alcançar a independência, mas será que realmente são essas situações que nos fará chegar à verdadeira liberdade? Será mesmo que nossas prisões consistem em nossos pais, em nossa situação financeira e entre tantas outras coisas que definimos como algo que nos acorrenta?
O Catecismo da Nossa Amada Igreja estabelece que: “A liberdade é o poder, baseado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, portanto, de praticar atos deliberados. Pelo livre-arbítrio, cada qual dispõe sobre si mesmo. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e amadurecimento na verdade e na bondade. A liberdade alcança sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança”. E completa, explicitando: “Enquanto não se tiver fixado definitivamente em seu bem último que é Deus, a liberdade comporta a possibilidade de escolher entre o bem e o mal, portanto, de crescer em perfeição ou de definhar e pecar”.
Sendo assim, a liberdade pode nos levar ao pecado. Muitas vezes nossa concepção de viver livremente, na verdade, não passa de pura escravidão. E com essa ilusão, nos tornamos escravos das nossas vontades, dos nossos pecados e desejos, escravos de nós mesmos. Por isso, que na Epístola aos Gálatas, São Paulo prontamente adverte-nos: “Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade” (Gl 5, 13). E o catecismo acrescenta: “Quanto mais praticar o bem, mais a pessoa se torna livre. Não há verdadeira liberdade a não ser a serviço do bem e da justiça. A escolha da desobediência e do mal é um abuso de liberdade e conduz à “escravidão do pecado”.
Quantos jovens não se entregam aos prazeres da carne, não respeitam os limites de seu corpo e acreditam estar exercitando a liberdade? Quantos jovens recorrem às bebidas, às drogas para serem “livres”?
“Matrimônio? Pra quê aceitar essa convenção social? Se prender à alguém que besteira!”, “Namoro Santo? Que paranóia! Tem que ter um teste drive!”, “Aborto? Claro! Meu corpo, minhas regras!”, “Igreja? Fala sério! Chato demais”.  O mundo nos catequiza dessa forma, pregando uma falsa liberdade,  uma felicidade ilusória. Nos faz acreditar que a nossa vontade tem que prevalecer, e que somente realizando os nossos desejos viveremos plenamente e felizes.
Irmãos! Quantas vezes agimos como os israelitas, que mesmo sendo alimentados pelo maná, recordavam das cebolas e dos alhos do Egito, que comiam no tempo da escravidão? Deus nos quer fazer verdadeiramente livres, por isso, São Paulo vem nos dizer: “Deixai-vos conduzir pelo Espírito e não satisfareis os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis” (Gl 5,16-17).
E para finalizar esse texto e retomar o que consiste a verdadeira liberdade, o Catecismo explica : “Deus criou o homem dotado de razão e lhe conferiu a dignidade de uma pessoa agraciada com a iniciativa e o domínio de seus atos. “Deus deixou o homem nas mãos de sua própria decisão” (Eclo 15,14), para que pudesse ele mesmo procurar seu Criador e , aderindo livremente a Ele, chegar à plena e feliz perfeição.”
Então irmãos, só viveremos a liberdade plena e real, quando finalmente nos entregarmos a Vontade de Deus, pois Ele é o único capaz de nos concedê-la. Porque  como sabiamente está na passagem de Gálatas, que citei logo no início: “É para a liberdade que Cristo nos libertou.”



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