O Amor não é Amado!

(Por Renata Cruz)

“O camponês perguntou: Que aconteceu, irmão, por que estás chorando? O irmão respondeu: Meu irmão, o meu Senhor está na Cruz e me perguntas por que choro? Quisera ser neste momento o maior oceano da terra, para ter tudo isso de lágrimas. Quisera que se abrissem ao mesmo tempo todas as comportas do mundo e se soltassem em cataratas e os dilúvios para me emprestarem mais lágrimas. Mais ainda que juntemos todos os rios e todos os mares, não haverá lágrimas suficientes para chorar a dor e o amor de meu Senhor crucificado. Quisera ter asas invencíveis de uma águia para atravessar as cordilheiras e gritar sobre as cidades: o Amor não é amado! O Amor não é amado! Como é que os homens podem amar uns aos  outros e não amar o amor?” (Irmão de Assis- Inácio Larrañaga)

Boa Tarde, irmãos em Cristo! Nossa reflexão de hoje será baseada nesse belíssimo trecho de São Francisco de Assis. Ele mostra aí o sofrimento intrínseco que ele passara com a morte do seu Senhor na Cruz. Cristo é o Amor! Já falamos de Francisco aqui. Ele aceitou sua Missão e se entregou a vivê-la, sem reservas.   Ele demonstrava esse amor seguindo os passos do Amor. Servindo-O ao cuidar do irmão e da irmã que sofre.  Amando a vida em todas as suas formas. Gritando aos ventos o amor pelo Filho de Deus. Francisco decidiu amar o Amor. Ele compreende que a origem de tudo e de todas as coisas é o Amor. Amando o próprio Amor, Francisco ama tudo o que vem Dele. Francisco era alegre, louvava, cantava, amava e servia ao Amor que não era e ainda hoje não é amado como deve.  Francisco ama o Amor fazendo-se Instrumento de sua Paz. Ele vai onde é enviado e leva a Paz e o Bem que cultiva em seu coração. A Paz dAquele que deu a própria vida pelos pecados da humanidade. A Paz dAquele que venceu a morte e ressuscitou.
Que exemplo, meus irmãos! Assim como a Francisco, o Senhor concede a cada um de nós uma Missão, algo que cabe somente a nós realizarmos. Seja evangelização, seja catequese, seja algum ministério, seja coordenação, liturgia, pastoral, seja sermos chefes de família, sacerdotes ou religiosos... Nós não temos noção do tamanho e da importância da nossa Missão! Mas aí vem o nosso “humano”... deixamos nosso desânimo, anseios, chateações e frustrações serem barreiras em nossa vida e aquilo que deveríamos fazer cheios de amor e gratidão, acaba se tornando um “fardo”. 
Peço incansavelmente a Deus a graça da santidade, mesmo com todas as provações e obstáculos dos nossos tempos, mas... ser radical como Francisco de Assis, deixar tudo pelo Tudo, nem sempre sai com naturalidade durante a minha oração. Confesso que ‘engasgo’ algumas vezes. 
Servir ao outro de coração é amar a Deus. Nós podemos ser testemunhos vivos na nossa Missão. Á luz de São Francisco, Deus nos fez para amar e nos ofertarmos a Ele, de forma livre e compromissada. São Francisco ensina-nos:  o início de toda Missão é o encontro pessoal com Cristo. E é esse encontro que dá início à nossa conversão. Infelizmente no nosso tempo estamos vivendo o ateísmo em sua forma mais concreta. Pessoas buscam espiritualidade com algum “deus”, outros até buscam a Deus, mas na prática não dão à Ele a devida importância, ou pior, vivem como se Ele só existisse nas situações de emergência. A relação é quase sempre essa: Superficial ou quando há a necessidade imediata. Sejamos sinceros meus irmãos, O Amor não é amado. Precisamos descobrir a verdadeira fé, buscar insistentemente a santidade, acreditar que é possível ser santo neste mundo. Parafraseando o saudoso JPII, Santos de calça jeans, que usam whatsapp, que namoram com castidade, que vão ao cinema e tomam refrigerante, que se divertem com os amigos e não deixam de ser jovens. Maridos e Esposas que se amam e são fiéis um ao outro, para que ensinem a seus filhos a moral e os valores cristãos, que apresentem o Deus vivo e verdadeiro na família. Gritemos para o mundo ouvir: O Amor não é amado! 
 “As armas do nosso combate não são carnais. São armas poderosas aos olhos de Deus, capazes de derrubar fortalezas. Destruímos sofismas e todo orgulho intelectual que se levanta contra o conhecimento de Deus; e subjugamos todo pensamento para torná-lo obediente a Cristo” (II Cor 10, 4). Temos essas armas e não aproveitamos! O amor a Deus, a oração, a fé, a confiança nas promessas do Senhor, a obediência à palavra, o se dispor, o esperar o tempo de Deus. Essas são as armas mais poderosas do mundo!
O Amor não é amado, o Senhor continua sendo condenado, crucificado e morto! Que possamos assumir a Missão com a radicalidade e o amor de Francisco. Tomemos a decisão de amar a Deus sobre todas as coisas, colocá-Lo em primeiro lugar, o lugar onde Ele deve [sempre] estar.

Louvado seja Deus para sempre!

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