Evangelho - Lc 12, 32-48


(Por Kayron Kaic)

“Mas ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. Vós também, ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”
(Lucas 12, 39-40)

“Não tenho medo do ladrão. Eu o vejo a distância e tomo cuidado para não gritar: ‘Socorro, ladrão! ’ pelo contrário, eu o chamo dizendo: ‘Por aqui, por aqui! ’”. Irmãos, Jesus é como um ladrão que vem a noite, não sabemos quando, não sabemos a hora exata, não temos certeza do dia, porém é preciso estar de sentinela, esperando-o, é preciso estar ansioso pela vinda do ladrão, pois ele nos roubará de nós mesmos e levará os justos para viver a eternidade.
Quando o ladrão vier é primordial que o nosso coração esteja guardado nele; onde tens deixado o teu coração? Quais são os teus tesouros? Onde guardais os teus tesouros? O que eu tenho aspirado? De que te vale essas coisas que almejas se a felicidade em plenitude é permanecer no coração de Jesus. E preciso estar atento a tudo quanto fazemos a fim de quando o Altíssimo Senhor vier a separar o trigo do joio nós não sejamos lançados ao fogo.
“Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino. Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; (...) Porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” (Lucas 12, 33-34). Assim como a bolsa que tem como função guardar algo, nosso coração também é onde devemos guardar a palavra de Deus e todas as virtudes e ensinamentos. Um coração que seja puro, que não se estrague, que não ceda ao pecado este é um coração que é alicerçado na oração. Já disse aqui em outros textos, porém sinto que faz-se necessário repetir; Deus quer que o sirvamos no outro, é provando o amor-caridade em nosso irmão que obtemos o tesouro da vida eterna, que jamais se desgasta e que permanece para sempre. Amados, guardai todo o desejo de contemplar a face de Jesus e as tuas virtudes – teus tesouros – dentro de teu coração que, alicerçado na oração, será como a bolsa que não se estraga; Não vos esqueçais de dar o teu amor-caridade aos teus irmãos, sem exceção, a fim de que estes sejam tesouros teus juntados para o céu, não para vangloriar-se mas para entrega-los em oferenda ao Senhor Jesus.
Meus amores, quando nossos tesouros e anseios são colocados sobre as coisas terrenas, em relacionamentos, emprego, faculdade e várias outras coisas, acabamos por sair de perto da porta de entrada e ir cuidar dessas coisas, que vão nos sugando, nos exigindo cada vez mais e acabamos por ficar semelhantes a uma folha seca, sem vida, frágil e muitas vezes não somos percebidos. Quando o ladrão amado vier não encontrará ninguém a sua espera, não terá o que levar para a vida eterna pois teus tesouros, efêmeros, foram guardados em cima da terra e conforme o vento batia eles foram fugindo de tuas mãos, sem você perceber. “Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. Felizes os empregados que o Senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar à mesa e, passando, os servirá. E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar.” (Lucas 12, 36-38).
Eu estava preparando esta reflexão quando vi no Facebook a reflexão que uma amiga minha fez em um retiro sobre a vida dela e uma folha seca, compartilharei com vocês a fim de que sirva como outro suporte para compreendermos o que trata o evangelho.


“Olhem para essa folha. Qual a interpretação que você tira dela? Bom... Sábado (30/07) reunida com alguns companheiros de caminhada me pediram para caminhar pelo local que estávamos e pegar algo que descrevesse minha vida no momento, então eu fui, dei alguns longos passos e via muitas coisas iguais. Olhei para uma flor roxa, me chamou bastante atenção, pela beleza e cor e fiquei admirando pois ela estava em meio ao " nada/deserto" sozinha e pensei que além de delicada era fortepor aguentar o sol e a ausência de chuva. Ao caminhar mais um pouco vi uma planta com umas flores desabrochando, algumas ainda fechadas e outras já formadas e pensei comigo mesma, eu já fui como essa planta, já desabrochei algumas certezas na minha vida, e outras estão por vim. Ao caminhar mais um pouco pensei em parar e apenas observar ao meu redor e, algo incomodava meu coração, eu insistia em olhar para uma pobre folha seca caída no chão, com uns buraquinhos e amassada, creio que pelo fato de animais e pessoas passarem por ali. Eu fiquei a refletir sobre aquela folha sem vida.. Essa pobre folha seca, sou eu. Deus nos revela nas pequenas coisas, e Ele me disse " Filha, você está como essa folha, seca, sozinha, caída no chão e perdida. Esta machucada porque negou meus cuidados, permitiu que te pisassem, sua fé não é inabalável, por isso se despedaça com tanta facilidade, a flor roxa é linda, mas não viverás por muito tempo porque precisa de mim que sou sua água e sol para que possas crescer, essa beleza muitas vezes se torna apenas máscaras, uma maquiagem que esconde que tu és de verdade. Eu te chamo pelo nome minha filha, respondo suas orações mas preciso que se esvazie de si para que possas me ouvir. " Depois de reconhecer meu interior, peguei aquela folha e me vi nela. Seus buraquinhos foram causados pelos meus pecados, desobediência e conflitos de incertezas. Os pedacinhos que faltava nela eram as decepções geradas com o tempo que deixou marcas. A mudança física foi causada pela dureza de coração, um escudo que minha alma criou para fugir da realidade. Depois dessa reflexão, me reconheci. Com apenas uma folha seca, aprendi a virtude da obediência, a graça que é minha essência e o valor que eu tenho, porque independente de qualquer circunstância, entre tantas outras folhas verdes, eu faço diferença para aquela árvore.”
(Ludmilla Barroso)
                                                                                                 
Quantos de nós estamos como esta folha por simples teimosia? Sabemos que precisamos de Deus para estarmos verdes, para estarmos vivos, mas nos desligamos dele e acumulamos tesouros nos lugares mais errados que deveríamos e então ficamos cheio de furos... secos... frágeis... mortos espiritualmente! Irmão, recebe a luz de Deus, recebe o cuidado de suas mãos, recebe a chuva do Senhor, recebe a vida e não se permita secar. Buscai as coisas do alto! Pedi o auxílio de Maria Santíssima, segurai na mão dela e caminhai. Jesus doce, Jesus amor.
Paz e Bem!

Far-se-ão somente os teus desejos
E tudo que dissestes há de cumprir-se.
Ao fogo toda improbidade, 
Ao fogo todos os que a ti repugnaram. 
Triunfará, pois, assim como o imaculado coração da virgem, 
As tuas diretrizes
E todos os que souberam subvencionar os aflitos,
Todos que tiveram idoneidade
Para descalçar os pés humildes
E pisar nas brasas do teu anunciar,
Os que saíram do conforto
E rumaram à vida temerária, 
Que o amor celeste submete na graça,
Todos os que foram pisoteados pelos animais ferozes
E que ao menos tentaram esmagar a serpente diabólica. 
Ao fogo todos os que se deixaram corromper, 
Os que beijaram a serpente,
E beberam no cálice infernal o veneno peçonhento do pecado.
Ao fogo os que venderam-se
Às impurezas de um mundo que exorbita...
Aos céus os que se humilharam e se diminuíram, 
Os que possuem rasgos no peito. 
Aos céus os que estão manchados pelo trabalho árduo, 
Os sujos de poeira santa,
Os enrugados de rugas sublimes.
Aos céus os que se abandonaram nos braços da virgem, 
Os que viveram o desespero seráfico,
Os que provaram da labuta e dor angélica.
Aos céus os que cravaram uma lança no peito, 
Os que tiveram o coração queimado pela brasa que inflama,
Os que viveram novos pentecostes.
Aos céus os que souberam cativar
O maior e mais alto Senhor da sagrada face,
Os que se doaram à mãe pura
E fizeram que por fim o seu imaculado coração triunfasse.

(Poema III – Kayron Kaic)

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