Evangelho - Mt 14, 22-36


(Por Ana Paula do Valle)

“Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus” (Mt 14, 29)

Bom dia, amadinhos e amadinhas do Senhor!
Nessa terça-feira, a nossa Santa Mãe Igreja nos traz em sua Liturgia a reflexão do Evangelho de São Mateus, mais especificamente do trecho em que Jesus caminha sobre as águas. O evangelista inicia seu relato com a afirmação de que Jesus, após ter alimentado a multidão, ordenou que os discípulos fossem à sua frente na barca.
Aqui, já gostaria de partilhar com vocês dois dos pontos principais que me tocam nessa narração: o primeiro deles é que Jesus, como um grande Pai, toma para Si a responsabilidade de nos alimentar, nos dar sustento, nos nutrir para, somente então, como um grande Mestre, nos dar a autonomia de caminharmos “sozinhos” e nos proporcionar total liberdade para tomarmos nossos próprios rumos. Posteriormente, São Mateus sabiamente vem nos dizer que, enquanto orava sozinho no monte, Jesus percebeu que a barca em que seus amigos estavam era agitada pelas fortes ondas.
Amados, o Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Pai, Amigo, Irmão e Mestre não nos abandona nem sequer um momento. Após ter dado à multidão e, naturalmente, também aos discípulos, o que lhes era necessário ao corpo e à alma, Ele lhes enviou, os ordenou que andassem sem a sua presença, a princípio. Mas lá estava Ele! E quando os discípulos menos imaginavam, ao estarem já desesperados, depararam-se com Sua magnífica presença.
Há algumas semanas, aqui no nosso Blog, eu trouxe a reflexão do trecho do Evangelho que retrata o momento em que Jesus acalma as águas. Seria tão simples, prático, fácil, se Ele novamente chegasse e mandasse o mar se aquietar e o vento parar de soprar, como o fez da outra vez, não é? Mas não! Jesus nos surpreende e certamente surpreendeu ainda mais os discípulos naquela noite ao agir de uma maneira diferente. E isso foi feito por um motivo muito simples: Jesus queria nos mostrar com clareza a competência e a missão de Pedro.
Cristo caminha sobre as águas e permite que Pedro também o faça, para nos mostrar que Ele é o Rei, o Senhor e o Criador do universo e que aquele que Ele carinhosamente escolheu e capacitou para ser seu representante na Terra, é o canal de sua força, autoridade e poder. Todas as vezes em que vermos a figura dos apóstolos na Bíblia (principalmente a de Pedro), temos que ter em mente que ali está a Igreja primitiva, com a missão, as dificuldades e as alegrias que lhe competiam na época e continuam lhe sendo propícias ainda nos dias de hoje.
Pedro, como qualquer outro ser humano, sentiu medo e isso fez com que ele viesse a se perder e afundar. Mas Jesus nos mostra no dia de hoje que quando Pedro falhou, Ele estendeu-lhe rapidamente os braços, correu ao seu encontro, o abraçou e, com compaixão, o tomou para Si. Trazendo à luz dos acontecimentos atuais, podemos entender, meus irmãos, que a Igreja continua sendo o Corpo de Cristo e que, portanto, nada lhe falta, pois a Misericórdia, o Amor e a Verdade do Ressuscitado continuam presentes nela.
Jesus, naquela noite, chama Pedro para fora do barco também para que aqueles que na embarcação permaneceram, pudessem compreender a grandiosidade do Amor que Deus tem a cada um e que Pedro seria o grande sinal, o grande norte para todos aqueles que quisessem ter a coragem de seguir o Cristo. Assim, também hoje, Jesus vem ao mundo por meio de sua Igreja, revelando-lhe sua Verdade e seu Caminho.
Amados, a Igreja somos nós! Nós somos os membros do Corpo cuja cabeça é o Cristo! Saiamos de nossos barquinhos, de nossos comodismos, de nossas frivolidades e vaidades! Lancemo-nos no Oceano da Misericórdia desse Deus que escolheu morar em meio a nós. Voltemos nos corações novamente ao início dessa reflexão e lembremos que antes de nos enviar, o Cristo nos deu o Seu Sustento. Sim, queridos, Ele se entregou na Cruz, mas continua sacrificando-se a cada vez que nos reunimos em torno do Seu Altar, onde se entrega inteiramente a nós nas espécies de Pão e Vinho.
Irmãos, Jesus não veio para que Pedro continuasse no barco, como também não veio para que a Igreja se feche dentro de si mesma. Ele nos chama todos os dias à Mesa para que, repletos de Seu Amor e transbordantes de Sua Infinita Misericórdia, assumamos para cada um de nós a missão outrora assumida por Pedro: ir onde nossos irmãos precisam, ter a coragem, a disposição e a iniciativa de que esse nosso barco precisa para encontrar o único que é capaz de comandá-lo! Ele nos chama a ser Luz, a ser Sal, a ser Fermento!
Nesse dia lindo que se inicia, vamos refletir sobre as promessas de nosso Batismo e Crisma para que consigamos viver com mais intensidade esse nosso chamado. Que nessa terça-feira, possamos dobrar nossos joelhos em oração pelo Santo Padre, o Papa, o Pedro de nossos dias; pelos seus Bispos e Presbíteros; pelos seminaristas; catequistas; celibatários e religiosos (as) e pelos vocacionados ao Matrimônio. Rezemos para que Nossa Igreja continue lançando-se, a cada dia mais, nos mares que mais necessitam dela, para que não desanimemos e busquemos levar a Verdade, o Amor e a Misericórdia do Senhor a todos os seus amados filhos.
Para finalizar, gostaria de deixar aqui uma linda canção que aprendi quando muito pequena com minha querida avó. Que ela possa despertar em nós as orações e ações desse e dos demais dias que virão! Que a Paz de Cristo e o Amor de Maria, a Mãe da Igreja, estejam conosco hoje e sempre!


Se as águas do mar da vida quiserem te afogar
Segura na mão de Deus e vai
Se as tristezas desta vida quiserem te sufocar
Segura na mão de Deus e vai
Segura na mão de Deus, segura na mão de Deus
Pois ela, ela te sustentará
Não temas, segue adiante e não olhes para trás
Segura na mão de Deus e vai
Se a jornada é pesada e te cansas da caminhada
Segura na mão de Deus e vai
Orando, jejuando, confiando e confessando
Segura na mão de Deus e vai
O Espírito do Senhor sempre te revestirá
Segura na mão de Deus e vai
Jesus Cristo prometeu que jamais te deixará
Segura na mão de Deus e vai

Segura Na Mão de Deus - Padre Marcelo Rossi

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