(Por Ana Paula do Valle)
“E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma
agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus” (Mt 19, 24)
Bom dia, amados e amadas
do Pai! Espero que estejam todos na paz e na alegria do Nosso Senhor nessa
linda manhã!
Hoje, a Liturgia de nossa
santa Mãe Igreja nos preparou um trecho do Evangelho de São Mateus para lá de
impactante! Dando continuidade ao Evangelho de ontem, no qual Jesus pediu que o
jovem rico se desfizesse de todos os seus bens a fim de O seguir inteiramente,
hoje vamos refletir um pouquinho sobre essa difícil decisão de deixar tudo para
trás!
São Mateus nos traz uma
forte exortação de Nosso Senhor: “dificilmente
um rico entrará no reino dos Céus! ” (v. 23) Aqui, entendamos, meus irmãos,
que Cristo não estava se referindo às pessoas que possuem muitas riquezas
materiais e que levam uma vida economicamente estável como fruto de seu
trabalho, mas sim de quem faz do dinheiro e das demais ganâncias o seu deus. E
como isso é sério! Como isso nos prejudica e nos torna rapidamente escravos do
pecado!
Irmão, hoje o Senhor quer
te chamar pelo nome, te olhar nos olhos e dizer: “você é meu filho/minha filha! ” (Sl 2,7); “Você será o meu povo e eu serei o seu Deus! ” (Ex 6,7). Essa é a
vontade do Senhor nesse dia! Mas aí eu lhes trago essa indagação que vem
inquietando o meu coração já há algum tempo: o que temos que renunciar para
conseguirmos ser inteiramente d’Ele? O que tem nos impedido de reconhecer em
Jesus o nosso Deus, nosso Pai, nosso Senhor e Mestre? Será que eu tenho dado a
Ele a importância e o destaque que Ele merece em minha vida? Ou estou
simplesmente com uma máscara diante do Senhor quando apesar de minhas orações
eu continuo tendo um pé atrás na hora de me lançar verdadeiramente ao seu
encontro?
Queridos, quantas foram
as vezes em que permitimos que as coisas desse mundo tomassem o lugar do Senhor
em nossas vidas? Quantas vezes adoramos aquela pessoa, aquele carro que
queremos ter, aquele celular de última geração, aquela roupa de marca? Quantas
vezes idolatramos aquele diploma, aquela vaga de emprego, aquela situação de
prestígio social que o mundo nos oferece e nos faz cair em suas ciladas?
Ei, irmão! Ei, irmã! Esse
texto é para você que, assim como eu, tem medo de conhecer e viver a vontade do
Senhor pra sua vida por não saber como lidar com as renúncias que o Reino dos
Céus exige de nós, por não saber dizer não de uma vez por todas às mágoas e
tristezas que te prendem à sua história! Se você alguma vez já se sentiu falso
(a), incoerente e hipócrita perante o Senhor por não conseguir viver com
radicalidade a fé que professa, hoje é o dia em que o Pai vem te dizer que você
precisa por um ponto final no que viveu até aqui e sem receios, ressentimentos
ou culpa, erguer a cabeça, olhar para frente e ir sem pensar duas vezes em
direção a esse Pai amoroso que há tanto tempo tem nos esperado!
Quando o Senhor
revelou-se a Moisés, a sua ordem foi clara:
“Tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que te encontras é uma terra
santa! ” (Ex 3, 5). Quais são as nossas sandálias de hoje? É o tempo
excessivo que gastamos no celular? É a nossa preocupação em mantermos sempre
uma boa aparência perante os homens, nosso anseio em chamar a atenção, sermos
vistos e aplaudidos? É aquela mágoa que insistimos em carregar há tanto tempo?
É aquele pecadinho de estimação que, mesmo com a plena consciência, continuamos
começando? É a minha língua que não perde tempo na hora de caluniar o irmão? É
a minha gula, minha inveja, meu ciúme? É aquele meu costume de contar
“pequenas” mentiras? O que é?
Amados, a terra em que
nos encontramos é santa! O nosso corpo, nossa alma e intelecto são santos!
Somos o templo do Espírito Santo de Deus, ele veio a nós em nosso batismo e
continua vindo a cada vez que O invocamos ou O recebemos no Sacramento da
Eucaristia! O Senhor é Santíssimo; infinita e perfeitamente Santo! E Ele nos
chama a sermos assim também: limpos, virtuosos, irrepreensíveis, cheios de sua
bondade e amor! Adentremos nesse território santo e sem olharmos para trás, nos
despojemos nesse exato momento de nossas sandálias, máscaras, riquezas, amarras
que nos fazem pecar e nos impedem de chegarmos ao abraço do Pai da
Misericórdia!
Que a paz de Cristo e o
amor de Maria estejam conosco e sempre!

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