Reflexão - Lc 1, 39-56 - Assunção de Nossa Senhora

(Por Kayron Kaic)

Com um grande grito, exclamou: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? ’” (Lucas 1,42-43)

É falta de teu amor
Toda angústia e melancolia
Toda imprudência, toda agonia...
É falta de teu amor...
Mas se o conhecemos, ó Senhora,
Levar-nos-á em vosso colo,
Guardar-nos-á em vosso coração.
Entrego-me a ti, ó Rainha,
Conduzi-me, segurai em minha mão.
Com teu amor minha vida é banhada
Ó Mãe, põe teus olhos em nós,
Sois toda formosa, minha amada
E não há mancha em vós!
Mostra-me tua luz,
Cobre-me com teu manto,
Quero ser contigo santo,
Deixar-me guiar em teu encanto.
Minha vida com a tua está acorrentada,
Pois sei que em tua casa ficaremos sós
Sois toda formosa, minha amada
E não há mancha em Vós!
(À Virgem Maria – Kayron Kaic)

Maria era íntima do espírito santo, isto é, onde ela estava o consolador também estava. Assim que Maria saúda Isabel, sua prima, esta também se enche do espírito santo, pois possuía o coração aberto para a graça do Senhor, de modo que foi agraciada como mãe do último profeta, antes de Cristo, mesmo estando em idade avançada.
Isabel estando cheia do espírito do Senhor, começa a proclamar Maria como cheia de graça e bendita – é válido salientar que as palavras proferidas por Isabel eram as do próprio Deus, pois este inspirara Isabel, de modo que ele mesmo era quem aproveitava aquele momento para dirigir á santíssima Virgem tais palavras e que logo mais a frente toma-a como Mãe, por meio de sua prima: “Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?(...)” (Lucas1,43). Maria é a mãe de Deus (Teotokus) e isto é muito claro durante este evangelho.
Maria em seu cântico disse: Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lucas 1,48) Pois foi o próprio Deus, seu criador, mas também seu filho, que antes a chamara por meio de Isabel: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu” (Lucas 1,45). A Dulcíssima Senhora é bem-aventurada pois confiou no Senhor e mais do que isso, aceitou sua missão quando disse o seu “Faça-se” (Fiat).
Deus tomou posse de sua Humilde escrava e por meio dela que inúmeros consolos nos são concedidos, pois esta é a distribuidora das graças do Rei – como afirma São Luís Maria Grignion de Montfort no Tratado da Verdadeira devoção á santíssima Virgem – Ela é capaz de santificar os que dela se aproximam, ela é a ponte para os que querem alcançar a santidade e foi por meio dela que o Salvador veio ao mundo, foi por meio dela, também, que João Batista fora santificado, ainda no útero de sua mãe assim como anjo prometera a Zacarias, “Desde o ventre materno ele ficará cheio do espírito santo” (Lucas 1,15).
Os filhos de Maria, os descendentes da Mulher, devem estar sempre unidos á ela, pois ela é a esposa do Espírito Santo e abala tudo por onde passar, se clamarmos pelo auxílio dessa mãezinha que é toda amor, alcançaremos a luz da salvação e a cura para nossa alma.
“Por não encontrar nenhuma ajuda na terra, a coitada de Teresinha também voltar-se a sua mãe do Céu, suplicando-lhe de todo coração, tivesse enfim piedade dela... De repente, a Santíssima Virgem se lhe apareceu bela, tão bela como nunca tinha visto nada tão formoso. O rosto irradiava inefável bondade e ternura, mas o que me calou no fundo da alma, foi o empolgante sorriso da Virgem. Nesta altura desvaneceram-se todos os meus sofrimentos (...)”
(A história de uma alma – Santa Teresinha do menino Jesus)

Nosso paizinho quis que seu filho convivesse com aquela Mulher, pois ela possuía grandiosas virtudes e exalava o cheiro da santidade. Jesus foi formado por Maria, no espírito de Maria; com Ela, Ele aprendeu a silenciar, a orar, a meditar; Ela que não se engradecia, que não possuía vaidade, Sua vida foi um progresso de esvaziamento e cada lugar vazio de sua alma o espírito do Senhor penetrava e completava. Deus a amou tanto que até mesmo na hóstia nós podemos lembrar desta mãezinha, pois a brancura do pão consagrado nos remete a mesma brancura do leite materno de Maria que alimentou e escorreu pela boca de Jesus.
“O Anjo Gabriel lhe disse na Anunciação: Ave, cheia de graça... (Lucas 1,28). Nesse ‘Cheia de graça’, a Igreja entendeu todo o mistério e dogma da conceição Imaculada de Maria. Se ela é cheia de graça, mesmo antes de Jesus ter vindo ao mundo, é porque é desde sempre toda pura, bela, sem mancha alguma; isto é, Imaculada. E assim Deus preparou a Mae adequada para Seu Filho, concebido pelo Espírito Santo diretamente (Lucas 1,35), sem a participação de um homem, o qual transmitiria ao Filho o pecado de origem. Além disso, não haveria na terra sêmen humano capaz de gerar o Filho de Deus.”
(A mulher do Apocalipse – Prof. Felipe Aquino)

Comemoramos hoje a solenidade da Assunção de Nossa Senhora e compartilho com vocês o que escreveu São João Damasceno no ano de 749 sobre a assunção desta Rainha. “Era necessário que aquela que no parto havia conservado ilesa a sua virgindade, conservasse também sem corrupção alguma seu corpo depois da morte. Era preciso que aquela que havia trazido no seio o Criador feito menino habitasse nos tabernáculos divinos. Era necessário que aquela que tinha visto o Filho sobre a Cruz, recebendo no coração aquela espada das dores da qual fora imune ao dá-Lo à luz, O contemplasse sentado à direita do Pai. Era necessário que a mãe de Deus possuísse aquilo que pertence ao Filho e fosse honrada por todas as criaturas como Mãe de Deus”.
Amados irmãos, confiante no amor e no cuidado desta Rainha que se encontra à direita do Rei com veste esplendente de ouro de Ofir (Salmo 44) vos peço que se agarre a esta mãezinha que é todo amor e que só quer o bem de seus filhinhos; se sabemos que ela é aquela que pisa no pecado, nada mais justo que estar a seu lado, que estar com a justiça e, sobretudo, com o amado Jesus. Uma das coisas mais sublimes em comungar do corpo e do sangue do Cordeiro imolado é saber que ao unir-se em espírito e em matéria com Cristo, saboreamos e unimo-nos com um pouquinho de Sua Mãe, pois Jesus e carne da carne de Sua Mãe, assim como também sangue do sangue desta digníssima Senhora, Eu jamais trocaria essa sensação e esse amor por outra coisa. Que Nossa Senhora da Assunção rogue por nós! Jesus doce, Jesus amor.
Paz e Bem!

Ouvi falar que me amas
Ouvi falar que me queres bem
Ouvi dizer que te importas
Com quem eu sou
E com quem serei
Eu só queria mãe amar teu filho
De tão tolo que sou, só me afastei
Mas hoje eu sei, que nunca vou te amar
Como Jesus te amou, ah como ele te amou
Mãe, não mais resistirei
Ao teu chamado, ao teu cuidado por mim
Mãe, me leve a Deus, eu só quero ser gerado
No colo que gerou Jesus, Jesus

(Colo de Deus – Não mais resistirei)

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