(Por Monique Evangelista)
“E já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim. ” Gl 2,20
Boa tarde, amados! Que a
exemplo de São Paulo possamos buscar ter uma experiência com o Amado Jesus
todos os dias, através da oração, mudança de vida, conversão e evangelização
daqueles que ainda não conhecem o amor de Deus, principalmente dos nossos
familiares.
Paulo é um personagem
fascinante, sendo umas das figuras mais importantes do Novo Testamento. As
informações sobre a sua vida estão presentes no livro dos Atos dos Apóstolos e
nas Cartas em que escreveu. Nasceu pelo ano 10 d.C. na cidade de Tarso da
Cicília (At 9, 11), filho de judeus da tribo de Benjamim, cresceu à sombra da
mais perfeita tradição judaica (Fl 3,5). Ainda jovem foi para Jerusalém, onde
se especializou no conhecimento da sua religião, tornando-se mestre e fariseu,
ou seja, especialista rigoroso e escrupuloso no cumprimento de toda a Lei judaica
e seus pormenores (At 22,3).
De volta à terra natal,
deve ter exercido a função de rabino enquanto trabalhava como fabricante de
tendas. Muitas vezes poderá mostrar as mãos calejadas por esse trabalho manual
de tecelão (At20, 33-35), daí o seu método pastoral: evangelizar trabalhando e
trabalhando evangelizando (At 18, 3-4). Cheio de zelo pela religião começou a
perseguir os cristãos (Fl 3,6), até que se encontrou com Cristo na cidade de
Damasco, por revelação entrou de maneira definitiva em sua vida, como que por
um choque espiritual (At 9,1-19). A experiência com Jesus mudou completamente a
sua vida até a sua morte por volta do ano 67 d.C.
Paulo não conheceu Jesus
pessoalmente, mas o viu ressuscitado, onde a cruz adquiriu novo sentido, a
maldição transformou-se em bênção. Possuía personalidade firme e forte,
resistência física e inteligência aguda adquiridas na educação familiar,
religião judaica, pelo contexto de sua cidade natal e da escola de Gamaliel.
Paulo herdou do Judaísmo o amor à Sagrada Escritura, o método rabínico de
interpretação, o reconhecimento da presença de Deus na vida e na história a
crença no futuro da humanidade para além da vida presente.
Depois que se converteu
Paulo começou a anunciar o Evangelho aos judeus, mas eles o perseguiam e lhe
criavam uma série de obstáculos. Diante da rejeição do Evangelho por parte dos
seus conacionais, ele se volta para os pagãos (At 13, 44-49), tendo consciência
de ter sido destinado a levar a Palavra de Deus aos pagãos, pois em Cristo, o
Pai chama todos à salvação. Ao anunciar o Evangelho aos pagãos foi preciso
adaptá-lo à mentalidade dos ouvintes, respondendo as preocupações que eles
tinham e conservando o que era essencial e deixando de lado o que não era
importante.
Pelo fato de não ter
vivido com Jesus como os demais apóstolos, ele enfrentou sérias dificuldades.
Alguns afirmavam: “Ele não é apóstolo,
pois não viu o Senhor”. Outros diziam: “Só
quem andou com Jesus de Nazaré é que pode fundar comunidades.” Outros ainda
afirmavam: “Ele realmente não é apóstolo,
pois se fosse, teria coragem de viver à custa da comunidade. Ele não é livre.”
Ele considerava muito
perigoso unir pregação do Evangelho com dinheiro. Por isso, preferia ganhar o
pão com suor do rosto e anunciar o Evangelho gratuitamente (Fl 4, 15-17),
apesar de Jesus ter dito que o operário é digno do seu sustento (Mt 10,10).
Além disso, ele teve que lutar contra os falsos missionários (2 Cor 10, 12),
que anunciavam um Evangelho fácil, que fugiam da humilhação e da tribulação.
A parte mais importante e
mais completa dos escritos apostólicos são as Cartas de São Paulo, inclusive
pelo volume de texto, pois sozinhas constituem mais da metade desses escritos,
mas, sobretudo pela profundeza e vastidão da doutrina teológica e pela
abundância de ensinamentos morais. São escritos ocasionais, como costumam serem
precisamente as Cartas: nasceram da necessidade que o Apóstolo sentiu de
intervir onde não podia chegar com a voz, a fim de apaziguar litígios, dissipar
dúvidas, aconselhar, aplicar remédio a inconvenientes, dirigir e iniciar ao bem
segundo as situações originadas pela vida interna das Igrejas por ele fundadas
ou dependentes da sua pregação.
A tradição atribuiu a
Paulo 14 cartas reunidas num corpo único, partindo da maior para menor, com
exceção dos Hebreus, talvez levando em conta a importância das igrejas
destinatárias. Algumas Paulo escreveu pessoalmente, outras ditou a escribas,
outras ainda orientou alguém a escrevê-las. As subdivisões ajudam a compreender
melhor o conjunto das cartas como segue:
ü 1
e 2 Ts são os primeiros escritos do Novo Testamento e por isso possuem
interesse particular. Situam-se no contexto da segunda viagem missionária,
pelos anos 51 e 52;
ü 1
e 2 Cor, Gl e Rm são as quatro grandes cartas e trazem as linhas teológicas
principais de Paulo. Datam provavelmente do período da terceira viagem
missionária, em torno do ano 57;
ü Ef,
Fl, Cl, Fm são chamadas cartas do cativeiro, porque todas contextualizam Paulo
na prisão. Foram escritas, provavelmente, no cativeiro de Éfeso, em torno dos
anos 55 e 57;
ü 1
e 2Tm e Tt são conhecidas como cartas pastorais, porque dirigidas especialmente
a pastores de comunidades. Possivelmente são posteriores ao cativeiro de 63;
ü Hb
é um escrito singular, que não é de Paulo, mas atribuído a ele, talvez devido
aos dois temas que lhe são muito caros: a pessoa de Jesus e a fé. Data
provável: após o ano 63.
Escrevendo às
comunidades, compara-se à mãe que acaricia os filhinhos e é capaz de dar a vida
por eles (1 Ts 2, 7-8). Sente pelos fiéis novamente as dores do parto (Gl
4,19). Ama-os, e por isso se sacrifica ao máximo por eles (2 Cor 12,15). Mas é
também pai que educa (1 Ts 2,11), que gera as pessoas por meio do Evangelho à
vida nova (1 Cor 11,2). Sente, pelas comunidades que fundou, o ciúme de Deus (2
Cor 11,2), temendo que elas percam a fé. Quando se faz necessário, é severo e
ameaça, exigindo obediência (1 Cor 4, 21).
A importância do apóstolo
Paulo supera as palavras introdutórias. Místico profundo rezava e meditava sem
parar. Missionário incansável viajava continuamente para difundir a palavra do
Evangelho. Evangelizador das nações dedicou-se, sobretudo às diversas etnias do
mundo helênico, denominado paganismo. Pastor dedicado fundou inúmeras
comunidades. Pregador convicto, não se cansou de proclamar a liberdade em
Cristo. Escritor exímio deixou-nos um tesouro inesgotável para inspirar a vida
e a prática de nossas comunidades.

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