“De
fato, será entregue aos gentios, será zombado, insultado, coberto de
cusparadas. Depois de açoitá-lo, eles o matarão. E no terceiro dia ressuscitará.
” (Lc 18, 32-33)
Boa tarde, amados de Jesus e Maria!
Peço a Jesus que durante essa semana nos conduza a uma experiência com o seu
amor e misericórdia e Nossa Senhora das Graças seja nossa intercessora e
exemplo na nossa missão de buscar a Santidade.
O terceiro Evangelho é atribuído a
São Lucas, que também é autor dos Atos dos Apóstolos. Segue os usos
historiográficos de seu tempo, mas enfatiza uma história iluminada pela fé no
mistério da Paixão e Ressurreição de Jesus. O seu livro é um Evangelho, uma
história santa, uma obra que apresenta a Boa Nova da salvação centrada na
pessoa de Jesus Cristo.
Sobre São Lucas:
Segundo a
tradição, São. Lucas era médico, além de pintor, músico e historiador, e teria
estudado medicina em Antióquia. Possuindo maior cultura que os outros evangelistas,
seu evangelho utiliza uma linguagem mais aprimorada que a dos outros
evangelistas, o que revela seu perfeito domínio do idioma grego. Lucas não
conviveu pessoalmente com Jesus e por isso a sua narrativa é baseada em
depoimentos de pessoas que testemunharam a vida e a morte de Jesus.
São Lucas não era
hebreu e sim gentio, como era chamado todo aquele que não professava a religião
judaica. Não há dados precisos sobre a vida de S. Lucas. Segundo a tradição era
natural de Antióquia, cidade situada em território hoje pertencente à Síria e
que, na época, era um dos mais importantes centros da civilização helênica na
Ásia Menor. Viveu no século I d.C., desconhecendo-se a data do seu nascimento,
assim como de sua morte.
Há incerteza,
igualmente, sobre as circunstâncias de sua morte; segundo alguns teria sido
martirizado, vítima da perseguição dos romanos ao cristianismo; segundo outros
morreu de morte natural em idade avançada. Tampouco se sabe ao certo onde foi
sepultado e onde repousam seus restos mortais. Na versão mais provável e aceita
pela Igreja Católica, seus restos mortais encontram-se em Pádua, na Itália,
onde há um jazigo com o seu nome, que é visitado pelos peregrinos.
Não há provas documentais, porém,
há provas indiretas de sua condição de médico. A principal delas nos foi legada
por São Paulo, na epístola aos colossenses, quando se refere a "Lucas, o
amado médico" (4.14). Foi grande amigo de São Paulo e, juntos, difundiram
os ensinamentos de Jesus entre os gentios. Outra prova indireta da sua condição
de médico consiste na terminologia empregada por Lucas em seus escritos. Em
certas passagens, utiliza palavras que indicam sua familiaridade com a
linguagem médica de seu tempo.
Sobre o Evangelho Segundo
São Lucas:
Uma característica
distinta do Evangelho de Lucas é sua ênfase na universalidade da mensagem
cristã. Do cântico de Simeão, louvando Jesus como “luz… Para as nações” (2.32)
ao comissionamento do Senhor ressuscitado para que se “pregasse em todas as
nações” (24.47), Lucas realça o fato de que Jesus não é apenas o Libertador dos
judeus, mas também o Salvador de todo o mundo.
A fim de sustentar
esse tema, Lucas omite muito material que é estritamente de caráter judaico.
Por exemplo, ele não inclui o pronunciamento de condenação de Jesus aos
escribas e fariseus (Mt 23), nem a discussão sobre a tradição judaica (Mt
15.1-20; Mc 7.1-23). Lucas também exclui os ensinamentos de Jesus no Sermão da
Montanha que tratam diretamente do seu relacionamento com a lei (Mt 5.21-48;
6.1-8, 16-18). Lucas também omite as instruções de Jesus aos Doze para se
absterem de ministrar aos gentios e samaritanos (Mt 10.5).
Por outro lado,
Lucas inclui muitas características que demonstram universalidade. Ele enquadra
o nascimento de Jesus em um contexto romano (2.1-2; 3.1), mostrando que o que
ele registra tem significado para todas as pessoas. Ele enfatiza ainda, as
raízes judaicas de Jesus. De todos os escritores dos Evangelhos só ele registra
a circuncisão e dedicação de Jesus (2.21-24), bem como sua visita ao Templo
quando menino (2.41-52). Somente ele relata o nascimento e a infância de Jesus
no contexto de judeus piedosos como Simeão, Ana, Zacarias e Isabel, que estavam
entre os fiéis restantes “esperando a consolação de Israel” (2.25). Por todo o
Evangelho, Lucas deixa claro que Jesus é o cumprimento das esperanças do Antigo
Testamento relacionadas à salvação.
Um versículo chave
do evangelho de Lucas é o 19.10, que declara que Jesus “veio buscar e salvar o
que se havia perdido”. Ao apresentar Jesus como Salvador de todos os tipos de
pessoas, Lucas inclui material não encontrado nos outros evangelhos, como o
relato do fariseu e da pecadora (7.36-50); a parábola do fariseu e o publicano
(18.9-14); a história de Zaqueu (19.1-10); e o perdão do ladrão na cruz
(23.39-43).
Lucas ressalta as advertências de Jesus sobre o perigo dos ricos e a simpatia dele pelos pobres (1.53; 4.18; 6.20-21 24-25; 12.13-21; 14.13; 16.19-31; 19.1-10).
Lucas ressalta as advertências de Jesus sobre o perigo dos ricos e a simpatia dele pelos pobres (1.53; 4.18; 6.20-21 24-25; 12.13-21; 14.13; 16.19-31; 19.1-10).
Este evangelho tem
mais referências à oração do que os outros evangelhos. Lc enfatiza
especialmente a vida de oração de Jesus registrando sete ocasiões em que Jesus
orou que não são encontrados em mais nenhum outro lugar (3.21; 5.16; 6.12;
9.18,29; 11.1; 23.34,46). Só Lucas tem as lições do Senhor sobre a oração
ensinada nas parábolas do amigo importuno (18.9-14). Além disso, o evangelho é
abundante em notas de louvor e ação de graças (1.28,46-56,68-79; 2.14,20,29-32;
5.25-26; 7.16; 13.13; 17.15; 18.43)
Uma das
ideias-chave de Lucas é distinguir o tempo de Jesus e o tempo da Igreja. Sem
esquecer a singularidade única do acontecimento salvífico de Jesus Cristo, põe
em relevo as etapas da obra de Deus na História. Mais do que Mateus e Marcos,
ao falar de Jesus e dos discípulos, Lucas pensa já na Igreja, cujos membros se
sentem interpelados a acolher a mensagem salvífica na alegria e na conversão do
coração. É isso que faz deste livro o Evangelho da misericórdia, da alegria, da
solidariedade e da oração. No respeito pelo ser humano, a salvação evangélica
transforma a vida das pessoas, com reflexos no seu interior, nos seus
comportamentos sociais e no uso que fazem dos bens terrenos.
Jesus anuncia a
sua vinda no fim dos tempos, o qual, segundo Lucas, coincidirá com o termo do
tempo da Igreja. Mas a insistência deste evangelista na salvação presente, na
realeza pascal do Senhor Jesus, na ação do Espírito Santo na Igreja, contribui
para atenuar a tensão relativa à iminente Parusia (segunda vinda de Jesus
Cristo a Terra). A própria destruição de Jerusalém, vista como um acontecimento
histórico, despojando-o da sua projeção escatológica, presente em Mateus e
Marcos, é sinal de uma consciência viva do dom da salvação presente no tempo da
Igreja.
Além de apresentar Jesus como o
Salvador do mundo, Lucas dá os seguintes testemunhos sobre ele:
Jesus é o profeta cujo papel
equipara-se ao Servo e Messias (4.24; 7.16,39;919;24.19). Jesus é o homem
ideal, o perfeito salvador da humanidade. O título “Filho do Homem” é
encontrado 26 vezes no Evangelho. Jesus é o Messias. Lucas não apenas afirma sua
identidade messiânica, mas também tem o cuidado de definir a natureza de seu
messianismo. Jesus é, por excelência, o Servo que se dispõe firmemente a ir a
Jerusalém cumprir seu papel (9.31.51). Jesus é o filho de Davi (20.41-44), o
Filho do Homem (5.24) e o Servo Sofredor (4.17-19, que foi contado com os
transgressores (22.37).

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