Teresa de Calcutá, a mãe dos pobres

(Por Géssica Casimiro e Mariana Neves)

“Nós não devemos dar aos pobres o nosso pobre amor, mas devemos ser os instrumentos, os testemunhos, os missionários das riquezas do amor de Deus por eles” (Santa Teresa de Calcutá)

Boa tarde, amados! Hoje a Igreja celebra um grande dia: a canonização de Madre Teresa de Calcutá.
Gonxha Agnes nasceu em 26 de agosto de 1910, na cidade de Skopje (Macedônia), terceira filha do casal Nikola e Bojaxhiu. O nome Gonxha significa “botão de flor”. Foi batizada no dia seguinte ao seu nascimento, na Igreja do Sagrado Coração.
Cresceu em um profundo amor por Jesus e uma forte devoção por Maria. Aos doze anos soube pela primeira vez sobre a vocação missionária com os pobres. No ano de 1928, Agnes entra na Ordem das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto da Irlanda. Agnes toma o nome de Madre Teresa do Menino Jesus em memória de Teresa Lisieux. Em 1929, chega a Calcutá, onde recebe o hábito e entra oficialmente na Ordem de Nossa Senhora de Loreto.
Em 10 de setembro de 1946, em uma viagem de trem para Darjeling, Madre Teresa sente dentro de si a vocação de dedicar a própria vida aos pobres, no qual recebe o chamado de Deus para abandonar a Ordem de Loreto e fundar as missionárias da caridade. Enquanto rezava, ela pensa em Jesus suspenso na cruz e repentinamente, em meio a todas as vozes e gritos no trem, Teresa ouve uma voz bem distinta. É a voz de Jesus que clama: “Tenho sede!”. O dia 10 de setembro é lembrado como o “Dia da Inspiração”. "Deus me chamou a abandonar tudo para dedicar-me somente a Ele por meio do serviço aos mais pobres e aos não amados", diz Madre Teresa em uma das suas cartas.
Em 1948, Madre Teresa recebeu o Indulto de Exclaustração, onde teve a permissão de deixar a Ordem de Loreto e dedicar-se aos cuidados das pessoas abandonadas de Calcutá. Após isso, fez um curso breve de medicina e iniciou o seu apostolado nos bairros mais pobres. Em 1950, Teresa e suas 12 seguidoras são reconhecidas por Roma como Irmãs Missionárias da Caridade. Missionárias porque enviadas em nome da Igreja, e da caridade porque deveriam testemunhar o amor de Deus pela humanidade pobre e sofredora. A congregação religiosa professa quatro votos: castidade, obediência, pobreza e dedicação ao trabalho entre os pobres.
Depois de começar a trabalhar com os pobres, começou a experimentar uma terrível escuridão e secura em sua vida espiritual, que durou 50 anos quase até o final da sua vida terrena, um período que na vida de fé é chamado de “noite escura”.
Em 1953, Madre Teresa fez seus votos perpétuos. As Irmãs Missionárias da Caridade receberam em 1965 o reconhecimento pontifício do Papa Paulo VI. Foram abertas outras casas de missão fora da Índia, com intuito de levar Jesus aos pobres, aonde encontrou pessoas com fome de Deus e lutou contra o aborto, divórcio e a contracepção, e motivou famílias a rezarem juntas e se consagrarem ao Sagrado Coração de Jesus.
Recebeu o prêmio Nobel da Paz em 10 de dezembro de 1979, além de muitos outros prêmios. Não queria ser o centro das atenções, mas recebeu cada prêmio para a glória de Deus em nome dos pobres. “Vejam, eu nunca pensei em poder mudar o mundo! Procurei apenas ser uma gota de água limpa, na qual pudesse brilhar o amor de Deus. Isso lhes parece pouco?”, disse Madre Teresa a um jornalista.
O calvário de Madre Teresa é longo e trágico. Ela, como Jesus, cai e se levanta, e recai, e isto até o fim. No dia 5 de setembro de 1997, aos 87 anos, rodeada pelas coirmãs, Madre Teresa voltou para a casa do Pai. Ao lembrar-se de Madre Teresa, Papa João Paulo II referiu-se a ela como a “boa samaritana” e "uma figura pequena, repleta de vida e a serviço dos pobres entre os mais pobres, com a força de Cristo".
Em 10 de outubro de 2003, no Dia Mundial das Missões, foi proclamada bem-aventurada pelo Papa João Paulo II.
Um dos milagres que culminou no processo de canonização de Madre Teresa é o caso de Marcílio Haddad. Ele teve uma terrível infecção cerebral que o acometeu, levando os médicos a não dar-lhe nenhuma esperança, inclusive de nem poder mais gerar filhos. Assim, sua esposa Fernanda começou a rezar a Deus, por intercessão de Madre Teresa, em uma capelinha, até conseguir a cura total de seu esposo.
Na Encíclica Lumen fidei o Papa Francisco escreve: "A luz da fé não nos faz esquecer os sofrimentos do mundo. Os que sofrem foram mediadores de luz para tantos homens e mulheres de fé; tal foi o leproso para São Francisco de Assis, ou os pobres para a Beata Teresa de Calcutá. Compreenderam o mistério que há neles; aproximando-se deles, certamente não cancelaram todos os seus sofrimentos, nem puderam explicar todo o mal. A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho".
Definindo Madre Teresa como um "ícone da misericórdia de Deus, o Papa decidiu canonizá-la este ano".
Com seu exemplo de vida, Madre Teresa deixa-nos um testemunho de amor por Deus, que por ela acolhido, transformou a sua vida num dom total de amor para os irmãos. Deixa-nos o testemunho da contemplação que se torna amor, e do amor que se torna contemplação. Suas obras falam por si e manifestam aos homens do nosso tempo o significado da vida que infelizmente, nos dias atuais, parecem perdidos.
Que a exemplo de Madre Teresa, possamos colocar-nos a serviço de Deus nos pobres, pois a mensagem já nos foi dada: “Tenho sede!”.
Santa Teresa de Calcutá, rogai por nós!

“Parece-me que, talvez teremos um pouco de dificuldade de chama-la de Santa Teresa: a sua santidade é tão próxima de nós, tão tenra e fecunda, que espontaneamente continuaremos a chama-la de ‘Madre Teresa’. ”

(Papa Francisco)

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