Áreas de atuação de um Missionário


(Por Géssica Casimiro)

“Vocês são servidores e mensageiros do Evangelho, especialmente para aqueles que não o conhecem ou o esqueceram” (Papa Francisco).

Irmãos e irmãs em Cristo, boa tarde!
Hoje falaremos sobre o serviço de um missionário e sua área de atuação. O Papa Francisco em uma de suas audiências nos disse que o missionário: “é o servidor de Deus que fala e que deseja falar aos homens e mulheres de hoje, como Jesus falava às pessoas de seu tempo e conquistava o coração das pessoas que iam ouvi-lo e ficavam admiradas com os seus ensinamentos”. Disse também que para uma missão ser autêntica “deve referir-se e pôr no centro a graça de Cristo que brota da cruz”, porque “acreditando n’Ele é possível transmitir a Palavra de Deus que anima, sustenta e fecunda o trabalho do missionário”.
Ser missionário significa doar-se totalmente pelo Reino de Deus, significa também desprender-se de tudo e de todos, de todas as seguranças e viver somente para o Reino e para o seu anúncio.
Afinal, quem pode ser missionário? O Concílio Vaticano II, após dedicar um longo parágrafo da Constituição Luz dos Povos à índole missionária da Igreja (n. 17), explicita no Decreto sobre as Missões: “Como membros de Cristo vivo, a Ele incorporados e configurados pelo Batismo, todos os fiéis são obrigados ao dever de cooperar na expansão e dilatação de seu Corpo para o levarem quanto antes à plenitude (AG36)”.
Portanto, todo cristão, não só pode, mas deve ser missionário. O que faz muitas pessoas restringir o conceito de missão a determinadas regiões ou atividades é julgar que ela se dirige apenas aos que nunca ouviram a pregação do Evangelho, e esquecem que o Reino de Deus não se propaga somente com o exercício da atividade missionária. Exige, antes de tudo, a ação do Espírito Santo, como nos recorda João Paulo II: "O Espírito Santo é o protagonista de toda a missão eclesial" (RM 21).  “Nunca será possível haver evangelização sem a ação do Espírito Santo”. E essa atuação deve ser conseguida pela oração.
Irmãos, alguns de nós tiveram a graça de ir em missão para outro país, outros receberam a graça de ir para outra cidade, mas a maioria de nós é chamado a ser missionário de uma maneira diferente, na própria cidade. É possível ser missionário no próprio país, na própria cidade, na própria família. Eu posso até desejar pregar o Reino de Deus muito longe, mas se esse amor apostólico não existe na minha vida cotidiana, com a minha família, se ele não queima em meu coração para evangelizar a minha família, será muito difícil que ele queime para que eu vá anunciar o Reino de Deus fora.
Precisamos a cada dia, nos alimentarmos de Cristo e vivermos d’Ele, para que assim possamos anunciá-lo aos outros. Toda missão começa dentro de mim mesmo, do meu relacionamento com Deus, da minha intimidade com Deus.  Santo Agostinho dizia: “Senhor, eu te procurei tão longe e não te encontrei, vim te encontrar aqui mesmo, dentro de mim”.  Ter essa preparação interior é indispensável, porque se eu não encontrei Deus em mim mesmo, não terei nada para oferecer aos outros.
Na missão, não podemos esperar nada de Deus. Jamais poderemos dizer: “Olha, Senhor, o que eu fiz por ti; agora me dá o retorno”. Ser missionário é trabalhar sem esperar retorno, como o servo inútil que se colocou a serviço do senhor sem esperar recompensa. Santo Agostinho dizia: “Pouco importa o quanto fazes o que importa é quanto amas”.
“O motivo da missão. É do amor de Deus por todos os homens que a Igreja sempre tirou a obrigação e a força de seu clã missionário: "Pois o amor de Cristo nos impele..." (2Cor 5,14). Com efeito, "Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2,4). Deus quer a salvação de todos pelo conhecimento da verdade. A salvação está na verdade. Os que obedecem à moção do Espírito de verdade já estão no caminho da salvação; mas a Igreja, a quem esta verdade foi confiada, deve ir ao encontro de seu anseio, levando-lhes a mesma verdade. Ela tem de ser missionária porque crê no projeto universal de salvação.” (M.38.2, §851. Catecismo da igreja Católica)
O Papa Pio IX, no ano de 1927 declarou Santa Teresinha do Menino Jesus, como padroeira de todos os missionários. Seu coração ardia de zelo missionário, como ela mesma exprime em sua autobiografia: “Eu quisera ser missionária, não somente durante alguns anos, mas quisera ter sido desde a criação do mundo e sê-lo até à consumação dos séculos". Teresa não foi à única missionária que nunca esteve em campo de missão. Houve alguém mais importante do que ela: Maria, a mãe do Salvador, que é saudada, no Decreto sobre as Missões, como Rainha dos Apóstolos (AG 42). Portanto, para todos os cristãos, mesmo que impossibilitados de partir para as "terras de missão", há inúmeras maneiras de cumprir seu dever missionário, oferecendo suas orações e sofrimentos.
Que o Senhor nos abençoe e nos dê a força de anunciar o seu Filho, que é o mesmo ontem, hoje, amanhã e pelos séculos dos séculos.
Santo dia a todos, Deus nos abençoe.

“O homem que se propôs a meta alta de viver a sério o amor, vai alentando no seu íntimo o desejo eficaz de se entregar cada dia mais a Deus e aos outros. Tudo o que faz lhe parece pouco. No fundo da alma ecoa como uma musica empolgante a palavra ‘mais’. Movido por esse anseio, procura motivo e ocasiões de sacrificar-se, de renunciar a pequeno egoísmo, de servir e alegrar a vida dos outros”.
(Pe. Francisco Faus)




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