Conversando com Deus

(Por Stella Araújo)

“Estamos em oração quando o nosso coração se dirige a Deus. Quando uma pessoa ora, entra numa relação viva com Deus” (Youcat, 469)

Olá, irmãos! Que Maria Santíssima com sua intercessão poderosa nos conduza ao Seu Filho Amado. O nosso texto de hoje retratará as três formas de oração, e assim daremos continuidade a esse tema indispensável às nossas vidas.
 Conforme o Catecismo, a Tradição Cristã compreende três expressões maiores da vida de oração: a oração vocal, a meditação e a oração mental.
A oração vocal “é um dado indispensável da vida cristã. Aos discípulos, atraídos pela oração silenciosa do Mestre, Este ensina uma oração vocal: o “Pai-Nosso”. Jesus não só rezou as orações litúrgicas das sinagogas; os Evangelhos O mostram elevando sua voz para exprimir sua oração pessoal, da bênção exultante do Pai até a angústia do Getsêmani” (CIC § 2701).
Em relação a meditação, temos que saber que ela é, sobretudo, uma procura. “O espírito procura compreender o porquê e o como da vida cristã, a fim de aderir e responder ao que o Senhor pede. Para tanto, é indispensável uma atenção difícil de ser disciplinada”. (CIC § 2705). Geralmente, para a prática da meditação utiliza-se um livro. E os cristãos dispõem de muitos, como: as Sagradas Escrituras, especialmente o Evangelho, as imagens sacras, os textos litúrgicos do dia ou do tempo, os escritos dos Padres espirituais, as obras de espiritualidade, entre outros.
Ao realizar a meditação, “o leitor se apropria do conteúdo lido, confrontando-o consigo mesmo. Neste particular, outro livro está sendo aberto: o da vida. Passamos dos pensamentos à realidade. Conduzidos pela humildade e pela fé, descobrimos os movimentos que agitam o coração e podemos discerni-los. Trata-se de fazer a verdade para se chegar à luz: Senhor, que queres que eu faça? ” (CIC §2706). Um cristão deve querer meditar regularmente. Caso contrário, assemelha-se aos três primeiros terrenos da parábola do semeador. Mas lembrem-se: “Um método é apenas um guia; o importante é avançar, com o Espírito Santo, pelo único caminho da oração: Jesus Cristo. ”
“A meditação mobiliza o pensamento, a imaginação, a emoção e o desejo. Essa mobilização é necessária para aprofundar as convicções de fé, suscitar a conversão do coração e fortificar a vontade de seguir a Cristo. A oração cristã procura meditar de preferência “os mistérios de Cristo”, como na “lectio (leitura) divina” ou no Rosário. Esta forma de reflexão orante é de grande valor, mas a oração cristã deve procurar ir mais longe: ao conhecimento de amor do Senhor Jesus, à união com Ele” (CIC§ 2708). Quanto às leituras meditadas, Pe. Paulo Ricardo diz que não devemos ter medo de fazê-las, pois elas nos introduzem no amor de Deus.
E por fim, temos a oração mental. Santa Teresa define essa oração da seguinte maneira: “A oração mental, a meu ver, é apenas um relacionamento íntimo de amizade em que conversamos muitas vezes a sós com esse Deus por quem nós somos amados”. A oração mental busca “Aquele que meu coração ama”. “É Jesus, nele, o Pai. Ele é procurado porque desejá-lo é sempre o começo do amor, e é procurado na fé pura, esta fé que nos faz nascer dele e viver nele. Na oração, podemos ainda meditar; contudo, o olhar se fixa no Senhor.
É necessário reservar um tempo para sermos do Senhor. Nem sempre se pode meditar, mas sempre se pode estar em oração, independente das condições de saúde, trabalho ou afetividade. O coração é o lugar da busca e do encontro, na pobreza e na fé.
O Catecismo vem nos dizer que a oração mental é a expressão mais simples do mistério da prece. Além disso, afirma que a oração é um dom, uma graça, não podendo ser acolhida senão na humildade e na pobreza. A oração é uma aliança estabelecida por Deus no fundo de nosso ser.
“A oração mental é escuta da Palavra de Deus. Longe de ser passiva, essa escuta é a obediência da fé, acolhida incondicional do servo e adesão amorosa do filho. Participa do “sim” do Filho que se tornou Servo e do “Fiat” de sua humilde serva” (CIC § 2716).
Também podemos definir a oração metal como silêncio, pois é neste silêncio, insuportável ao homem “exterior”, que o Pai nos diz seu Verbo encarnado, sofredor, morto e ressuscitado, que o Espírito filial nos faz participar na oração de Jesus.
A oração mental é união à prece de Cristo na medida em que nos faz participar de seu Mistério. O Mistério de Cristo é celebrado pela Igreja na Eucaristia, e o Espírito o faz viver na oração, para que esse Mistério seja manifestado pela caridade em ato.
Além disso, a oração mental “é uma comunhão de amor portadora de Vida para a multidão, na medida em que ela é consentimento a habitar na noite da fé. A Noite Pascal da Ressurreição passa pela da agonia e do túmulo. São esses três tempos fortes da Hora de Jesus que seu Espírito (e não a “carne, que é fraca) faz viver na oração. É preciso consentir em “vigiar uma hora com ele” (CIC§ 2719).
Meus irmãos, a Igreja nos convida a uma oração regular: orações diárias, Liturgia das Horas, Eucaristia dominical, festas do ano litúrgico. A Tradição Cristã nos apresenta as expressões maiores da vida de oração. Conscientes dessa realidade e sabedores da fundamentalidade da oração para nós, aproximemo-nos de Deus e elevemos a Ele, a nossa voz, nossa mente, nosso coração. Para assim, vivermos um verdadeiro encontro e uma real comunhão com Aquele que nos ama.
O próximo texto falará sobre a importância de aprender a rezar, assim como, a de ensinar a rezar. Além disso, trará dicas práticas para uma oração bem feita. Espero que os textos estejam nos ajudando e edificando a nossa caminhada e nossa vida de oração. Qualquer dúvida, deixem nos comentários, e elas serão sanadas na medida do possível. Até a próxima terça, se Deus quiser! Permaneçam na presença doce e suave de Nosso Senhor! Paz e Bem!

“Para mim, orar é estar ao longo de 24 horas unida à vontade de Jesus,
viver para Ele, por Ele e com Ele”
(Santa Madre Teresa de Calcutá)


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