(Por
Carolina Valverde)
O
mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: "Todo mundo serve primeiro o
vinho melhore, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos
bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!" Este foi o início dos sinais
de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória, e seus
discípulos creram nele. (Jo 2, 10-11)
Hoje celebramos o Dia de Nossa
Senhora Aparecida – Padroeira do Brasil e é com
imensa alegria que somos convidados a reverenciarmos Maria em seu título de
Nossa Senhora Aparecida e através de seus diversos títulos podemos reconhecer a
imensidão do amor de Deus, através da manifestação de Jesus na Cruz, por Ele
ter nos dado a sua Mãe como nossa.
O Evangelho das Bodas de Caná é um convite a irmos ao encontro do Único e
Verdadeiro Amor de nossas vidas, Maria aparece como a intercessora e mediadora,
aquela que sabendo olhar a necessidade dos irmãos, vai dizer ao Filho que está
faltando algo essencial para uma festa e nos mostra um dos primeiros milagres
realizado por Jesus, milagre esse que teve a sua participação
significativa, sendo a primeira pessoa a beber do vinho novo, que é Jesus.
Jesus, Maria e os
discípulos foram convidados a participarem das bodas de Caná, festa que normalmente
durava sete dias, e durante as comemorações houve a falta do vinho, a bebida
comum servida naquele tempo, e eis que no decorrer da festa, não havia mais
vinho para servir aos convidados, deixando os organizadores preocupados com tal
situação.
Então Maria, Mãe de Jesus,
percebe o acontecido e vai até o seu Filho e lhe diz: “Eles não têm vinho”; e entrega o
problema a Jesus, confiante de que Ele agiria em favor dos donos da festa, e
suas palavras soam como um apelo, discreto, porém, bastante comovente.
As palavras de Maria dirigidas
aos que estavam servindo o vinho nas Bodas de Caná, precisam ficar bem gravadas
na nossa mente para que percebamos o que será preciso também, quando estiver
faltando vinho para alegrar a nossa vida. “Fazei o que Ele vos disser”,
e o milagre do vinho aconteceu: Jesus transformou a água em vinho, em vinho bom.
No entanto, precisamos
seguir o seu mandamento (“Fazei tudo o
que Ele vos disser”), e para isso, é precisamos colocar à disposição do
Mestre as nossas talhas (coração) e a nossa disposição em fazer tudo o que
Ele nos disser. Nossa Senhora é apenas a intermediadora e nossa orientadora,
porém quem nos dá as ordens é Jesus e, se fizermos tudo quanto Ele nos disser
com certeza, também a água (nossa vida e família) que nós O oferecermos será
transformada em vinho. Este é o mandamento de Maria.
Maria não é simplesmente
uma figura histórica e sim, um exemplo de mulher atenta, influente e solidária
diante às necessidades do povo, e como Mãe, ela é nossa intercessora, levando a
Jesus todas as nossas súplicas. Somos e sempre seremos eternos aprendizes de
Maria, pois com Ela aprendemos a ser mais solidários, a termos um olhar
misericordioso e a darmos passos ao encontro de Jesus, no encontro com o
próximo. Que possamos sempre seguir o seu exemplo, estando sempre atentos às
necessidades dos nossos irmãos.
Aliás, Maria é acendida,
justamente, por ser reconhecida como mulher de fé e, enquanto tal, ela é modelo
de fé para todos nós. Seu apelo chega ao coração do Filho e é atendido. Empenha-se,
assim, sua função específica no interior do mistério salvador de Jesus, clara e
vigorosamente proclamada por Ele ao se dirigir a ela no madeiro da cruz.
Meditando o grande mistério do amor de Deus, revelado na morte de Jesus, Santo Agostinho
declara: “No momento de fazer esta obra
toda divina, é como se Jesus dissesse à sua Mãe: o poder de fazer esse milagre,
eu não o tenho de ti, pois não geraste minha divindade. Mas quando a fraqueza
de minha natureza humana, que tu me deste, for pregada à Cruz, então eu te
reconhecerei e te associarei ao meu sacrifício”.
Há dias em que para nós
também falta o vinho: o vinho do amor, da amizade, do perdão, da solidariedade,
da justiça, da alegria, da paz, da saúde, do comprometimento com a vida e
tantos outros vinhos necessários para termos uma vida digna e humana.
Para o milagre acontecer
na nossa vida, também precisamos obedecer ao pedido de Maria, necessitamos da
certeza de que hoje, como nas Bodas de Caná, Nossa Senhora está atenta às
nossas carências, escuta o nosso silêncio e vê as nossas angústias. Se,
confiarmos nela, mesmo que não peçamos nada, ela estará providenciando junto do
Seu Filho, o vinho que está faltando na nossa vida.
Dom Frei Fernando Antônio Figueiredo nos diz que: Conhecer o Pai significa para S. João a mais alta
experiência cristã. Aliás, no Evangelho, ele emprega o verbo e não o
substantivo para ressaltar o fato de que conhecer Deus não é algo abstrato,
apenas um conhecimento, é fruto de um ato pessoal. Só se conhece Deus,
deixando-se guiar, ao longo da vida, por uma fé viva e irradiante de amor, cuja
expressão plena é a oferta eucarística de Jesus ao Pai. Eis o culto universal,
que nos introduz, desde já, no mistério da Trindade Santa, doação eterna do
Filho ao Pai pelo Espírito Santo. Conhecer Deus é viver em Deus, seguindo os
passos do Filho Jesus. Maria, que viveu essa experiência mística, não nos
desampara: “Mãe do Filho de Deus, intercedei por nós e por todo o povo
brasileiro.”
E então, meu irmão e minha irmã, o
que fica em seu coração diante da Palavra de Deus hoje? O
que podemos tirar da mensagem deste Evangelho hoje? Qual será o nosso novo olhar a partir dessa
Palavra?
Devemos sempre ser gratos a Jesus
por ter vindo e manifestado a sua glória nesse mundo tão “pobre” e em nossas vidas, que muitas vezes é ameaçada por tantas
coisas más; precisamos também ter a plena consciência de que somos o povo de
Deus, esse que é nascido da encarnação, da morte e da ressurreição de Cristo,
da força do Espírito Santo que Ele nos deu.
E também fica a certeza de que
Ele sempre está conosco, nos alimentando e construindo a sua Igreja através da
força do Espírito Santo, que nem está escrito em Ef. 5,25 - 27: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de
purificá-la, com o banho da água e santificá-la pela Palavra, para apresentar a
si mesmo a Igreja, gloriosa, sem mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas
santa e irrepreensível”.
Necessitamos sempre sermos fieis
a esse Espírito, que é o vinho novo do Reino de Deus, e por causa da nossa
fidelidade para com Ele, nos transformaremos a cada dia de nossa vida em novas
pessoas, com sentimentos novos, com uma nova maneira de vermos e agirmos, de
enfrentarmos e sentirmos as diferentes situações que a vida nos proporciona;
pois nem mesmo os fracassos, as lágrimas, as tristezas e nem mesmo a morte irão
tirar a nossa alegria e a nossa certeza de viver, pois o Cristo que habitou
entre nós, continua ao nosso lado através da eficácia do Espírito Santo; e se
dedicarmos fidelidade a Ele a nossa Igreja será sempre viva, com muita
abundância e a alegria não nos faltará, pois seremos sempre convincentes de que
a nossa esperança será inabalável, até mesmo quando as dificuldades do mundo e
da vida estiverem presentes, até mesmo diante da morte.
O Senhor manifestou a sua glória e
seus discípulos creram nele, e assim Ele faz através dessa Palavra e também pela
sua Eucaristia, nos reunindo através da força amorosa do Espírito Santo.
Creiamos!
Que a nossa eucaristia seja toda
ungida com muita doçura e com a renovação da nossa vida em Cristo: “Felizes aqueles que foram convidados para o
banquete das núpcias do Cordeiro” (Ap. 19,9).
Que possamos sempre ter um novo
olhar igual ao de Maria, voltado para as necessidades dos nossos irmãos e
fixado em Jesus, pois Ele é o único capaz de salvar a nossa Comunidade, as
famílias, a Igreja de todo e qualquer constrangimento, necessidade ou falta de
algo; pois o mesmo ama as famílias, sendo que até Ele mesmo desejou ser também
família.
O milagre do vinho nos
lembra de que sem Jesus a humanidade vive uma festa de casamento sem vinho,
pois Jesus é o vinho novo, da nova e eterna aliança, que temos o dever de
experimentarmos para que possamos alcançar a nossa salvação.
A palavra de hoje também
nos traz que a noiva das Bodas de Caná tem um rosto e um
nome: é você, sou eu, e são todos aqueles que buscam a Deus em Jesus Cristo, e é
também o rosto de cada homem, desfigurado pela tristeza do pecado e que estão à
espera desse vinho da eterna alegria.
E para finalizar, venho
recordar que Maria representa a comunidade nascida através da fé em Jesus
Cristo, e que as últimas palavras dela, para nós neste Evangelho, é um convite
para cada um de nós: “Fazei o que ele vos
disser!”.
Quando Deus o seu anjo enviou
De Isabel, o ventre abençoou
Tu, Maria, estavas lá!
Quando o idoso profeta Simeão
Avisou que chegara a salvação
Tu, Maria, estavas lá!
Estavas lá
Mãe do Senhor
Conosco estás
Ó Mãe do Amor.
Quando a água em vinho se tornou
E em Caná, Jesus se revelou
Tu, Maria, estavas lá!
Quando a cruz, o teu filho carregou
No calvário, o cordeiro se imolou
Tu, Maria, estavas lá!
Estavas lá
Mãe do Senhor
Conosco estás
Ó Mãe do Amor.
Quando o Espírito Santo de Deus
Como fogo a Igreja recebeu
Tu, Maria, estavas lá!
Quando a Igreja sofreu perseguição
E implorou por tua proteção
Tu, Maria, estavas lá!
Estavas lá
Mãe do Senhor
Conosco estás
Ó Mãe do Amor.
(Pe.
João Carlos – Estavas lá)

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