(Por Ana Paula do Valle)
“Aquele que fez o exterior não fez também o interior? ” (Lc 11, 40)
Olá, irmãos e irmãs! No
dia de hoje, iniciaremos nossa reflexão com a Primeira Leitura, a qual foi
extraída da Carta de São Paulo aos cristãos da Galácia. No trecho reservado à
Liturgia de hoje, São Paulo exorta os gálatas a deixarem, de uma vez por todas,
as leis de Moisés, uma vez que já tiveram o contato com o Evangelho do Cristo,
que não veio para anular as leis antigas, mas para aprimorá-las e leva-las à
sua plenitude (Mateus 5, 17). São Paulo também afirma que não é a lei que nos
justifica, mas sim a fé e que, por isso, devemos (também nós nos dias de hoje)
nos deixamos ser conduzidos pelo Espírito Santo de Deus (Gálatas 5, 5). Além
disso, o apóstolo Paulo nos ensina que em Cristo, o que importa é a fé e o amor
presente em nossas obras e não as obras de Moisés.
No Evangelho, o São Lucas
nos revela o momento em que Jesus foi convidado por um fariseu para comer em
sua casa. Os fariseus conheciam, estudavam e vivenciavam rigorosamente as leis
prescritas por Moisés. O conhecimento e a obediência cega à lei faziam com que
eles desprezassem as pessoas que não a cumpriam com tanta rigorosidade ou que
foram, aos poucos, permitindo que o amor pelo Cristo as inundasse de modo a
repensar a obediência às leis do Antigo Testamento.
O evangelista relata que
o fariseu sentiu-se admirado ao perceber que Jesus havia se sentado à mesa sem
antes lavar as mãos. O Senhor, perscrutando seus pensamentos e sentimentos, respondeu-o:
“Vós fariseus, limpais o copo e o prato
por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e
maldades. Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o
interior? Antes, dai esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para
vós” (Mateus 11, 39-41).
Irmãos, o que Jesus nos
quis dizer não foi que não devemos ter leis ou sermos vigilantes às
prescrições, pelo contrário: O Senhor alertou ao fariseu e nos alerta a
vivenciarmos a lei não porque é lei, mas porque é, antes de tudo, amor. Deus
não quer de nós o mero cumprimento de seus mandamentos, mas que assim o façamos
simplesmente porque suas ordens são a pura demonstração de seu amor e cuidado a
nós. A exortação do Cristo é para que sejamos irrepreensíveis na realização de
seus preceitos porque estas nos instruem no caminho até a sua misericórdia. O
mandamento pelo mandamento não nos faz santos, o que nos santifica e nos leva
para o Céu é o amor com o qual realizamos os desígnios do Pai em nossas vidas e
permitimos que, por meio de nossas atitudes diárias, Ele se manifeste a nós e
nos liberte para sermos verdadeiramente felizes em Sua presença.
Amados, a Nossa Santa Mãe
Igreja nos traz uma série de prescrições, tanto no que diz respeito à Liturgia,
quanto nos que se refere às nossas vidas cotidianas e que, portanto, também
exercem o papel de manifestação da vontade do Senhor para cada um de nós. Mas
como temos vivenciado isso? Será que simplesmente obedecemos por obedecer, ou
desempenhamos cada uma dessas prescrições porque entendemos que elas são um
sinal do amor do Senhor por nós?
Querem um exemplo? O
terceiro mandamento do Senhor é “Guardar domingos e festas” e a Santa Igreja
nos exorta a participarmos da Santa Missa, pelo menos, todos os domingos. O
Catecismo Jovem da Igreja Católica (número 219, página 131) afirma que:
“O
compromisso de um cristão católico é ir à Santa Missa todos os domingos e
festas de guarda. Quem realmente procura a amizade com Jesus aceita, sempre que
pode, o convite pessoal de Jesus para a Ceia. Na verdade, “obrigação de ir à
Missa” é para um cristão autêntico uma expressão tão inadequada como “obrigação
de dar um beijo” para quem está realmente apaixonado. Ninguém consegue ter uma
relação viva com Cristo se não vai onde Ele espera por nós”
Portanto, irmãos, o que
precisamos é entender que os mandamentos do Senhor por Moisés foram aprimorados
quando o próprio Deus se fez carne e, vivendo em nosso meio, suscitou aqui na
Terra os seus discípulos que, por sua vez, levando adiante a sua Palavra, deram
origem ao que hoje carinhosamente e respeitosamente chamamos de Igreja Católica
Apostólica Romana. Assim sendo, a Igreja não quer propor meramente algumas
regras de comportamento ou estabelecer determinadas atitudes, mas sim mostrar
que, por meio da vivência das mesmas, Deus se faz presente em nossas vidas
diárias, tanto quanto se fez presente na mesa do fariseu. Chegamos abertos e,
de bom coração, aceitemos as verdades do Senhor reveladas a nós por meio de Sua
Igreja. Sejamos obedientes não porque nos sentimos obrigados, mas porque temos
a total consciência e o entendimento de que tudo isso é a mais linda
manifestação do amor e da misericórdia do Senhor. Vivamos com muito amor a sua
vontade, façamos dela o desejo de nosso coração, a aspiração mais pura e
sincera de nossa alma e veremos o quanto somos amados e capacitados a amar.
Paz e bem! Santa
terça-feira a todos nós!

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