Evangelho - Lc 12, 13-21


(Por Renata Cruz)

Olá Tops! Que Deus abençoe nossa vida! Mais uma vez, Jesus usa de parábola para ensinar seu povo. Ele responde ao homem que julgava que os bens materiais eram o que o ser humano teria e mais valioso na terra e que pediu ao Mestre para ser "juiz" na divisão de uma herança.
Naquele tempo, haviam dois tipos de sociedade: a do campo e a da cidade. A do campo era aquela que prezava pelas trocas, pela igualdade de posses, pela partilha. A sociedade urbana, ao contrário, é baseada no acúmulo, na cobiça, era sinônimo de status, de posição social, aquele que mais possuía. Por consequência gerava desigualdades, marginalidade, violência, roubos, etc. Estou falando do tempo de Jesus, hein?
Ainda hoje, dois mil e dezesseis anos depois de Cristo, a divisão da herança entre os familiares é sempre uma questão difícil, muitas vezes ocasiona desavenças, revoltas, brigas e até violência.
Jesus ouve um pedido do meio da multidão: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo.”
Jesus prontamente responde: “Homem, quem foi que me encarregou de julgar ou dividir os bens entre vocês?” A resposta de Jesus deixa claro que Ele não viria para ser um com aqueles homens materialistas.
Jesus é Deus. E sabe muito bem de sua missão. Jesus não foi enviado à terra para ser juiz como aquele homem pedia. Mas esse pedido ajudou na Evangelização, quando “ele falou a todos: Atenção! Tenham cuidado com qualquer tipo de ganância. Porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a sua vida não depende de seus bens”, praticava ali parte de sua missão, mostrar àqueles que não conseguem ver o real sentido da vida.
Bens materiais são necessários, mas não são fundamentais, o verdadeiro cristão deve se preocupar em ser rico para Deus (Lc 12,21). Lembremos sempre que quando a ganância toma conta do nosso coração, não há como repartir a herança com justiça e tranquilidade.
Agora vem a parábola: “A terra de um homem rico deu uma grande colheita. E o homem pensou: O que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita.” O homem rico volta toda a sua preocupação em seus bens e como acumular para garantir um "resto" de vida abundante e tranquila. “Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir outros maiores; e neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: meu caro, você possui um bom estoque, uma reserva para muitos anos; descanse, coma e beba, alegre-se!
Mas Deus lhe disse: Louco!", mas poderia ter dito: Tolo! De que adianta juntar tesouros na terra? O nosso lugar, meus irmãos, é o céu! A morte é um meio eficaz para repensarmos no verdadeiro significado que a nossa vida tem. Ela nos mostra o que tem verdadeiramente valor e o que é passageiro. Quem só busca o material, esquece o espiritual, e perde tudo na hora da morte.
"Também se tornou odioso para mim todo o trabalho que produzi debaixo do sol, porque devo deixá-lo àquele que virá depois de mim. E quem sabe se ele será sábio ou insensato? Contudo, é ele que disporá de todo o fruto dos meus trabalhos que debaixo do sol em custaram trabalho e sabedoria. Também isso é vaidade. E eu senti o coração cheio de desgosto por todo o labor que suportei debaixo do sol. Que um homem trabalhe com sabedoria, ciência e bom êxito para deixar o fruto de seu labor a outro que em nada colaborou, note-se bem, é uma vaidade e uma grande desgraça. Não há nada melhor para o homem que comer, beber e gozar o bem-estar no seu trabalho. Mas eu notei que também isso vem da mão de Deus; pois, quem come e bebe, senão graças a ele? Àquele que lhe é agradável Deus dá sabedoria, ciência e alegria; mas ao pecador ele dá a tarefa de recolher e acumular bens, que depois passará a quem lhe agradar. Isto é ainda vaidade e vento que passa."  (Ecl 2, 18; 19-21; 24-25)
O que nos eterniza não são nossas posses, nossos bens, mas aquilo que ja de mais simples e fundamental: a fé, a caridade, o amor, a bondade. Saímos desse mundo sem levar nada, apenas os sentimentos que acabei de citar.
Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico para Deus.” Como ser rico, em Deus? Jesus nos orienta: quem quer ser o primeiro, seja o último; é melhor dar que receber (At 20,35); o maior é o menor; preserva vida quem perde a vida.
“Dê esmola daquilo que você tem nos celeiros, e ela o livrará de qualquer desgraça.” (Eclo 29,12)
“... pois mesmo que se tenha muitas coisas, a vida não consiste na abundância de bens” (v. 15). Eu acredito que possuo pelos bens e riquezas que tenho, mas, de fato, eu sou possuído! O importante é à nossa maneira de possuir, isto é, a prioridade que atribuímos ao que nós possuímos.
Agora, eu lhe questiono: Você é de Deus? É esta a reflexão dirigida ao rico: “E para quem ficará o que acumulaste?” (v. 20). Cabe a nós respondermos também: Aonde está minha verdadeira riqueza? Em bens materiais ou na busca incessante pela minha salvação?

Pai, livra-me do apego excessivo às coisas terrenas, as quais me tornam indiferente à necessidade do meu próximo. Que eu descubra na partilha e na doação um caminho para a salvação. Louvado seja Deus para sempre! 

Comentários