(Por Stella Araújo)
“O Espírito Santo é “a água viva” que, no coração orante, “jorra
para a vida eterna”. É Ele que nos
ensina a haurir essa água na própria fonte: Cristo. Ora, existem na vida cristã
fontes em que Cristo nos espera para nos dessedentar com o Espírito Santo” (CIC
§ 2652).
Boa tarde, galera! Que o amor de Cristo envolva
nossas vidas e aqueça sempre nossos corações. Bom! Todas as terças deste mês
teremos um texto falando sobre a oração. O texto da semana passada retratou o seu
significado e sua total relevância para nossa vida cristã. O texto de hoje
dissertará sobre as fontes da oração, ou seja, os meios que o Senhor nos
concede para entrarmos em contato com Ele. São fontes da oração: A Palavra de Deus, a Liturgia
da Igreja, as virtudes teologais,
e por fim, temos como fontes, as situações
cotidianas, porque nelas podemos encontrar Deus.
No Catecismo
da Igreja Católica, em sua quarta parte, encontramos em seu segundo capítulo intitulado
como: “A Tradição da Oração”, um
artigo que versa sobre as fontes da oração, as quais falaremos especificadamente,
logo mais.
Primeiramente
é de suma importância frisar que, a oração não se reduz meramente ao surgir
espontâneo de um impulso interior. Para rezar é necessário querer. O Catecismo
atesta que não basta somente saber o que as Escrituras revelam sobre a oração;
também é indispensável aprender a rezar. E é por uma transmissão viva (a Sagrada
Tradição) que o Espírito Santo, na Igreja “crente
e orante” ensina os filhos de Deus a rezar.
A Palavra de Deus é a primeira fonte da
oração. É por meio da frequente leitura das divinas Escrituras que aprendemos “a eminente ciência de Jesus Cristo”. É
importante lembrarmos que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada
pela oração, “a fim de que se estabeleça
o colóquio entre Deus e o homem; pois ‘a Ele falamos quando rezamos; a Ele
ouvimos quando lemos os divinos oráculos’”. “Os Padres espirituais, parafraseando Mt 7,7, resumem assim as
disposições do coração alimentado pela Palavra de Deus na oração: Procurais
pela leitura, e encontrareis meditando; batei orando, e vos será aberto pela
contemplação” (CIC §2653 e 2654).
A respeito
dessa fonte da oração, Frei Claudiano explica que a Palavra de Deus é para ser
estudada, meditada e contemplada. Ele diz que ao lermos a Palavra, devemos
elevar o nosso coração para Aquele que veio até nós. Além disso, afirma que o
estudo da Palavra precisa elevar o nosso coração, fazer com que ele reze.
A segunda
fonte da oração é a Liturgia da Igreja.
O Catecismo declara que “a missão de
Cristo e do Espírito Santo, que na liturgia sacramental da Igreja, anuncia,
atualiza e comunica o Mistério da salvação, prolonga-se no coração de que reza”.
É a oração que interioriza e compreende a Liturgia durante e após sua celebração.
A oração é sempre a oração da Igreja, comunhão com a Santíssima Trindade.
Nas palavras
de Frei Claudiano, “a Eucaristia é a
oração mais sublime que nós temos. Começamos as fontes com a Palavra de Deus,
mas Ele não quis somente falar com o povo, quis ser alimento”.
As virtudes teologais são elencadas como
a terceira fonte da oração. Mas o que vem a ser tais virtudes? Pe. Paulo
Ricardo nos ensina que as virtudes teologais são dons infusos por Deus no
momento do nosso batismo. A fé, a esperança e o amor (podemos encontrar também como caridade) são as virtudes teologais.
“Entramos na oração como entramos na Liturgia: pela porta estreita
da fé. Por meio dos sinais de sua
Presença, procuramos e desejamos a Face do Senhor, e é sua Palavra que queremos
ouvir e guardar. O Espírito Santo, que nos ensina a celebrar a Liturgia na
expectativa da volta de Cristo, nos educa a orar na esperança. Por sua vez, a oração da Igreja e a oração pessoal
alimentam em nós a esperança.
Especialmente os salmos, com sua linguagem concreta e variada, nos ensinam a
fixar nossa esperança em Deus” (CIC
§ 2657).
“A esperança não
decepciona, porque o amor de Deus
foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado” (Rm
5,5). “A oração, formada pela vida litúrgica, tudo haure do Amor com que somos amados em Cristo e
que nos concede responder-lhe, amando como Ele nos amou. O amor é a fonte da
oração; quem dela bebe atinge o cume da oração” (CIC §2658). Santa Teresa dizia que a oração não é muito pensar, pensar,
pensar, mas muito amar.
E por último,
temos as situações cotidianas como
fontes da oração. “Aprendemos a rezar em
certos momentos ouvindo a Palavra do Senhor e participando de seu Mistério
pascal, mas é em todos os tempos, nos acontecimentos de cada dia, que seu Espírito
nos é oferecido para fazer jorrar a oração. Orar nos acontecimentos de cada dia
e de cada instante é um dos segredos do Reino revelados aos “pequeninos”, aos
servos de Cristo, aos pobres das bem-aventuranças. É justo e bom orar para que
a vinda do Reino de justiça e de paz influa na marcha da história, mas é também
importante modelar pela oração a massa das humildes situações do cotidiano”
(CIC§2659 e 2660).
Em relação às
situações cotidianas, Frei Claudiano diz que devemos aproveitar todos os momentos
da vida para rezar. Isto é, devemos nos tornar orantes.
Irmãos, Deus
prepara meios para conversarmos com Ele, para estarmos diante de Tua presença e
ouvir Tua santa voz. Vamos aproveitar as fontes que jorram a Água Viva e saciar
o nosso coração sedento.
Paz e bem!
“Que eu te busque, Senhor, invocando-te; e que eu te invoque, crendo
em Ti: Tu nos foste anunciado. Invoca-te, Senhor, a minha fé, que me deste, que
me inspiraste pela humanidade de Teu Filho, pelo ministério de teu pregador”
(Santo Agostinho)

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