(Por Mariana Neves)
“A dignidade de todo homem e a vocação que a ela corresponde
encontram a sua medida definitiva na união com Deus. Maria, a mulher da Bíblia,
é a expressão mais acabada desta dignidade e desta vocação” (Mulieris
Dignitatem)
Boa noite, pessoal!
Espero que estejam gostando dos textos formativos que nós estamos preparando
para vocês. Por algumas semanas, irei falar com vocês sobre a carta apostólica Mulieris Dignitatem, que foi escrita por
São João Paulo II. Decidi dividir os textos de acordo com a divisão dos
capítulos da própria carta. Espero que gostem!
A referida carta
apostólica surgiu após o Sínodo dos Bispos de 1987, onde os padres trataram
sobre a dignidade e vocação da mulher. No primeiro capítulo desta carta, é
abordado como primeiro tema “Mulher, mãe de Deus”, e é com ele que eu inicio a
série de textos sobre a carta apostólica Mulieris
Dignitatem. Espero que gostem!
“Quando
se completou o tempo previsto, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher,
nascido sujeito à Lei, para resgatar os que eram sujeitos à Lei, e todos
recebermos a dignidade de filhos” (Gal 4, 4-5)
Por que São Paulo não se
refere ao nome de Maria nesse trecho, mas como “a mulher”? Porque é uma
referência ao que está escrito lá em Gênesis, na parte em que o Senhor dirá a
serpente que colocará inimizade entre ela e a mulher (cf. Gen. 3, 15). É nessa
mulher que se realiza o plano da salvação. É através de Maria e por Maria que
nós somos salvos.
No momento da Anunciação,
ao questionar o anjo como conceberia uma criança sem conhecer algum homem,
Maria recebe como resposta que para Deus nada é impossível e acredita nisso. “Maria alcança assim uma tal união com Deus
que supera todas as expectativas do espírito humano” (MD). Foi através da
força do Espírito Santo, através do seu toque, que Nossa Senhora pôde aceitar
que o que é impossível ao homem é possível a Deus. Nesse momento, Maria
torna-se mãe do Filho de Deus, a mãe de Deus.
Como assim “mãe de Deus”?
Mãe de Deus (Theotókos) é um dos
dogmas de Nossa Senhora e que foi formulado no Concílio de Éfeso, em 431. Antes
desse concílio, defendia-se que Maria era mãe de Jesus-homem, mas como Maria
poderia ser mãe só de uma parte de Jesus? Uma mãe é mãe do corpo inteiro do seu
filho, assim também acontece entre Nossa Senhora e Jesus. Com o seu “fiat”,
Maria concebe Jesus, filho de Deus, consubstancial ao Pai. Dessa forma, Maria é
mãe de Deus.
Em toda história, podemos
ver que Deus sempre respeita a vontade dos homens, e o mesmo acontece com
Maria. Quando ela diz “faça-se em mim”, ela estava exprimindo a sua livre
vontade e participação do seu “eu” pessoal e feminino na encarnação de Cristo,
tornando-se assim um sujeito autêntico da união com Deus no mistério da
Encarnação do Verbo consubstancial ao Pai.
No momento em que Maria
exprime “Eis aqui a serva do Senhor”, ela transparece toda sua consciência de
que é criatura em relação a Deus, mesmo sendo a “cheia de graça”. E é essa a
consciência que Maria passa para Jesus, a consciência de ser o Redentor do
mundo, inserindo-se no serviço messiânico de Cristo. Jesus está sempre ciente
de que é servo do Senhor: “o Filho do
homem não veio para ser servido, mas para servir” (Mc 10, 45). “Cristo, ‘Servo do Senhor’, manifestará a
todos os homens a dignidade real do serviço, com a qual anda estreitamente
ligada a vocação de todo homem” (MD).
Mas o que posso levar
sobre tudo isso para a minha vida com Deus? “A dignidade de todo homem e a
vocação que a ela corresponde encontram a sua medida definitiva na união com
Deus”. Maria é nosso maior exemplo desta dignidade e vocação, é modelo e
representante de todo gênero humano, representa a humanidade de todos os seres
humanos. Nós, homens e mulheres, fomos criados à imagem e semelhança de Deus e
não podemos nos realizar fora dessa dimensão de imagem e semelhança.
Fiquem com Deus!

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