Pontifícias Obras Missionárias (POM)

(Por Jaqueline Faria)

“Eis-me aqui, envia-me” (Is. 6,8)

Boa tarde, povo de Deus. Paz e bem! Que conduzidos pelo Espírito Santo possamos sempre transbordar o amor de Deus e de seu filho Jesus a cada um que cruzar nosso caminho, sendo solidários e instrumento de evangelização, especialmente neste mês missionário que iniciamos.
Neste mês de outubro temos como enfoque as missões, vemos mais claramente o trabalho solidário, misericordioso e evangelizador na Igreja. Das inúmeras obras missionárias que a Igreja católica pratica em todo o mundo, temos quatro obras que são reconhecidas como pontifícias, são elas: Propagação da Fé, Infância Missionária, São Pedro Apóstolo e União Missionária, estas não foram previamente organizadas pela Igreja, surgiram por iniciativas de cristãos e ao tomarem grande proporção e por serem eficazes, foram intituladas de pontifícias sendo reconhecidas pelo Papa, para serem universais. Agora vamos entender como surgiram e qual a missão de cada uma.
Em 1819, a francesa Paulina Jaricot, conhecedora das dificuldades enfrentadas pelas missões na China, teve uma brilhante iniciativa para ajudar estas missões financeiramente, com materiais e com orações. Inicialmente ela organiza um grupo com dez pessoas, as quais comprometem-se a formar outros grupos de dez pessoas e assim sucessivamente, assim as dez pessoas tornavam-se cem, as cem mil... com a missão de fazer uma oração diária e toda semana uma doação para as missões. Surgia então a obra missionária Propagação da Fé, apenas em 1922 foi declarada pontifícia, tornando-se assim universal.
Dom Charles de Forbin-Janson foi um bispo francês com grande espírito missionário que tinha grande preocupação com as crianças, principalmente ao saber daquelas que morriam sem se quer terem sido batizadas na China. Viu neste momento sua missão em ajuda-las de alguma forma. Após contato com Paulina Jaricot, criadora da obra missionária Propagação da Fé, colocou em prática, em 1843, sua ideia de que as crianças amadurecessem seu espírito missionário desde cedo, na qual crianças ajudariam crianças a serem evangelizadas. O bispo pedia uma Ave-Maria por dia e uma moeda por mês, que ajudaria os missionários na China a batizar e evangelizar as crianças. Com a rápida expansão deste projeto, assim como a obra missionária Propagação da Fé, em 1922 foi declarada pontifícia, pelo Papa Pio XI.
A Obra de São Pedro Apóstolo surge em 1889 quando D. Cousin - Vigário Apostólico de Nagasaki, no Japão - que desejava ver a expansão da Igreja e para isso via a necessidade de formar sacerdotes indígenas que pudessem anunciar o Evangelho, pede ajuda a Jeanne Bigard, ao inaugurar um pequeno seminário com capacidade para 50 pessoas, mas apareceram mais candidatos do que a comportava o seminário, dessa forma era necessário ajuda para ampliar o seminário e manter os seminaristas. Neste momento que Dom Cousin recorre a Joana Bigard, que com auxílio de sua mãe começam a pedir de casa em casa ajuda para realização desta obra, assim, ela recorre a outras pessoas que começam a formar grupos que auxiliam financeira e espiritualmente a formação do clero, com o desejo de dar ênfase a formação do clero nos locais de missão e consequentemente no mundo todo. Com tal crescimento esta obra é declarada pontifícia também em 1922, pelo Papa Pio XI.
Em 1916 é fundada a Obra União Missionária por Pe. Paulo Manna, que identificou certa “deficiência” no clero frente a ideia missionária, vendo que os missionários não eram suficientes, sem que o clero assumisse também seu papel. A princípio esta obra consistia na formação apenas do clero em fortalecer seu trabalho evangelizador, hoje esta obra é para todos aqueles que assumem seu trabalho missionário sejam consagrados ou leigos, visando incrementar o trabalho missionário e expandir as missões pelo mundo.  É o Papa Pio XII, que em 1956 concede o título de pontifícia a esta Obra.
Estas Obras identificam a vontade do Papa e da Igreja na formação de uma Igreja missionária desde a infância, sendo incentivos para nos tornar verdadeiros anunciadores da palavra de Deus, que enfrentam e superam obstáculos e mesmo dificuldades para evangelizar nos locais mais remotos, carentes e necessitados.
Aqui no Brasil as POM são estruturadas com um diretor geral, Pe. Camilo Pauletti e um secretário responsável por cada obra: Guilherme Cavalli pela Propagação da Fé, Pe. Andre L. Negreiros pela Infância Missionária, Pe. Sávio Corinaldesi pela São Pedro Apóstolo e Pe. Jaime Patias pela União Missionária, sendo em Brasília a sede nacional.
A campanha missionária deste ano retoma a campanha da fraternidade, trazendo como Tema: Cuidar da Casa Comum é nossa missão e como Lema: “Deus viu que tudo era muito bom...” (Gn 1, 31), fazendo-nos questionar o mundo em que estamos vivendo e o que queremos no futuro, refletindo a necessidade de todos nós cuidarmos do planeta. Que nos coloquemos nesta missão de cuidar do mundo que habitamos e das pessoas que nele habitam, sejam nossos parentes, amigos, conhecidos ou desconhecidos, eis nossa responsabilidade.
Bom, amigos, então, que a exemplo de Jesus Cristo, dos Apóstolos e dos fundadores destas Obras Missionárias sejamos perseverantes em nossa missão evangelizadora, que guiados pelo Espírito Santo de Deus, possamos levar a palavra d’Ele aos que mais necessitam, pois esta é a Sua vontade, assim como nos pede: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. ” (Mc. 16,15). Que a nossa coragem seja maior que nossos medos e a nossa vontade de anunciar a Boa Nova maior que nossa timidez, pois como nos lembra Ele próprio nos escolheu, e nos capacita a cada dia: “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzias fruto, e o vosso fruto permaneça. ” (Jo 15,16).

Oração do Mês Missionário 2016
Pai de misericórdia, que criaste o mundo
e o confiaste aos seres humanos.
Guia-nos com teu Espírito para que,
como Igreja missionária de Jesus,
cuidemos da Casa Comum com responsabilidade.
Maria, Mãe Protetora, inspira-nos nessa missão.

Amém.

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