(Por Patrícia Lima)
Santo Antônio de Sant'Ana
Galvão, ou mais conhecido, como Frei Galvão, nasceu no dia 10 de maio de 1739
na vila de Santo Antônio de Guaratinguetá, atual Guaratinguetá,
no vale do Paraíba.
Galvão era o quarto de
dez filhos de uma família muito religiosa, rica e nobre. Aos 13 anos
foi enviado pelos seus pais ao Seminário jesuíta, Colégio de Belém,
seminário este que também estava seu irmão José e nele permaneceu por 4 anos,
aumentando assim seu conhecimento e formação.
O Santana em seu nome
surgiu devido ser muito devoto de Santa Ana (Santana) e após o falecimento de
sua mãe. Santa Ana se tornou assim, sua mãe espiritual. Por esse motivo, seu
nome passa a ser “Frei Antônio de Sant’ana Galvão”. Ele queria ser
jesuíta, mas as perseguições contra os jesuítas instaurada pelo Marquês de Pombal, aos 16 anos seguiu
o conselho do pai mesmo que obrigado e entrou no convento franciscano de
Macacu, em Itaboraí, Rio de Janeiro.
Mesmo com todas as
proibições na época com as construções de conventos de ordens
religiosas e até
de igrejas, Frei Galvão não exitou em construir o novo Recolhimento. Recolhimento esse que já seria
consagrado com o título de Nossa Senhora da Luz. A identidade espiritual era baseada na Ordem
da Imaculada Conceição. Ele escreveu todos os documentos e regras
necessárias para se tornarem de fato uma congregação religiosa. Esse
recolhimento quase foi fechado, mas com a pressão do povo e do Bispo, voltou a
funcionar.
Graças a Deus, o não
fechamento do Recolhimento aumentou o número de vocações e assim, aumentara o
recolhimento. Durante quatorze anos cuidou dessa nova construção (1774-1788) e
outros quatorze para a construção da igreja (1788-1802), inaugurada aos 15 de
agosto de 1802. Frei Galvão foi arquiteto, mestre de obras e até mesmo
pedreiro. A obra, hoje o Mosteiro da Luz, foi declarada "Patrimônio Cultural da Humanidade" pela UNESCO.
É conhecido por suas
pílulas: pílulas de Frei Galvão. As
pílulas surgiram ele foi a Guaratinguetá para pedir recursos para a construção
do Mosteiro da Luz. Terminada sua missão, tinha que regressar por causa de
compromissos no convento. Nisso, alguns homens vieram pedir que ele fosse até
uma fazenda distante rezar por um amigo deles que estava padecendo com uma
pedra no rim há dias. O homem estava quase para morrer de dor. Impossibilitado
de ir até lá, Frei Galvão teve uma inspiração: escreveu num pedacinho de papel
uma frase do ofício de Nossa Senhora: “Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta: Mãe de Deus,
intercedei por nós”. Frei Galvão embrulhou o papelzinho em
forma de pílula e deu aos amigos do doente dizendo que ele tomasse aquilo em
clima de oração, rezando o terço de Nossa Senhora. Mais tarde, espalhou-se a notícia
da cura daquele doente. Tempos depois, o Frei foi procurado por um homem
aflito. Sua esposa estava em trabalho de parto há quase um dia e corria risco
de morte. O religioso fez três pílulas e deu ao homem com as mesmas
recomendações. O homem levou as pílulas para a esposa, que as tomou e conseguiu
dar à luz um filho com saúde. Daí em diante, a fama das pílulas de Frei Galvão se espalhou. O povo começou a
procurá-las de tal maneira, que ele teve que pedir às irmãs do Recolhimento que
produzissem as pílulas. Depois, ele as abençoava e as irmãs distribuíam para o
povo. Desde esse tempo, há inúmeros relatos de graças alcançadas através das
Pílulas de Frei Galvão.
Às 10 horas do dia 23 de
dezembro de 1822, no Mosteiro da Luz de São Paulo, havendo recebido todos os
sacramentos, adormeceu santamente no Senhor, contando com seus quase 84 anos de
idade. Foi sepultado na Capela-Mor da Igreja do Mosteiro da Luz, e sua
sepultura ainda hoje continua sendo visitada pelos fiéis.
O dia 25 de outubro, dia
oficial do santo, foi estabelecido, na Liturgia, pelo saudoso Papa João Paulo
II, na ocasião da beatificação de Frei Galvão em 1998 em Roma. Com a
canonização do primeiro santo que nasceu, viveu e morreu no Brasil, a 11 de
maio de 2007, o Papa Bento XVI manteve a data de 25 de outubro.
Assim, concluo que Frei
Galvão é a melhor demonstração de João 14:12 “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará
as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu
Pai.” Ele não precisou ir ao local, simplesmente as pílulas eram enviadas e as
obras maiores aconteciam. Que Frei Galvão interceda por nós para que tenhamos
a caridade e o dispor que ele teve durante sua vida. Amém.

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