(Por Caroline
Torres)
Quem vai a Roma ou já pôde conhecê-la sabe que é um lugar
muito rico em monumentos históricos e antiquíssimos, obras primas belíssimas,
assim como, por exemplo, o famoso anfiteatro Flaviano, também conhecido como
Coliseu, que hoje é tão visitado por turistas dos mais variados lugares.
Para nós Católicos, o Coliseu deixou grandes marcas na nossa
história, foi palco não somente de jogos de gladiadores, muito apreciados pelos
Romanos, mas também de combates de fé e de heroísmo dos Mártires.
Este famoso Coliseu esconde um passado feito de sangue, dor e
glória e onde ficavam de um lado, em alguns compartimentos, grandes feras que
eram mantidas com fome e de outro lado, celas as quais eram usadas para colocar
os prisioneiros.
Parte daí a história de um grande santo de nossa igreja:
Santo Inácio de Antioquia.
Inácio era Bispo de Antioquia, veio logo depois de São Pedro
e indicado por ele, como dizia São João Crisóstomo. Era chamado de Teóforo (= o
que traz em si Deus), nome que ele gostava muito. Além disso, teve convivência
com São Paulo.
Possuía uma fé tremenda, era um “revolucionário da cruz”, assumia sem medo e com muita determinação
e confiança.
Tinha costume de dizer: “Realizemos
todas as nossas ações com o único pensamento de que Deus habita em nós”.
No ano 107, o imperador Trajano, querendo manifestar seus
reconhecimentos aos deuses por ter conquistado a vitória diante de Decébalo,
rei da Dácia, decretou perseguição contra os cristãos que negassem a existência
dessas divindades, muitos foram condenados e Inácio de Antioquia estava entre
eles, o qual era tão estimado pelos seus fiéis da Ásia Menor.
Após um interrogatório feito por Trajano a Inácio, este foi
preso e levado a Roma acorrentado e acompanhado de dez soldados para depois ser
lançado as feras no anfiteatro Flaviano.
Tal sentença gerou grande repercussão aos seus fiéis e também
àqueles que tinham grande respeito por ele, enquanto muitos se lamentavam ele
regozijava-se dando glórias a Deus por ser digno de tão grande misericórdia.
Esta notícia se espalhou por várias regiões trazendo assim muitos fiéis que
vinham desejosas ao seu encontro para se despedirem dele e também ganhar tomar
bênçãos.
Durante essa viagem,
pode ajudar muitas pessoas com suas sábias palavras e ensinamentos, pode até
mesmo batizar alguns, inflamou de caridade por onde passou, cumprindo seu dever
de cristão até o último momento.
Por ser um homem zeloso, deixa escritas sete cartas as quais
foram dirigidas aquelas igrejas que o haviam recebido.
Seus escritos foram
grandes tesouros da doutrina e espiritualidade, sendo considerados como a
segunda formulação doutrinária cristã.
Era um homem que se preocupava muito com a união que os fiéis
deveriam manter com Jesus Cristo.
Em uma de suas cartas escritas, a enviada aos Romanos deixou
clara ao sublime ardor de sua alma e dizia:
“Tenho escrito a todas as
Igrejas e a todas elas faço saber que com alegria morro por Deus, contanto que
vós não mo impeçais. Suplico-vos: não demonstreis por mim uma benevolência
intempestiva. Deixai-me ser alimento das feras, porque, através delas, pode-se
alcançar a Deus. Sou trigo de Deus: que seja eu triturado pelos dentes das
feras para tornar-me puro pão de Cristo!”
Instigai, ao contrário, os
animais para que neles encontre o meu sepulcro e nada reste de meu corpo para
não ser pesado a ninguém, depois de adormecer. Então serei verdadeiro discípulo
de Cristo, quando o mundo não mais vir sequer o meu corpo. Suplicai a Deus por
mim, que por este meio me torne uma hóstia para Deus. [...]
Que nada, tanto das coisas
visíveis quanto das invisíveis, segure o meu espírito, a fim de que eu possa
alcançar a Jesus Cristo. Que o fogo, a cruz, um bando de feras, os
dilaceramentos, os cortes, a deslocação dos ossos, o esquartejamento, as
feridas pelo corpo todo, os duros tormentos do diabo venham sobre mim para que
eu ganhe unicamente a Jesus Cristo! [...]
Procuro aquele que morreu por
nós: quero aquele que por nós ressuscitou. Meu nascimento está iminente. Perdoai-me,
irmãos! Não me impeçais de viver, não desejeis que eu morra, pois desejo ser de
Deus. [...]
Vivo, vos escrevo, desejando
morrer. Meu amor está crucificado. Não há em mim um fogo que busque alimentar-se
da matéria, apenas uma água viva e murmurante dentro de mim, dizendo-me em
segredo: ‘Vem para o Pai!' [...]
Se for martirizado, vós me
quisestes bem. Se for rejeitado, vós me odiastes."
Ao chegar em Roma, ainda
durante o caminho foi parado por alguns fiéis que rogaram a ele que suplicasse
a Deus que fosse deixada algumas relíquias após seu martírio para que pudessem
guardar de lembrança, chegando em seguida a seu destino final, o Coliseu, onde
foi direcionado a grande arena e sendo assistido por uma multidão de pagãos e
cristãos, uns vaiavam e outros ao mesmo tempo que ficavam felizes por sua
coragem se entristeciam pela falta que ele iria deixar.
Ao se centralizar na arena, coloca-se de joelhos , levanta
seus braços ao céu e conversa com o Pai rogando a Ele a súplica daqueles fiéis
que suplicavam as relíquias:
"Senhor, aqueles que me acompanharam e que são também
vossos filhos, pediram-me que rezasse a fim de que algo lhes sobre deste
martírio, para estímulo de sua fé. Eu, porém, desejaria ser triturado como o
trigo para vos ser oferecido como hóstia pura. Senhor, fazei a vontade deles e
também a minha, eu vos peço".
Após tal
oração, as feras entram na arena famintas e em pouquíssimo tempo Santo Inácio
de Antioquia é devorado.
Os fiéis
cristãos, esperando a chegada da noite, vai até o local onde Inácio havia sido
devorado e tiveram uma grande surpresa de Deus, encontraram como relíquia,
intactos o fêmur e o coração.
Diante
deste sobrenatural entusiasmo e milagre, se dirigiram até as catacumbas e
depois de algumas horas puderam constatar outro milagre: num círculo, as veias e artérias do coração
do santo mártir, constituíam as célebres palavras: Iesus Nazarenus, Rex iudeorum.
Nem mesmo a própria morte foi capaz de separar Inácio, o Teóforo, ou
melhor, o portador de Deus, de Cristo e por ter tido uma vida santa, se
assemelhou ao seu Divino Mestre.
“Deus eterno e todo-poderoso, que ornais a vossa Igreja com o
testemunho dos mártires, fazei que a gloriosa paixão que hoje celebramos, dando
a Santo Inácio de Antioquia a glória eterna, nos conceda contínua proteção. Por
nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.”
Oração de
Santo Inácio de Antioquia

Comentários
Postar um comentário
Fale conosco através do email: minionscatolicos@gmail.com