(Por Caroline Torres)
São
Francisco, nasceu em Assis, na Itália, entre 1181 e 1182, seu pai, Pietro
Bernardone e sua mãe Pica eram de família rica e possuíam um comércio de
tecidos bem conhecido na cidade. Seu pai viajava sempre para a França para comprar
suas mercadorias, local onde conheceu sua linda esposa Pica, uma mulher
extremamente educada, meiga e uma cristã fervorosa.
São
Francisco foi batizado em Santa Maria Maior, antiga catedral de São Rufino, com
o nome de João, mas seu pai resolveu mudar de idéia e seu nome ficou sendo
Francisco mesmo para homenagear àquela terra. Desde cedo Francisco aprendeu com
o pai sobre o comércio, o qual manejava com inteligência e proveito. Era um
jovem alegre, amante de músicas e festas e como tinha muito dinheiro era
considerado um ídolo por seus amigos. Francisco
adorava se divertir fazia serenatas para as damas, enfim, era um jovem que
havia se tornado líder da juventude de Assis.
Naquela
época a Itália passava por momentos conflituosos, marcada pela passagem do
sistema feudal para o sistema burguês, surgindo as “comunas”, que eram pequenas
cidades com comércio artesanato e indústrias. Esse sistema novo trouxe grandes
mudanças nas relações e o poder do sistema feudal passou a ser questionado
pelos novos senhores originários das “comunas”, constituídas pelos comerciantes
mais abastados, a exemplo do seu pai, Pedro Bernardone.
Devido
a essas mudanças, iam surgindo conflitos que levavam a guerras entre os
senhores feudais, que eram conhecidos como “maiores” e os emergentes comunas,
conhecidos como “minores”. Além dessas guerras, havia também choques entre o
Imperador com sua força civil do sacro império e o Papa, como chefe espiritual
que misturavam seus interesses ocasionando guerras entre eles.
Francisco
era um jovem que queria conquistar fama e nobreza e para isso acontecer,
gostava de participar dessas batalhas. Em 1201, incentivado pelo seu pai,
partiu para mais uma guerra, que baseados na vizinha cidade de Perúgia, haviam
declarado contra a comuna de Assis. Durante os combates, Francisco acaba sendo
preso em Perúgia em pleno inverno, onde ficou muitos meses em péssimo estado. Ao
sair da prisão, Francisco volta para a casa muito doente devido aos maus tratos
e também ao inverno enfrentado, com febres altíssimas que o deixou de cama por
um bom tempo, até que um dia ele acorda melhor e não está mais o mesmo, se
sentia diferente de uma forma que nem mesmo ele conseguia entender.
Deus
utilizou dessa situação para entrar na vida de Francisco com muita sutileza, o
que ele sentia prazer em fazer, como a diversão já não tinha mais graça, nem
mesmo nas cantigas e nos banquetes que gostava tanto, passando a repensar nas
coisas terrenas, mesmo não tendo muito contato com Deus.
Mesmo
com essa mudança inexplicável a ele mesmo, não conseguiu deixar de lado a fama,
que ainda tinha ambição, e então se prontificou a ajudar o Papa Inocêncio III
em mais uma batalha, na defesa dos interesses da Igreja e pôde contar com a
aprovação entusiasmada de seu pai que também tinha essa ambição de enobrecer
sua família, achando essa uma ótima oportunidade. Antes de sua partida,
Francisco cedeu a um amigo pobre seus trajes ricos e sua amadura que era muito
cara.
Partiu
de Assis em meio a aplausos e entusiasmo dos assisienses, mas seu trajeto não
durou muito tempo, pois durante o caminho, em uma das paradas para pernoitar,
começou a ficar doente novamente, com febres altas e foi aí que escutou uma voz,
que pensou ser a do Senhor que o questionava:
–
Francisco, o que é mais importante, servir ao Senhor ou servir ao servo?
–
Servir ao Senhor, é claro – respondeu o jovem.
–
Então, por que te alistas nas fileiras do servo?
–
Senhor, o que quereis que eu faça?
–
Volta a Assis – lhe diz a voz – e ali te será dito.
Francisco
então retorna a Assis, desafiando o que viria de questionamentos quanto a seu
retorno, mas enfrentou a todos.
Sentia
dentro de si um vazio inexplicável, pois nada mais o preenchia, nem as festas e
as diversões que ele costumava buscar, estava inquieto e insatisfeito, foi
então que decidiu estar mais em comunhão com Deus, começou a fazer orações e
também a meditar, buscava lugares tranqüilos para que pudesse se concentrar
melhor e então Deus começou a agir em sua vida.
Decidiu
então ir para Roma e visitou a tumba do Apóstolo São Pedro e lá deixou uma
grande quantidade de moedas de ouro por achar que os outros fiéis não estavam
sendo generosos com ele.
Sua
primeira experiência na pobreza foi quando tirou suas vestes e as entregou para
um mendigo. Francisco então retorna a Assis e se entrega com maior freqüência
nas orações, freqüentava sempre os ermos perto de São Damião, pequena igreja do
campo. Essa nova vida dele deixava amigos e família preocupados, principalmente
seu pai que ficava indignado com ele.
Entre
1205 e 1206, Francisco teve duas grandes experiências que marcaram sua vida, um
encontro com um leproso na planície de Assis e a voz do crucifixo que lhe falou
em São Damião. O encontro com o leproso aconteceu no caminho para Assis,
quando, ao avistar o leproso que lhe dava repulsa, ele foi movido por uma força
maior a dar um beijo de amizade, isso transformou seu modo de pensar e agir,
tudo que era amargo para ele se transformava em doçura. Sobre o crucifixo, um
dia, ao entrar para a capela de São Damião para rezar, a qual já se encontrava
quase que destruída devido ao abandono, ouviu uma voz vinda da cruz que dizia a
ele: “Francisco, vai e reconstrói minha
igreja que está em ruínas”. Francisco olhou ao seu redor e viu que essa voz
tinha razão, foi aí que ele retorna a Assis e pegou de seu pai um grande fardo
de fina fazenda e vendeu-a e, com esse dinheiro pôde repassá-lo ao sacerdote de
São Damião para que assim pudesse reformar a pequena capela.
A
cada dia que passava seu pai, Pedro Bernardone, ia ficando cada vez mais
indignado e furioso com Francisco, sentia vergonha de suas atitudes e foi então
que ele decidiu prendê-lo em um pequeno cubículo escuro debaixo da escada da
própria casa paterna.
Ao
final de 1206, seu pai vendo que Francisco estava completamente diferente,
resolveu ser mais severo com Ele, foi ao encontro do Bispo e assim, foi feito
um julgamento no meio da Praça Comunal de Assis a vista de todos. Pedro
Bernardone começou a falar tudo o que Francisco estava fazendo na frente de
todos e pediu todas as coisas dadas a ele de volta, foi então que ele se
recordou do que Jesus havia dito nas escrituras: “Quem ama o seu pai ou sua mãe mais que a Mim, não é digno de Mim” (Mt
19,29). Neste momento Francisco começou a retirar todas as suas vestes
ficando completamente nu e disse: “Até
agora chamei de pai a Pedro Bernardone, doravante não terei outro pai senão o
Pai Celeste”.
Francisco
foi acolhido pelo Bispo que o cobriu e então ele se afastou da família e
amigos, começou a viver como um verdadeiro mendigo passou a ajudar leprosos e a
reconstruir capelas e oratórios espalhados pela cidade que estavam em ruínas.
Na
cidade de Assis, Francisco foi rejeitado por muitos que o consideravam como
louco, inclusive por jovens que zombavam dele, mas havia outros que acreditavam
que Francisco tinha vestígios de santo, ele restaurou todas as igrejas e ruínas,
sua ultima capela restaurada foi a de Santa Maria dos Anjos, foi então que ele
começou a se questionar o que faria depois, ele não tinha entendimento do que
seria a vontade de Deus posteriormente, não tinha o discernimento que a igreja
que Cristo pedira para se erguer não era a de Pedra e sim a própria igreja de
Cristo, pois as pessoas se apegavam ao poder e riquezas e esqueciam-se da
riqueza da palavra de Deus e de sua vivência.
Foi
durante uma missa celebrada que Francisco, durante a leitura do Evangelho,
sentiu Deus falando com ele muito forte quando ouviu a passagem em que Jesus
instruía seus Apóstolos sobre o modo de ir pelo mundo: “sem túnicas, sem bastão, sem sandálias, sem provisões e sem dinheiro
no bolso...” (Lc 9,3). Ali, naquele momento pôde ter a certeza do que
queria viver, o que desejava viver no fundo de seu coração, ou seja, viver
puramente o que o evangelho de Jesus Cristo pedia.
Era
Francisco um pregador itinerante da palavra, onde percorria vizinhanças falando
de Cristo da forma mais simples possível, foi quando começou a ter seguidores
que se encantavam com a palavra, o primeiro deles foi um homem rico de Assis
chamado Bernardo de Quintaval, que o convidou muitas vezes para visitá-lo, pois
ele tinha a curiosidade de estudar sua vida, de entendê-lo, foi então que ele
pôde constatar que ele não era o famoso louco de Assis e sim um homem de Deus
extremamente sábio e conhecedor da palavra de Deus que encantava a todos que conversava.
Então ele perguntou a Francisco como fazia para segui-lo e ele disse a mesma
coisa quando sentiu o seu chamado, ou seja, viva o evangelho que você
encontrará sua resposta.
Numa
manhã Francisco e Bernardo foram à missa e no caminho juntou-se a eles um
doutor de direito chamado Pedro de Catânia e então, ao abrir o evangelho por três
vezes, encontraram a resposta tão desejada de Deus: “Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres. Depois vem
e segue-me” (Mt 19,21). “Não leveis
nada pelo caminho, nem bastão, nem alforje, nem uma segunda túnica…” (Lc 9,3).
“Se alguém quer vir após mim, negue-se a
si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Mt 16,24). A partir daí ele disse a seus companheiros que os que
quisessem ir com eles teriam que seguir essas passagens que Deus havia mostrado
a eles.
Em
24 de fevereiro de 1208, Francisco inicia a Fundação da Fraternidade dos Irmãos
Menores e neste mesmo dia, seu companheiro Bernardo de Quintaval vende todos os
seus bens e reparte aos pobres de Assis. A atitude de Bernardo comoveu o
Sacerdote Silvestre que resolveu segui-los, se tornando o primeiro sacerdote da
Ordem Franciscana, mas depois dele vieram outros que resolveram tomar a mesma
atitude. Juntos formavam um grupo de mendigos que ajudavam muitas pessoas
necessitadas, doentes com Lepra e também rezavam, cantavam e pregavam o
evangelho.
No
ano 1209, Francisco e seus companheiros resolvem ir para Roma para conseguirem
aprovação do Papa sobre o modo de vida deles, ele tinha muita fé e confiava que
Deus providenciaria o que fosse preciso
para que tudo desse certo e assim foi feito, foram ao encontro do Papa
Inocêncio III que tinha uma grande
admiração por Francisco e também a certeza de que Deus tinha essa vontade de
escolha de vida dele , ou seja, viver puramente do evangelho, e então deu a seu
modo de viver a aprovação oficial da igreja.
Em
1224, no período de 15 de agosto a 29 de setembro, Francisco, com Frei Leão e
Frei Rufino, passa no Alverne, praticando o jejum e também fazendo muitas
orações, ele se preparava para a festa de São Miguel Arcanjo, foi quando teve
uma visão do Serafim com seis asas apareceu-lhe o Senhor Crucificado e, depois
de entreter-se com ele, parte deixando-o marcado com seus estigmas de sua
Paixão.
No
ano de 1225, Francisco fica muito doente e é levado ao médico do Papa que fala
a ele que ele terá pouco tempo de vida, e ele ao saber disso diz: “Bem-vinda,
irmã Morte! ”
No
mês de agosto de 1226, pede para ser levado a Porciúncula e lá lança sua benção
sobre Assis.
No
dia 3 de outubro deste mesmo ano, Francisco morre cantando e é sepultado no dia
seguinte na igreja de São Jorge em Assis. Foi canonizado em 1228 pelo Papa
Gregório IX e sua festa é celebrada no dia 4 de outubro.
ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS
Senhor, fazei-me
instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu
leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu
leve o perdão;
Onde houver discórdia, que
eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu
leve a fé;
Onde houver erro, que eu
leve a verdade;
Onde houver desespero, que
eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que
eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu
leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu
procure mais
Consolar, que ser
consolado;
compreender, que ser
compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se
recebe,
é perdoando que se é
perdoado,
e é morrendo que se vive
para a vida eterna.

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