(Por Stella Araújo)
“Um dia, Jesus
estava orando num certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos
pediu-lhe: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou a seus
discípulos” (Lc 11,1)
Olá, irmãos! Que o Espírito Santo
sempre nos inspire a realizar a Vontade de Deus, uma vez que ela é perfeita e
agradável. Hoje é terça-feira e estamos novamente aqui, eu vocês e os nossos
textos sobre oração. O assunto de hoje é sobre a forma como rezamos. Será que
estamos rezando de maneira correta? Confesso a vocês que depois de estudar o
assunto, vi que rezava de forma totalmente equivocada.
Como fundamentação teórica para
esse texto, recorri também às aulas do Pe. Paulo Ricardo, que por sinal são
excelentes e deixarei o link ao final, para que vocês possam acessar e aprender
muito mais sobre essa prática essencial na vida de um cristão.
Então vamos lá! O evangelista São
Lucas narra que certo dia, Jesus estava em um lugar a rezar e quando terminou,
um de seus discípulos pediu-lhe: “Senhor,
ensina-nos a orar, como também João ensinou a seus discípulos” (Lc 11,1). E
em resposta a este pedido tão sincero Jesus confia a seus discípulos e à sua
Igreja a oração cristã fundamental: o Pai-Nosso.
Pe. Paulo Ricardo nos diz que Cristo ensina não somente como devemos fazer a
oração, mas faz questão de lembrar-nos também da importância de rezarmos sempre
sem jamais deixarmos de fazê-lo, sem nunca desistir (cf. Lc 18, 1).
O Catecismo vem nos dizer que “ao
orar, Jesus nos ensina a orar. O caminho teologal de nossa oração é a oração ao
seu Pai. Mas o Evangelho nos dá um ensinamento explícito de Jesus sobre a
oração. Como pedagogo, Ele nos toma onde estamos e, progressivamente, nos
conduz ao Pai. Dirigindo-se às multidões que o seguem, Jesus parte daquilo que
elas já conhecem da oração, conforme a Antiga Aliança, e as abre para a
novidade do Reino que vem. Depois lhes revela em parábolas essa novidade.
Enfim, falará abertamente do Pai e do Espírito Santo a seus discípulos, que
deverão ser pedagogos da oração em sua Igreja” (CIC §2607).
Pe. Paulo Ricardo ensina que a
oração Cristã é tão essencial à vida de quem quer ser discípulo de Jesus que o
Catecismo coloca seu ensino como a mais necessária obrigação do ministério
pastoral: “Por isso, o principal empenho do pároco está em conseguir que
seus piedosos ouvintes compreendam o que devem pedir a Deus e de que maneira o
devem fazer”. E essa
obrigação dos párocos foi passada aos catequistas, ministros leigos. E assim,
enfatiza que todos precisamos aprender a orar e ensinar a orar.
Afinal, porque a oração é tão
importante? Mais uma vez Pe. Paulo Ricardo nos esclarece. Ele explica que nós
somos muito egoístas e precisamos sair do nosso egoísmo. Para completar a
explicação, traz a figura de Santo Agostinho que dizia que se nós não
conseguimos fazer algo e Deus nos pede, sendo que Ele não nos pede o
impossível, devemos pedir a Ele. Ou seja, a oração surge da nossa incapacidade
de amar, precisamos pedir a Deus o que mais necessitamos. Por isto, clamava
Santo Agostinho: “Da quod
iubes et iube quod vis”, “Dai-nos,
Senhor, o que nos manda e manda-nos o que quiserdes”.
Segundo a doutrina atestada por
Santos Padres, a oração é meio necessário à nossa salvação. E já dizia São
Afonso Maria de Ligório: “Quem reza, certamente se salva, e quem não reza
certamente será condenado”.
Analisando tamanha importância da
oração, vendo que os discípulos pediram ao próprio Jesus que os ensinasse a
orar, veremos agora algumas dicas para a prática concreta da oração.
No texto da semana passada
aprendemos que a Tradição Cristã compreende três expressões maiores da vida de
oração, sendo elas, a oração vocal, a meditação e a oração mental. Nos
deteremos à oração vocal, uma vez que é o primeiro grau de oração, a oração dos
iniciantes.
Então qual seria o primeiro passo
para fazer a oração? A oração é um encontro. Por isso, é necessário que em
primeiríssimo lugar haja duas presenças: a de que ora e a de Deus. E Jesus nos
ensina isto quando diz: “Tu,
quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai que está no
escondido” (Mt 6,6). Este “orare
Patrem in abscondito” consiste
em falar a Deus no segredo e na intimidade do nosso coração, no recolhimento
onde nos encontramos com Ele; conforme nos ensina Pe. Paulo. Ele esclarece
também que mesmo feita em comunidade, seja na família ou na igreja, a
verdadeira prece cristã deve ter sempre essa “solidão
com Deus”, ou seja, de encontro íntimo e pessoal com Aquele a quem falamos.
O primeiro tipo de oração como dito
anteriormente é a vocal, é a oração expressa por meio de palavras, a oração que
Cristo nos ensinou, aquela que recitamos. Mas devemos ter consciência que a
oração não é somente um mexer de lábios. Uma oração que é meramente vocal, não
é oração, vem nos dizer Pe.Paulo. Pois antes de começarmos a abrir os nossos
lábios, nós precisamos nos colocar diante de Deus.
Santa Teresa nos aconselha sobre a
oração e diz que fazendo bem feita a oração vocal nos preparamos para a oração mental,
que é uma oração mais elevada. E como devemos fazer? Antes de começarmos a
rezar, precisamos encontrar-nos com nossa miséria para só então, cientes de
nossa indignidade nos encontrarmos com a misericórdia de Deus (pois,
inicialmente a oração é esse encontro).
Essa grande santa também nos ensina
a fazer um exame de consciência (encontrar-se consigo mesmo). Antes de rezar, é
importante considerar como estamos fisicamente, afetivamente e principalmente, espiritualmente.
Santa Teresa ainda nos esclarece que a oração tem que ter consideração, ou
seja, reflexão. Tem que ter advertência da presença divina. Se você tem essa
presença, você já começou a rezar, mesmo sem ter aberto os lábios. O
recolhimento, com prioridade, já pode ser chamado de oração. Pe.Paulo diz que
quando fazemos longas orações, como a Liturgia das Horas ou a Santa Missa, nem
sempre conseguimos ficar atentos à todas as palavras, mas se já tivermos essa
Presença do Cristo, já estamos rezando. Pois o que importa, é este encontro,
são duas presenças: a sua e a Dele. A miséria que se encontra com a
misericórdia.
A oração não é um multiplicar de
palavras. E atinente à essa afirmação, São Jose maria Escrivá diz que a oração
vocal não é pronunciar discursos bonitos, frases grandiloquentes ou que consolem.
Sendo assim, não devemos rezar como os pagãos. “Quando orardes, não useis de
muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força
das muitas palavras” (Mt 6,7).
Isso não quer dizer que não devemos
reparar naquilo que estamos dizendo a Deus. Na verdade, não podemos é nos
limitar a rezar ou ler somente com a boca. É necessário que elevemos o nosso
espírito, a nossa atenção, o nosso coração aos Céus. “Ao fazermos a oração vocal,
precisamos como que saborear a doçura que dizemos a Deus, nosso Amado”.
Já sabemos que para fazermos uma
oração vocal bem feita é essencial nos colocarmos diante da Presença de Cristo.
No entanto, o Senhor depois de sua gloriosa Ascensão não se apresenta a nós da
mesma maneira que se apresentava aos apóstolos. “Ora, ainda que pela Ascensão de
Cristo ao céu tenhamos sido privados de sua presença corporal, temos acesso a
presença de sua divindade como Ele mesmo nos garantiu: “Eis que estou convosco
todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20). “Pois Aquele que sobe aos
céus não abandona os que adotou”.
Um outro aspecto de grande
importância ao realizarmos nossa oração é estarmos presentes. Pe.Paulo diz que
não conseguimos tanta presença por conta da nossa soberba. E por conta da nossa
soberba ficamos dispersos. Diz que não conseguimos nos doar completamente a
Cristo. Nos ensina que o momento da Comunhão é um momento extraordinário para
fazermos nossa oração vocal. É o momento de nos colocarmos na presença de
Cristo e ver também a presença Dele. A comunhão é o momento mais importante
para fazer as orações, sobretudo, a vocal, para quem está iniciando.
Irmãos, temos necessidade de orar,
de ir ao encontro de Cristo, por isso é fundamental sabermos a maneira coerente
de fazê-lo. É essencial saber com Quem falamos e diante de Quem estamos.
Domingo passado, o padre de minha paróquia dizia na homilia: “Jesus, sendo Deus, orava por horas
e horas”. Se Ele sendo Deus,
se colocava em oração, então já imaginamos a necessidade que temos de nos
colocar sempre na presença do Amado. Que nosso coração nunca se canse de buscar
o Esposo de nossas almas e inflamado pelo ardor do Espírito Santos sempre
permaneçamos firmes em oração. Amém! Paz e bem!
“O objetivo da
sua oração não é informar Deus, como se Ele não soubesse o que você quer. A
oraçãoé para você se informar. É para pensar no sentido de seus desejos mais
profundos. É para dar a você um senso de contínua dependência d’Ele. É para
reforçar em sua mente que só Ele e capaz de suprir suas necessidades”
(John
Wesley)

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