A Igreja é una e santa



“Esta é a única Igreja de Cristo que, no Símbolo, confessamos una, santa, católica e apostólica” (Lumen gentium)

Olá meus irmãos, boa noite! A paz! Hoje explanaremos o porquê a nossa Igreja é una e santa e no próximo texto abordaremos o fato dela ser católica e apostólica.
“Esses quatro atributos, inseparavelmente ligados entre si, indicam traços essenciais da Igreja e de sua missão. A Igreja não os tem de si mesma; é Cristo que, pelo Espírito Santo, dá a sua Igreja o ser una, santa, católica e apostólica” (CIC §811).
Somente a fé pode reconhecer que a Igreja recebe estas propriedades de sua fonte divina. No entanto, existem manifestações históricas da Igreja, que constituem sinais que falam também com clareza à razão humana. “A Igreja – lembra o Concílio Vaticano I - , em razão de sua santidade, de sua unidade católica, de sua constância invicta,  é ela mesma um grande e perpétuo motivo de credibilidade e uma prova irrefutável de sua missão divina” (CIC §812).
Segundo o professor Felipe Aquino, a unidade e unicidade da Igreja vêm da própria unidade da Trindade Santa. O único povo de Deus no Antigo Testamento (Israel), se prolonga no único povo de Deus (Igreja). Cristo tem um só Corpo e uma só Esposa, daí vem a exigência monogâmica do matrimônio cristão, que é espelho da união de Cristo com sua única Esposa.
São Clemente de Alexandria expressou bem esse mistério: “Que estupendo mistério! Há um único Pai do universo, um único Logos do universo e também um único Espírito Santo, idêntico em todo lugar; há também uma única virgem que se tornou mãe e me agrada chamá-la Igreja”.
Já sabemos que entre os membros da Igreja existe diversidade de dons, de encargos. Porém, essa grande riqueza de diversidade não se opõe a unidade. Sendo assim, o Apóstolo exorta a conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Ef 4,3).
O Catecismo descreve quais são esses vínculos de unidade. São eles:
- a profissão de uma única fé recebida dos Apóstolos;
- a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos;
- a sucessão apostólica, por meio dos Sacramento da Ordem, que mantém a concórdia fraterna da família de Deus.
A Lumen gentium deixa bem claro “A única Igreja de Cristo... é aquela que nosso Salvador, depois de sua Ressurreição, entregou a Pedro para que fosse seu pastor e confiou a ele e aos demais Apóstolos para propagá-la e regê-la... Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste na (“subsistit in”) Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”.
E para complementar essa afirmação, o Professor Felipe Aquino esclarece: “Os grandes filhos da Igreja sempre se guiaram por esse lema “Cum Petro et sub Petro”. Essa providência do Senhor nunca faltou à Igreja. Já tivemos 266 Papas e a Igreja sempre teve sua Cabeça Visível. É o Vigário de Cristo na terra; ou, como disse Santa Catarina de Sena, “O doce Cristo na terra”. Já tivemos até cerca de 40 anti-papas, papas ilegítimos, fruto das fraquezas humanas, mas não ficamos sem o Papa verdadeiro, em que pese todos os  pecados dos homens”.
Nesta una e única Igreja de Deus, desde os primórdios, ocorreram algumas cisões, que o Apóstolo censura com vigor como condenáveis. “As rupturas que ferem a unidade do Corpo de Cristo (distinguem-se a heresia, a apostasia e o cisma) não acontecem sem os pecados dos homens” (CIC § 817).
A Igreja pode até passar por tribulações, divisões. No entanto, ela prevalecerá. “A unidade, Cristo concedeu, desde o início, à sua Igreja e nós cremos que ela subsiste sem possibilidade de ser perdida na Igreja Católica e esperamos que cresça, dia após dia, até a consumação dos séculos” (Unitatis redintegratio).
            Cristo sempre concede à sua Igreja o dom da unidade, mas a Igreja deve sempre orar e trabalhar para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade em Cristo.
A nossa Amada Igreja também é santa. “Aos olhos da fé, indefectivelmente santa, pois Cristo, Filho de Deus, que com o Pai e o Espírito Santo é proclamado ‘único Santo’, amou a Igreja como sua Esposa. Por ela se entregou com o fim de santificá-la. Uniu-a a si como seu corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo, para a glória de Deus. A Igreja é portanto, “o povo santo de Deus” e seus membros são chamados “santos” (CIC § 823).
A Igreja, unida a Cristo é santificada por Ele; por Ele e nele torna-se também santificante. Todas as obras da Igreja visam a santificação dos homens em Cristo e a glorificação de Deus.
“Já na terra a Igreja está ornada de verdadeira santidade, embora imperfeita”(LG, 48). Somos humanos, imperfeitos e falhos, temos que buscar a santidade perfeita, e somente a alcançaremos em Cristo Jesus, o Santificador.
“A caridade é a alma da santidade à qual todos são chamados. Ela dirige todos os meios de santificação, dá-lhes forma e os conduz ao fim” (LG, 42). Santa Teresinha dizia:
“Compreendi que  a Igreja tinha um corpo, composto de diferentes membros, não lhe faltava o membro mais nobre e mais necessário (o coração). Compreendi que a Igreja tinha um Coração, e que este Coração ARDIA de AMOR. Compreendi que só o amor fazia os membros da Igreja agirem, que, se o Amor viesse a se apagar, os Apóstolos não anunciariam mais o Evangelho, os Mártires se recusariam a derramar seu sangue... Compreendi que o amor encerrava todas as vocações, que o amor era tudo, que ele abraçava todos os tempos e todos os lugares... Em uma palavra, que ele é eterno”.
Cristo viveu em santidade e inocência. Foi livre de toda mácula de pecado. No entanto, deu sua vida como sacrifício para expiar os nossos pecados. A Igreja sempre busca a penitência e a renovação, uma vez que reúne em seu seio, pecadores, que somos nós. Todos devemos nos reconhecer pecadores. “A Igreja reúne, portanto, pecadores alcançados pela salvação em via de santificação” (CIC § 827).
E “ao canonizar fiéis, isto é, proclamar solenemente que esses fiéis praticaram heroicamente as virtudes e viveram na fidelidade da graça de Deus, a Igreja reconhece o poder do Espírito de santidade que está em si e sustenta a esperança dos fiéis, propondo-os como modelos e intercessores” (CIC § 828).
Mesmo com tantos pecados, diante de todos os nossos erros e nossa pequenez, somos constituídos membros do Corpo de Cristo, somos seu povo eleito, sua Igreja e devemos perseverar  para alcançar a graça da santidade. Que mesmo caindo, possamos levantar pela Mão Misericordiosa de Deus, que nos sustenta. E confiantes no amor do Pai e na salvação eterna, caminhemos para nos consumir juntamente com Ele no final dos tempos. E que nosso exemplo seja a Virgem Maria, a Esposa fiel do Espírito Santo, que ofertou sua vida inteiramente a Deus e realizou a Sua santa Vontade, fazendo assim, com que o plano salvífico fosse cumprido.


“Enquanto na beatíssima Virgem a Igreja já atingiu a perfeição, pela qual existe sem mácula e sem ruga, os cristãos ainda se esforçam por crescer em santidade, vencendo o pecado. Por isso elevam seus olhos a Maria, nela a Igreja é já a toda santa” (LG, 65)

(S. A - Minions Católicos)

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