É preciso combater


A oração precisa de uma atmosfera de silêncio que não coincide com o desapego do rumor externo, mas é experiência interior, que tem por finalidade remover as distrações causadas pelas preocupações da alma, criando o silêncio na própria alma” (Santo Antônio de Pádua)
Olá, irmãos! Um ótimo início de noite a todos e que a forçado Senhor mantenha-nos sempre de pé. Havia dito para vocês que nossos textos sobre oração seriam somente no mês de outubro. No entanto, não poderia deixar de falar sobre o combate da oração. Bem sabemos que rezar não é uma tarefa simples e fácil, pois sempre que nos dispomos a ir ao encontro de Nosso Senhor, vem as distrações, muitas vezes o sono e porque não citar a famosa e terrível preguiça, que nos assola algumas vezes quando estamos diante da presença de Deus.
Sendo assim, toda vez que estamos em oração, travamos uma grande luta. Em relação à essa afirmação, o Catecismo vem nos dizer: “A oração é um dom da graça e uma resposta decidida de nossa parte. Supõe sempre um esforço. Os grandes orantes da Antiga Aliança antes de Cristo, como também a Mãe de Deus e os santos com Ele, nos ensinam: a oração é um combate. Contra quem? Contra nós mesmos e contra os embustes do Tentador, que tudo faz para desviar o homem da oração, da união com seu Deus.” (CIC § 2725).
Além disso, “Reza-se como se vive, porque se vive como se reza. Se não quisermos habitualmente agir segundo o Espírito de Cristo, também não poderemos habitualmente rezar em seu Nome. O “combate espiritual” da vida nova do cristão é inseparável do combate da oração” (CIC § 2725).
Há diversas objeções à oração, por isso nesse combate devemos enfrentar em nós mesmos e à nossa volta, concepções errôneas da oração. “Algumas veem nela uma simples operação psicológica; outras, um esforço de concentração para se chegar ao vazio mental. Algumas a codificam em atitudes e palavras rituais. No inconsciente de muitos cristãos, rezar é uma ocupação incompátivel com tudo o que eles devem fazer: não têm tempo. Os que procuram a Deus pela oração desanimam depressa, porque ignoram que a oração também procede do Espírito Santo e não apenas deles” (CIC§ 2726).
Devemos enfrentar também mentalidades “deste mundo” que nos contaminam, se não formos vigilantes. Em relação à essa mentalidade, o Catecismo da nossa Igreja apresenta diversos exemplos, como: a afirmação de que o verdadeiro é apenas o que é verificado pela razão e pela ciência (rezar, pelo contrário é um mistério que ultrapassa nossa consciência e nosso incosciente); os valores de produção e rendimento (a oração sendo improdutiva é inútil); o sensualismo e o bem-estar material, considerados como critérios da verdade, do bem e da beleza (a oração, porém, “amor da Beleza”é enamorada da glória do Deus vivo e verdadeiro) e a oração apresentada como fuga (a oração cristã, no entanto, não é um sair da história nem está divorciada da vida).
É necessário estar em constante combate contra essa mentalidade contrária à oração. Enfim, nosso combate deve enfrentar aquilo que sentimos como nossos fracassos na oração: desânimo diante de nossa aridez, tristeza por não ter dado tudo ao Senhor, decepação por não ser atentidos segundo nossa vontade própria, entre outros. “A conclusão é sempre a mesma: para que rezar? Para superar esses obstáculos é preciso lutar para ter a humildade, a confiança, a perseverança” (CIC § 2728).
Atinente às dificuldades de nossa oração, a distração é muito comum. Pe. Paulo Ricardo em sua aula “Como combater as distrações durante a oração?” nos ensina que, embora não seja desejável, a distração é uma realidade na vida de todo cristão, e que uma oração feita de maneira distraída possui valor diante de Deus. Contudo, ela não propicia que a pessoa avance na vida de santidade e adentre outras moradas. Conforme os ensinamentos de Santa Teresa d’Ávila, a luta de todos deve ser, portanto, para combater a distração e auferir dela a refeição da alma.
Pe. Paulo Ricardo explica que primeiramente é preciso definir o que é essa “atenção” que se quer alançar. E pra fazer a explanação sobre o assunto, recorre a figura de São Tomás de Aquino que elenca três tipos de atenção, sendo elas: a atenção das palavras, a atenção dos sentidos e por fim, temos a atenção da presença. A primeira ocorre quando a pessoa pronuncia as palavras com alguma concentração, mas sem se deter no que elas significam. Quando a pessoa medita no sentido do que está dizendo, ela encontra-se no segundo caso, ou seja na atenção dos sentidos. Apesar de ser um grande passo, ainda assim, existe umaoutra distração a ser vencida: a atenção da presença. É preciso estar atento ao fato de que exite uma presença, existe uma Pessoa com a qual se está falando na oração. Se isso não é percebido, a pessoa ainda encontra-se dispersa.
Além disso, Pe. Paulo Ricardo citando o frade dominicano Frei Antonio Royo Marin, esclarece-nos que a distração pode ser involuntária ou voluntária. A distração involuntária é causada pela própria índole (temperamento do indíviduo), por fadiga mental, por culpa do diretor espiritual (que pode determinar um tipo de oração a qual a pessoa ainda não está preparada) e , por fim, por culpa do demônio (nesse caso, o remédio é o uso de água benta durante os momentos de oração).
Segundo Frei Antonio, as causas voluntárias são: a falta de uma preparação próxima (rezar sem preparar o local, sem determinar o tempo, não ter postura de oração) e a falta de preparação remota (quando a pessoa vive umavida dispersa por culpa pessoal).
O frade ensina o remédio para a luta contra a distração, e Pe. Paulo salienta que é realmente um combate, e esse também tem seu mérito diante de Deus. A luta para a concentração é um meio de santificação. Então se as causas são involuntárias, o frade explica que é possível livrar-se dos influxos do temperamento com o uso de alguns auxílios, como: ler e falar em voz alta, rezar por escrito, fazer atos de devoção (fixar os olhos no sacrário, em uma imagem, etc.), escolher rmatérias de oração mais concretas e menos abstratas, propiciando entendimento e a concentração, humilhar-se diante de Deus, quantas vezes forem necessárias.
Já para as distrações voluntárias os remédios são: a preparação próxima (preparar o local, determinar o tempo e adotar uma postura), e a preparação remota (cultivar o silêncio, fugir da curiosidade vã).
Pe. Paulo diz que o cultivo do silêncio ajuda a “ouvir” melhor a Deus, faz com que a pessoa se encontre consigo mesma, além disso, produz uma higiene (saúde) psíquica. Ele diz que tudo isso resume-se em guardar os sentidos, a imaginação e o coração. Pois, o homem não é uma lata de lixo que pode ver tudo, ouvir tudo, experimentar de tudo e ainda achar que sairá ileso de tudo isso. Assim, quando a pessoa se coloca em oração é impedida por todo esse lixo que está entulhado em seu coração.
Irmãos, o Catecismo nos orienta no sentido de que não devemos perseguir de maneira obssessiva as distrações, pois assim cairíamos em suas armadilhas, pois o suficiente é que voltemos ao nosso coração: “uma distração nos revela aquilo a que estamos amarrados, e essa tomada de cosciência humilde diante do Senhor deve despertar nosso amor preferencial por Ele, oferecendo-lhe resolutamente nosso coração, para que Ele o purifique. Aí se situa o combate: a escolha do Senhor a quem servir”(CIC § 2729).
O combate requer vigilância. “Quando Jesus insiste na vigilância, ela está sempre relacionada com Ele, com sua vinda, com o último dia e com cada dia: hoje. O Esposo vem no meio da noite; a luz que não deve ser extinta é a da fé: Meu coração diz a teu respeito: Procurai a sua face” (Sl 27,8) (CIC § 2730).
Outra dificuldade que encontramos é a aridez. Esta acontece quando o coração está desanimado, sem gosto com relação aos pensamentos, às lembranças e aos sentimentos, mesmo espirituais. É o momento da fé pura que se mantém fielmente a Jesus.
Em nossa vida de oração também encontramos tentações, como a falta de fé. Nossa falta de fé revela que não estamos ainda na disposição do coração humilde: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5). Uma outra tentaçã é a acídia, mais conhecida como preguiça.Os padres espirituais entendem esta palavra como forma de depressão devido ao relaxamento da ascese, à diminuição da vigilância, à negligência do coração.
Diante dessa batalha, precisamos ter a confiança de filhos de Deus, pois essa confiança é experimentada e provada na tribulação. É necessário também perseverar no amor. “Orai sem cessar (1 Ts 5, 17), “sempre e por tudo dando graças ao Pai, em nome do Senhor, Jesus Cristo (Ef 5,20) “com orações e súplicas de toda sorte,orai em todo tempo, no Espírito e , para isso, vigiai com toda perseverança súplica por todos os santos”.
Orar é sempre possível: o tempo do cristão é o de Cristo ressuscitado que “está conosco todos os dias” (Mt 28,20), apesar de todas as tempestades. Nosso tempo está nas mãos de Deus” (CIC § 2743). São João Crisóstomo declarou: “é possível até no mercado ou num passeio solitário fazer uma oração frequente e fervorosa. Sentados em vossa loja, comprando ou vendendo, ou mesmo cozinhando”.
Em relação à afirmação que não se tem tempo para rezar, nessa semana o Padre dizia: repita o nome Jesus diversas vezes ao dia. E indagava:Existe oração mais forte que essa? Irmãos ! Não deixemos de ter zelo pelas coisas de Deus, sejamos perseverantes e constantes na oração. Orar é uma necessidade vital, como bem coloca o Catecismo. Se não nos deixarmos levar pelo Espírito, cairemos de novo na escravidão do pecado. A oração e vida cristãs são inseparáveis. Hoje Jesus nos diz: orai sempre , sem nunca desistir. É pela oração que teremos discernimento sobra a vontade de Deus em nossas vidas. Que Nosso Senhor conceda-nos o dom da oração. Paz e bem!


Não te aflijas se não recebes imediatamente de Deus o que lhe pedes: pois Ele quer fazer-te um bem ainda maior por tua perseverança em permanecer com Ele na oração. Ele quer que nosso desejo seja provado na oração. Assim, Ele nos prepara para receber aquilo que Ele está pronto a nos dar” (Santo Agostinho).

(S. A - Minions Católicos)

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