Finados



“Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós.” (Amado Nervo)

Irmãos e irmãs em Cristo, boa tarde!
O dia 2 de novembro é o Dia de Finados, quando recordamos com saudades a memória de nossos mortos. Visitamos respeitosamente nos cemitérios os túmulos de nossos parentes e amigos já falecidos.
 Desde o século l, os cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, aqueles aos quais ninguém rezava e lembrava. O abade do Mosteiro de Cluny, Santo Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. E os papas Silvestre II (996) e João XVII (1012) convidaram a comunidade cristã a dedicar um dia a cada ano aos mortos. No século XI, o calendário litúrgico cristão incorporou o Dia de Finados, que deveria cair no dia 2 de novembro para não se sobrepor ao Dia de Todos os Santos, comemorado no dia 1º.
A morte não é o simples fato biológico da cessação do nosso existir. É o ponto culminante do viver e vem coroar as boas opções que fizemos durante a vida. Neste dia os fiéis católicos têm o piedoso costume de rezar pelas almas que ainda podem estar num estado de purificação antes de gozar da Visão de Deus.
A Celebração dos Fiéis Defuntos recorda que nem todos os que se salvam vão diretamente para a Vida eterna em Cristo. O Purgatório é parte do Depósito de Fé e da Doutrina da Igreja de dois mil anos. Os primeiros cristãos nas catacumbas já rezavam pelos mortos. Ora, sabendo que depois da morte não existe uma “segunda chance” de salvar-se, essa prática só pode indicar a existência de uma purificação após a morte, para aqueles que já se salvaram, mas, em vida, não amaram a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.
Infelizmente, esse é o estado em que se encontram muitos de nós, por conta de nossos pecados e de nossa falta de generosidade com Deus. Se não nos purificarmos nesta vida, seremos purificados na futura. Cremos que só se entra no Céu totalmente santo. Por isso, é importante que, em um ato de caridade peçamos e intercedamos pelas almas dos fiéis defuntos, com orações, jejuns, penitências, atos concretos de caridade, a fim de que se purifiquem o mais breve e entrem na posse eterna da perfeita Alegria em Deus.
É importante lembrar que depois da morte não há mais tempo nem espaço, e falar sobre a “duração” deste estado de purificação não faz sentido. Não há nenhuma doutrina da Igreja com relação ao tipo de purificação dispensada depois da morte. Portanto, precisamos tomar muito cuidado com os exageros nas fantasias populares. O estado de purificação possível nada tem a ver com as imagens medievais de um lugar de castigo e de penas. Também falando sobre “tempo” no estado de purificação não faz sentido. Obviamente nem todos os falecidos devem passar por este estado de purificação antes de serem admitidos à Visão Beatífica. A recepção do sacramento da Unção dos Enfermos deve ter salvado inúmeras pessoas desta purificação. O Catecismo da Igreja Católica ensina: “Aqueles que morrem na graça e amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenha garantida a sua salvação eterna, passam, após a morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do céu” (No. 1.030).
Para o católico, então, o Dia de Finados não é um dia de tristeza ou lamúrias, mas é um dia de saudosa recordação, confortada pela fé que nos garante que nosso relacionamento com os finados não está interrompido pela morte, mas é sempre vivo e atuante pela oração do sufrágio. O Catecismo da Igreja Católica afirma: “A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo e da graça e de misericórdia que Deus lhe oferece para realizar a sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir o seu destino último” (CIC, 1013).
Que nesse dia, possamos recordar dos nossos finados com o conforto proporcionado pela fé, e que possamos refletir sobre o sentido e a brevidade da vida presente, e que nos preparemos para o inevitável momento da morte.
Santo dia a todos, Deus nos abençoe.

A morte não é nada. É somente uma passagem de uma dimensão para outra. Eu somente passei para o outro lado do caminho. Eu estou, agora em outra vida, não podem atormentar essa minha passagem com tristeza e lágrimas. Eu tenho que ter muita paz para purificar minha alma e andar tranquilo pelos jardins da dimensão que me encontro. Vocês são vocês. Estão vivos, a vida não pode parar porque um membro da família partiu. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo. Se dei bons exemplos, siga-os, se fui bom imitem-me, se deixei vocês com saudades, quando se lembrarem de mim façam uma oração, peçam meu descanso, meu repouso e que meu encontro com Deus, seja minha glória. Deem-me o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram. As lágrimas de vocês me fazem um enorme mal, cada um de nós tem seu dia marcado, o meu veio agora. Pensem simplesmente que nos encontraremos mais cedo ou mais tarde. Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador. Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir juntos. Rezem, sorriam, pensem em mim. Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem diferença por eu não estar presente, não sai da vida de vocês porque quis, mas sim porque Deus determinou, aceitem para que eu não lamente estar sendo motivo de sofrimento, pois jamais os magoaria por minha vontade. Não tenham revoltas, não lamentem, apenas tentem compreender. Se não se lembrarem de mim com alegria, vou ficar no meio do caminho, sem poder ir para onde tenho que ir, sabendo que nada posso fazer para voltar para vocês. Não quero tristeza, não quero lágrimas, quero orações. A vida significa tudo o que ela sempre significou o fio não foi cortado. Por que eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas? Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho...
Vocês que ficaram, sigam em frente, a vida continua linda e bela como sempre foi.

(Reflexão de Santo Agostinho sobre a morte)

(G. C. G - Minions Católicos)

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