Mulieris Dignitatem - Maternidade/Virgindade


“Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que se deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo” (Jo 16, 21)

Boa noite, meus queridos! Que a graça do Espírito Santo possa nos conduzir na leitura de hoje para compreendermos mais um aspecto da vocação e dignidade da mulher. Hoje, seguimos com a quinta parte sobre a carta apostólica Mulieris Dignitatem. O nosso tema será a virgindade e a maternidade, duas dimensões particulares na realização da personalidade feminina.
A luz do Evangelho, a virgindade e a maternidade adquirem a plenitude do seu sentido e valor em Maria, que como a Virgem se tornou Mãe do filho de Deus. É ela quem ajuda a todos, especialmente todas as mulheres, a perceberem de que modo estas duas dimensões e caminhos da vocação da mulher se desdobram e se completam reciprocamente.
A maternidade é fruto da união matrimonial entre um homem e uma mulher, a “união dos dois numa só carne” (cf. Gên 2, 24), e por isso, ela realiza por parte da mulher, um especial “dom de si mesma” como expressão do amor conjugal, pelo qual os esposos se unem entre si de modo tão íntimo que constituem “uma só carne”. Nisso consiste o dom recíproco no matrimonio. Esse dom recíproco abre-se para o dom de uma vida nova, de um novo homem que é também pessoa à semelhança de seus pais. É através da mulher que a maternidade implica o inicio de uma nova pessoa. “Ao conceber e dar à luz, a mulher se encontra por um dom sincero de si mesma” (MD). “Possuí um homem com a ajuda do Senhor” (Gên 4, 1) é uma expressão de Eva, e é sempre repetida quando vem ao mundo um homem novo e é a expressão de alegria e consciência da mulher na participação do grande mistério de gerar.
A ciência confirma que o corpo e organismo da mulher trazem neles a disposição natural para a maternidade, para a concepção, para a gestação e para o parto da criança, em consequência da união matrimonial com o homem. Assim também acontece com a estrutura psicofísica da mulher. Porém, não podemos nos limitar somente na interpretação biofisiológica da mulher e da maternidade. “A maternidade está ligada com a estrutura pessoal do ser mulher e com a dimensão pessoal do dom” (MD). E é nas palavras de Maria na Anunciação, “faça-se em mim segundo a tua palavra”, que encontramos o significado da disponibilidade da mulher ao dom de si e ao acolhimento da vida.
Apesar de homem e mulher juntos serem pais do seu filho, a maternidade da mulher constitui uma parte especial entre eles, a parte mais empenhativa. O ser genitores se realiza muito mais na mulher, especialmente no momento da gestação. É sobre a mulher que recai o “peso” de gerar, o que absorve as energias do seu corpo e da sua alma. O homem, mesmo sendo participativo como pai, está fora do processo de gestação e nascimento da criança, e deve aprender da mulher a sua própria paternidade. Ao educar um filho, a contribuição tem que ser tanto do pai quanto da mãe, mas a parte materna é decisiva para as bases de uma nova personalidade humana.
“Enquanto ele assim falava, uma mulher levantou a voz do meio do povo e lhe disse: ‘Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos que te amamentaram’, mas Jesus replicou: ‘Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam! ’” (Lc 11, 27-28) – Nesse trecho, Jesus vem nos mostrar o real significado da maternidade. A luz do Evangelho, a maternidade se exprime na profunda escuta da palavra de Deus vivo e a disponibilidade para guardar a Palavra.
“... e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus” (Mt 19, 12) – Na passagem sobre o matrimônio, Jesus fala aos discípulos sobre o celibato livre, escolhido por causa do Reino. No celibato também consiste a graça especial da parte de Deus, pois Ele escolhe determinadas pessoas para viver a vocação celibatária, aonde essa pessoa se dedica de corpo e alma e de modo exclusivo ao reino escatológico. Mais uma vez, Maria vem ser nosso exemplo. Nela encontramos o proposito firme de viver a virgindade. Baseado no Evangelho, entendeu-se que a virgindade como vocação também pode ser vivida pela mulher, tal como a Virgem de Nazaré que é nosso espelho.
“Não se pode compreender corretamente a virgindade, a consagração da mulher na virgindade, sem recorrer ao amor esponsal” (MD) – Na virgindade livremente escolhida, a mulher se confirma como criatura que o Criador quis por si mesma desde o início e contemporaneamente realiza valor pessoal da própria feminilidade, tornando-se um dom sincero para Deus. E aqui consiste o radicalismo do Evangelho: “deixar tudo e seguir Cristo” (cf. Mt 19, 27). Não é simplesmente ser solteiro ou celibatário, mas um sim profundo, de modo a doar-se por amor total e indivisamente.
A virgindade que citamos acima significa a renúncia ao matrimonio e também a maternidade física. Porém, a mulher ainda pode experimentar a maternidade “segundo o espírito”. As mulheres consagradas que vivem, por exemplo, conforme o carisma e regra de diversos Institutos apostólicos, poderá expressar a maternidade espiritual como solicitude pelos homens: os doentes, os portadores de deficiência física, os abandonados, os órfãos, os idosos, as crianças, a juventude, os encarcerados, e em geralm os marginalizados. É dessa maneira que a mulher consagrada reencontra o Esposo: “Em verdade vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 26, 40).
Que Deus conceda a cada uma de nós mulheres viver perfeitamente a nossa maternidade, independente do nosso estado de vida. Que possamos viver em nossas vocações o amor esponsal a Deus. Aos homens que estão acompanhando os textos, que vocês auxiliem as mulheres que estão ao redor de vocês a viverem em plenitude a sua vocação e dignidade enquanto mulher.
Maria, mãe do perpétuo socorro, rogai por nós que recorremos a vós!

(M. N. S - Minions Católicos)

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