Um Só Corpo


Assim nós, embora muitos, somos em Cristo um só corpo e , cada um de nós, membros uns dos outros” (Rm 12,5)
Boa noite, galera! Tudo bem com vocês? Espero que sim. Continuaremos falando sobre a nossa Amada Igreja. E o texto de hoje retratará a figura da Igreja como o Corpo de Cristo.
Deus desejou santificar e salvar os homens não de uma maneira singularizada, sem nenhuma conexão com os outros, mas sim, de uma forma, que todos eles constituíssem um só povo. Um povo que O conhecesse na verdade e santamente O servisse. Sendo assim, escolheu Israel como seu povo e estabeleceu com ele uma aliança, a qual se aperfeiçoou e estabeleceu por meio do sangue de Jesus Cristo. E essa Nova Aliança faria com que o povo crescesse na unidade, não segundo a carne, mas no Espírito.
O povo de Deus tem algumas características em particular, as quais podemos citar:
- Deus não pertence como propriedade a nenhum povo. Mas adquiriu para si um povo dentre os que outrora não eram um povo, tornando-o assim, seu povo: “Uma raça eleita, um sacerdócio régio, uma nação santa” (1p Pd 2,9);
- A pessoa torna-se membro deste povo não pelo nascimento físico, mas sim pelo “nascimento do alto”, “da água e do Espírito” (Jo 3,3-5);
- Este povo tem por chefe (Cabeça) Jesus Cristo;
- A condição desse povo é a dignidade da liberdade dos filhos de Deus;
- Sua lei é o mandamento novo de amar como Cristo mesmo nos amou;
- Sua missão é ser o sal da terra e a luz do mundo;
- Finalmente, sua meta é o Reino de Deus, iniciado na terra por Deus mesmo, Reino que deve ser estendido cada vez mais até o momento de sua consumação por Deus Pai.
Ao entrar no Povo de Deus pela fé e pelo Batismo, recebe-se participação na vocação única deste povo, em sua vocação sacerdotal: Cristo Senhor, Pontífice tomado dentre os homens, fez do novo povo um reino e sacerdotes para Deus Pai. Pois os batizados, pela regeneração e unção do Espírito Santo, são consagrados para ser uma morada espiritual e sacerdócio santo”(CIC §784).
O povo santo de Deus participa também da função profética de Cristo, tornando-se suas testemunhas no meio deste mundo. E uma outra função a ser exercida por esse povo, é a função régia de Cristo, pela qual nos tornamos servidores. “Cristo exerce sua realeza atraindo para si todos os homens por sua morte e ressurreição. Cristo, Rei e Senhor do universo, se fez servidor de todos, não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos” (Mt 20,28). Para o cristão, “reinar é servir”, particularmente “nos pobres e nos sofredores, nos quais a Igreja reconhece a imagem de seu Fundador pobre e sofredor”. O povo de Deus realiza sua “dignidade régia” vivendo em conformidade com esta vocação de servir com Cristo” (CIC § 786).
Esse povo santo pertence ao Corpo de Cristo, são os seus membros. Desde o início, Jesus associou seus discípulos à sua vida, revelou para eles o Mistério do Reino, concedeu-lhes participar de sua missão, de suas alegrias e de seus sofrimentos também. No entanto, Jesus fala de uma comunhão mais íntima entre Ele e o seus seguidores: “Permanecei em mim, como eu em vós... Eu sou a videira, e vós os ramos” (Jo 15,4-5). E anuncia uma comunhão misteriosa e real entre o seu próprio corpo e o nosso: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56). Monsenhor Jonas Abib diz: “Jesus quis concretizar Sua presença na hóstia, pão e vinho, para que compreendêssemos: a Eucaristia que recebemos é o Seu Corpo”.
Quando sua presença visível foi tirada dos discípulos, Jesus não os deixou órfãos, Ele prometeu ficar junto deles até o fim dos tempos. Então, enviou –lhes seu Espírito. “A comunhão com Jesus tornou-se, de certa maneira, mais intensa. Ao comunicar seu Espírito, fez de seus irmãos, chamados de todos os povos, misticamente os componentes de seu próprio corpo” (CIC §788).
O Catecismo esclarece-nos que a comparação da Igreja com o corpo projeta uma luz sobre os laços íntimos entre Igreja e Cristo. Ela não é somente congregada em torno d’Ele; é unificada Nele, em seu Corpo. Além disso, há três aspectos da Igreja-Corpo de Cristo que é importante ressaltar: a unidade de todos os membros entre si por sua união com Cristo; Cristo Cabeça do Corpo; a Igreja, Esposa de Cristo.
Em relação ao primeiro aspecto, pode-se afirmar que os crentes que respondem à Palavra de Deus e se tornam membros do Corpo de Cristo ficam estreitamente unidos a Cristo: “Neste corpo, a vida de Cristo se difunde por meio dos crentes que os sacramentos, de forma misteriosa e real, une a Cristo sofredor e glorificado”. Isto é particularmente verdade com relação ao Batismo, pelo qual somos unidos à morte e à Ressurreição de Cristo, e com relação à Eucaristia, pela qual, participando realmente do Corpo de Cristo, somos elevados à comunhão com ele entre nós.” (CIC §791).
A unidade do Corpo não acaba com a diversidade dos membros, pois bem sabemos que na edificação do Corpo de Cristo há diversidade de membros e de funções. “A unidade do Corpo Místico produz e estimula entre os fiéis a caridade: “Por isso, se um membro sofre, todos os membros padecem com ele; ou, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. Finalmente, a unidade do Corpo Místico vence todas as divisões humanas: “Todos vós, com efeito, que fostes batizados em Cristo, vos vestistes de Cristo. Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,27-28) (CIC §791).
Cristo “é a Cabeça do Corpo que é a Igreja”. Ele é o princípio da criação e da redenção. Ele nos une à sua Páscoa. Sendo assim, todos nós devemos nos esforçar para nos assemelharmos a Ele. “Por isso somos inseridos nos mistérios de sua vida, associamos-nos a suas dores como o corpo à Cabeça, para que padecendo com Ele, sejamos com Ele também glorificados”. Além disso, Cristo ordena em seu corpo, a Igreja, os dons e os serviços pelos quais nós nos ajudamos mutuamente no caminho da salvação.
Cristo e a Igreja, eis portanto, o “Cristo total” (“Christus totus”). A Igreja é una com Cristo. Os santos têm uma consciência bem viva desta unidade” (CIC §795). Santo Agostinho afirmava:
Alegremo-nos, portanto, e demos graças por nos termos tornado não somente cristãos, mas o próprio Cristo. Compreendeis, irmãos, a graça que Deus nos concedeu ao dar-nos Cristo como Cabeça?Admirai e rejubilai, nós nos tornamos Cristo. Com efeito, uma vez que Ele é a cabeça e nós somos os membros, o homem inteiro é constituído por Ele e por nós. A plenitude de Cristo é, portanto, a Cabeça e os membros. O que significa isto: a Cabeça e os membros? Cristo e a Igreja”.
E por fim, falaremos sobre o último aspecto da Igreja-Corpo de Cristo. A Igreja é a Esposa de Cristo. “O Senhor mesmo designou-se como “o Esposo” (Mc 2,19). O apóstolo apresenta a Igreja e cada fiel, membro de seu Corpo, como uma Esposa “desposada” com Cristo Senhor, para ser com Ele um só Espírito. Ela é a Esposa imaculada do Cordeiro imaculado, a qual Cristo “amou, pela qual se entregou, a fim de santificá-la (Ef 5,26), que associou a si por uma Aliança eterna e da qual não cessa de cuidar como de seu próprio Corpo” (CIC §796).
Em Cristo nos tornamos um. Somos a sua Igreja. Somos templo do Espírito Santo, porque a Igreja é esse Templo. “O Espírito é como a alma do Corpo Místico, princípio de sua vida, da unidade na diversidade e da riqueza de seus dons e carismas. Desta maneira a Igreja universal aparece como um povo que traz sua unidade da unidade do Pai” (CIC §810).
A cada dia devemos recordar essa unidade, essa pertença ao Corpo de Cristo, sempre buscando nos santificar e deixar ser guiados pela Cabeça do Corpo, Cristo, Nosso Senhor. Irmãos! Não há distinção, há unidade. E por isso, devemos colaborar , uns com os outros a fim de caminharmos unidos rumo a salvação, como povo e Igreja de Deus, a qual fomos constituídos. Paz e bem, irmãos!
(S. A - Minions Católicos)


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