Primeiro vamos
compreender como é formado o livro de Isaías, este que é o mais extenso livro
da Bíblia com seus 66 capítulos, divididos em três partes, cada uma narra um
período específico.
A primeira parte do
livro de Isaías (Is 1-39) narra o período anterior ao exílio na Babilônia, onde
ele viu uma corte que explorava, era injusta e provocava guerras, tendo como
consequência o sofrimento do povo. Isaías que era fraterno com os pobres, buscando
a justiça em atenção aos injustiçados, tinha sua fé pautada na crença de um rei
justo e bom para criar uma sociedade humana e fraterna, viveu o tempo da espera
pelo “Príncipe da Paz” como
observamos em Isaías 9,1-6.
Na segunda parte de
Isaías (Is 40-55) é descrito o período durante o exílio, a crença na volta para
Jerusalém, o consolo ao sofrimento daquele povo faz reavivar, reanimar a crença
e esperança em Javé como único Deus e criador, com o anúncio da libertação, de
um novo tempo, uma nova Jerusalém.
E na última parte do
livro de Isaías, ou seja, a terceira parte (Is 56-66) retrata o período
posterior ao exílio na Babilônia, período de miséria, onde a solidariedade em
meio a descrença faz ressurgir a esperança em um Deus que caminha junto e que
se compadece. O sentimento de solidariedade, partilha e justiça os fazem crer
que é possível construir “um novo céu e
uma nova terra”.
Como podemos observar o
profeta Isaías descreveu momentos difíceis do exílio e eram nestes momentos que
se conseguia instigar a esperança naquele povo, levando consolação e propagando
a fé, a expectativa pela vinda do Senhor. Nestes escritos vemos claramente um
sentimento de esperança muito vivo, por isso, muito conhecido por profeta da
esperança.
O profeta Isaías está
presente nas primeiras leituras dos quatro domingos do Advento do Ano A, sendo,
1º domingo: 2,1-5; 2º domingo: 11,1-10; 3º domingo: 35,1- 6a.10 e no 4º domingo: 7,10-14. Já no
Ano B está presente nos dois primeiros domingos, sendo, 1º domingo: 63, 16-17 e
no 2º domingo: 1-5.9-11. Ele está tão presente nas reflexões no tempo do Advento
por conduzir o povo a colocar-se em atitude de espera e prepará-los para a vinda
do filho de Davi. “E continuou o Senhor a
falar com Acaz, dizendo:Pede para ti ao Senhor teu Deus um sinal; pede-o, ou em
baixo nas profundezas, ou em cima nas alturas. Acaz, porém, disse: Não pedirei,
nem tentarei ao Senhor. Então ele disse: Ouvi agora, ó casa de Davi: Pouco vos
é afadigardes os homens, senão que também afadigareis ao meu Deus?Portanto o
mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um
filho, e chamará o seu nome Emanuel” (Is 7,10-14). Isaías descreve como
viria a ser o nascimento de Emanuel, o Deus conosco. E posteriormente, o
evangelista Mateus vê tal profecia realizada no nascimento de Jesus e cita
Isaías, provando o cumprimento da profecia: “Ora,
o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Que estando Maria, sua mãe, desposada
com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo. Então
José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la
secretamente. E projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do
Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher,
porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; e dará à luz um filho e
chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo
isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo
profeta, que diz; eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e
chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco. E José, despertando
do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher; e não
a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus”
(Mt 1,18-25).
Por isso tudo é preciso
que nos espelhemos na atitude e na fé do profeta Isaías, que em meio a
dificuldade possamos crer num Cristo capaz de dar a própria vida pela nossa
salvação, que entendamos a importância de estar sempre na expectativa, de
prontidão e preparados. Que a exemplo do profeta Isaías, o profeta da
esperança, saibamos consolar, que movidos pela fé, a
crença em Deus, sejamos sempre esperançosos levemos aqueles mais afastados e
necessitados a necessidade do sentimento de esperança.
(J. F. P - Minions Católicos)

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