“A castidade leva quem a pratica a tornar-se, junto do próximo,
testemunha da fidelidade e da ternura de Deus” (CIC §2346)
Na semana passada, falei
para vocês um pouco sobre a importância da pureza nas relações interpessoais. Hoje,
o nosso tema será a castidade, que eu vejo como uma consequência da busca da
pureza. Se você carrega a pureza em seu coração, consequentemente, você vai
compreender que pode amar o próximo sem precisar usá-lo.
Para iniciarmos, vamos
entender o que vem a ser a castidade. Antes de tudo, a castidade é uma virtude
moral, mas também é um dom de Deus. “O
Espírito Santo concede a graça de imitar a pureza de Cristo àquele que
regenerou pela água do Batismo” (CIC §2345).
De acordo com o
Dicionário Teológico da Vida Consagrada, “a
castidade é a virtude que regula a sexualidade, segundo os valores do Evangelho”.
No Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 2337, diz que “a castidade é a integração correta da sexualidade na pessoa, e com
isso a unidade do homem em seu ser corporal e espiritual”. E, por fim, São
João Paulo II vai nos dizer que “a
castidade é a energia espiritual que sabe defender o amor dos perigos do
egoísmo e da agressividade, sabe promove-lo para a sua mais plena realização”.
Diferente do que muitos
pensam, a castidade pode ser vivida por qualquer estado de vida. Seja você
solteiro, celibatário, chamado ao sacerdócio ou ao matrimônio. Muitas vezes
entendida como repressiva, a castidade é “a
guarda de um dom recebido, precioso e rico, o dom do amor, em vista do dom de
si que se realiza na vocação específica de cada um” (Conselho Pontifício
para a Família, Sexualidade Humana: Verdade e significado, nº 4).
Por sermos criados à
imagem e semelhança de Deus, Ele que é amor, somos chamados a vivenciar um amor
superior. Esse amor superior não é o amor da concupiscência, que vai em busca
de satisfazer seu próprio apetite, mas o amor da amizade, que se sacrifica e
que é capaz de reconhecer e amar as pessoas por quem elas são. Porém,
carregamos em nós a marca do pecado original e essa capacidade de amar é
deformada pelo nosso egoísmo e pela busca de satisfação própria, levando a
gente amar de uma forma desordenada e até irracional, nos impedindo de viver o
amor puro e livre. É na castidade que encontramos esse ordenamento da nossa
afetividade e sexualidade para Deus.
Quando pensamos em viver
a castidade, devemos ter em mente que a nossa confiança deve ser totalmente
depositada em Deus e devemos ter total desconfiança de nós mesmos (e aqui entra
um pouco da prudência, que será tema do texto de sábado à tarde). Essa
desconfiança de nós mesmos é importante para que possamos conhecer a verdade
sobre a sexualidade, mas muitas vezes pode acontecer de surgir algumas
armadilhas que são colocadas por nossa afetividade e sexualidade feridas. Mas o
que vem a ser essa verdade sobre a sexualidade? É a verdade do ponto de vista
de Deus, ou verdade humana, que é aquilo que está de acordo com o plano divino
d’Ele; e é a verdade humana, que é aonde o homem vai buscar conhecer a verdade
e viver conforme o plano divino (obediência).
É a castidade que vai
ordenar e direcionar a nossa sexualidade para Deus, porque ela leva o homem a
encontrar a sua unidade interior. E isso quer dizer que, para ter esse
ordenamento, temos que adquirir autodomínio sobre nossos impulsos e desejos. Só
quem tem autodomínio é capaz de se doar de forma gratuita. Ao trabalhar a
sexualidade, na castidade, compreendemos melhor o sentido do corpo, temos uma
visão diferente sobre os nossos relacionamentos interpessoais, a nossa visão de
nós mesmo e do outro é modificada, conseguimos ter um domínio e orientação do
prazer, descobrimos valores como o amor, amizade e doação.
Você deve estar aí se
perguntando “eu vou viver como um anjo? ”. Não, meu jovem! Ter desejos sexuais
é normal e devemos nos aceitar como sexuados e entender que é normal essas
pulsões. Isso tudo é instinto humano e isso não é mau e vai contra até mesmo o
que a Igreja diz sobre se pensarmos que é algo ruim. Porém, é algo que deve ser
vivido de forma ordenada.
No blog de formações da
Canção Nova, encontrei um artigo muito interessante que nos dá motivos para
viver a castidade. São eles:
·
Autoconhecimento: com a vivencia da
castidade, adquirimos o autodomínio porque passamos a conhecer os nossos
limites. Ao nos conhecermos, temos uma probabilidade menor de sermos vítimas
das nossas emoções mal trabalhadas;
·
Respeito como ponto central das relações:
como eu disse lá no começo, na castidade também vivenciamos a pureza e é essa
pureza que nos faz enxergar o outro com mais nitidez e o respeitamos. Com isso,
a amizade vem a ser mais profunda, honesta e descomplicada;
·
Valorizar o corpo de maneira adequada:
reconhecemos que o nosso corpo e o do outro é sagrado e devem ser tratados com
dignidade;
·
Pensamentos mais livres para o
aprendizado;
·
Conhecer-se mais: a vivência da castidade
faz com que nos conheçamos mais e dessa forma também nos apresentamos inteiros
para Deus, reconhecendo nossas fraquezas e limitações para pedir o auxílio de
Deus;
·
Pessoas que optaram pela castidade tendem
a ser mais leves: por não existir a malícia, os contatos sociais são mais
leves, acabam se alegrando com coisas simples do cotidiano, sorriem de coisas
que não precisam envolver a maldade, e se tem a conquista da alegria natural e espontânea;
·
Sabem que podem enfrentar e vencer outros
desafios da vida: depois de ter decidido viver a castidade, de estar indo
contra o que a sociedade prega, nos deixa mais conscientes e fortificados.
Lá no título, juntei a
castidade e o amor gratuito. Sim! Quando experimentamos viver a castidade, optamos
por amar como Jesus amou, sem interesse, sem esperar retribuição ou qualquer
tipo de satisfação pessoal.
Viver a castidade começa
no pouco. Posso ser casto nas minhas atitudes, quando busco somente fazer o
bem, sem interesse algum e por amor a Deus. Posso ser casto nos meus
pensamentos quando não alimento que podem me trazer um prazer egoísta. Posso
ser casto nas palavras quando busco edificar o outro, sem a intenção de possui
o outro o ter algum benefício.
Lembremos sempre que a
prudência e a castidade caminham juntas! Se nós formos prudentes nas nossas
ações, muito mais fácil será buscar viver a castidade.
Deus nos abençoe!
“Nós – que por graça de Deus, somos católicos-
não devemos gastar os anos mais belos da nossa vida
como desgraçadamente fazem tantos jovens infelizes
que se preocupam com gozar os bens terrenos e não produzem
nada de bom, mas que apenas fazem frutificar a imoralidade
da nossa sociedade moderna. Devemos treinar-nos, a fim de
estarmos prontos para travar as lutas que, seguramente,
teremos de combater pela realização do nosso programa
e para, assim darmos à nossa pátria, num futuro não
muito longínquo, dias mais alegres e uma sociedade moralmente
sã. Mas para tudo isto, é preciso: oração contínua para obter
de Deus a graça sem a qual as nossas forças são vãs;
organização e disciplina para estarmos prontos para a ação
no momento oportuno e, finalmente, o sacríficio das nossas
paixões e de nós mesmos, porque sem isso não se pode
atingir o objetivo!”
(Beato Pier Giorgio
Frassati)
(M.
N. S – Minions Católicos)

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