A humanidade de Jesus


“Fez-se criança, para que a Palavra possa ser compreendida por nós. Desde então a Palavra já não é apenas audível, não possui somente uma voz; agora a Palavra tem um rosto, que por isso mesmo podemos ver: Jesus de Nazaré” (Emérito Bento XVI).

Olá, meus irmãos! Uma abençoada noite a todos vocês. Semana passada dissertamos algumas razões, pelas quais Jesus tornou-se homem e veio até nós. No texto de hoje, teceremos mais alguns aspectos sobre a humanidade de Cristo.
“Uma vez que na união misteriosa da Encarnação, ‘a natureza humana foi assumida, não aniquilada’, a Igreja tem sido levada, ao longo dos séculos, a confessar a plena realidade da alma humana, com suas operações de inteligência e vontade, e a do corpo humano de Cristo. Mas paralelamente, teve de lembrar toda vez que a natureza humana de Cristo pertence ‘in proprio’ à pessoa divina do Filho de Deus que a assumiu. Tudo o que Cristo é e o que faz nela depende do ‘Um da Trindade’. Por conseguinte, o Filho de Deus comunica à sua humanidade seu próprio modo de existir pessoal na Trindade. Assim, em sua alma como em seu corpo, Cristo exprime humanamente os modos divinos de agir da Trindade.” (CIC §470).
O Catecismo da nossa Santa Igreja também afirma sobre a humanidade de Jesus: “[O Filho de Deus] trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado”.
Em sua condição humana, Jesus também possuiu uma alma. Apolinário de Laodiceia afirmava que em Cristo o Verbo havia substituído a alma ou o espírito. No entanto afirmar isso é um erro. E contra essa erro, a Igreja confessou que Cristo também assumiu uma alma racional humana.
A alma humana que Jesus Cristo assumiu é dotada de um verdadeiro conhecimento humano. Este conhecimento em si não podia ser ilimitado, pois exercia-se nas condições históricas de sua existência no espaço e no tempo. “Por isso o Filho de Deus, ao tornar-se homem, pôde aceitar ‘crescer em sabedoria, em estatura e em graça’”(LC 2,52) (CIC § 472).
“Por sua união à Sabedoria divina na pessoa do Verbo encarnado. O conhecimento humano de Cristo gozava em plenitude da ciência dos desígnios eternos que viera revelar” (CIC §474).
Desde criança. Jesus já se interessava pelos assuntos de Seu Pai, quando se perdeu ao doze anos em Jerusalém, foi encontrado no templo entre os mestres. “Depois de três dias. O encontraram no templo, sentado entre os mestres, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas. Todos aqueles que ouviam o menino ficavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas” (Lc 2,46-47).
Apesar de ter um conhecimento limitado, o conhecimento de Jesus se destacava em relação aos outros homens. Um outro aspecto em relação à humanidade de Jesus é o fato de ter possuído vontades. “Paralelamente, a Igreja confessou no VI Concílio Ecumênico que Cristo possui duas vontades e duas operações naturais, divinas e humanas, não opostas, mas cooperantes, de sorte que o Verbo feito carne quis humanamente na obediência a seu Pai tudo o que decidiu divinamente com o Pai e o Espírito Santo por nossa salvação” (CIC §475).
“A vontade humana de Cristo segue a sua vontade divina, sem estar em resistência nem em oposição em relação a ela, mas antes sendo subordinada a esta vontade todo-poderosa” (CIC §475).
Jesus sempre esteve sob total obediência a Deus e sua vontade plenamente de acordo com a vontade de Seu Pai. Essa afirmação fica clara quando o Evangelista Mateus narra  na Sagrada Escritura a oração de Cristo no Getsêmani. Nesta ocasião, Jesus expressa: “Sinto uma tristeza mortal!” (Mt 26,38). Mesmo tomado pela tristeza, já sabendo de todo o sofrimento que viria, Ele se colocou no lugar de Filho e aceitou abertamente a vontade de Seu Pai, resignando-se: “ Meu pai,  se possível, que este cálice passe de mim. Contudo, não seja feito como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26,39).
Uma outra questão referente à humanidade de Cristo é seu corpo, o qual era delimitado. Em virtude desse aspecto, o rosto humano de Jesus pode ser “desenhado”. No VII Concílio Ecumênico, a Santa Igreja Católica reconheceu a legitimidade das imagens sagradas que representam a figura de Jesus.
“Ao mesmo tempo, a Igreja sempre reconheceu que, no corpo de Jesus, ‘Deus, que por sua natureza é invisível, se tornou visível aos nossos olhos”’ (CIC §477). O Catecismo também atesta em relação ao corpo de Cristo: “Com efeito, as particularidades individuais do corpo de Cristo exprimem a pessoa divina do Filho de Deus. Este fez seus os traços de seu corpo humano a ponto de, pintados em uma imagem sagrada ,poderem ser venerados, pois o crente que venera sua imagem ‘venera nela a pessoa que está pintada’” (CIC §477).
Por fim, chegamos ao coração do Verbo Encarnado, “Jesus conheceu-nos e amou-nos a todos durante sua Vida, sua Agonia e Paixão e entregou-se por todos e cada um de nós: “O Filho de Deus amou-me e entregou-se por mim” (Gl 2,20). Amou-nos a todos com um coração humano. Por esta razão, o sagrado Coração de Jesus, traspassado por nossos pecados e para a nossa salvação – é considerado o principal sinal e símbolo daquele amor com o qual o divino Redentor ama ininterruptamente o Pai Eterno e todos os homens” (CIC §478).
Jesus nos amou ao ponto de se entregar por nós, nos amou tanto ao ponto de morrer na cruz. “Aquele que não cometeu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nos tornemos justiça de Deus” (2Cor,5-21). O seu coração ao mesmo tempo tão divino e tão humano, chagado, ferido, e de uma imensa generosidade, nos entregou a sua mãe. Mesmo em meio a dor, sentido o abandono e o desamparo na cruz, não queria nos deixar com o sentimento de solidão, então nos ofertou o mais singelo e puro amor de Mãe, um colo seguro.
Meus queridos irmãos em Cristo! Jesus se fez homem e soube fazer da sua vida um eterno sacrifício a Deus, que Ele nos ensine a fazermos a vontade de Deus e sermos oferendas perfeitas no altar do Senhor. Não vale a pena ser cristãos, se não seguimos os passos de Cristo, que mesmo submetido a condição humana soube amar, servir, se doar e se entregar  por amor.
Paz e bem!
“Jesus, rosto divino do homem,
Jesus, rosto humano de Deus”

(S.A – Minions Católicos)

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