Cântico dos Cânticos - a expressão do amor de Deus pelo seu povo

“O rei introduziu-me nos seus aposentos.
Exultaremos de alegria e de júbilo em ti.
Tuas carícias nos inebriarão mais que o vinho.
Quanta razão há de ti amar! ”
(Cântico dos Cânticos 1,4)

“Deus apenas te pede que te deixes amar” (Santa Teresinha do Menino Jesus). Amados irmãos, hoje vamos refletir em uma das imagens que o livro de Cântico dos Cânticos no traz; visão esta que consiste na visão do amor de Deus pelo seu povo. Tal visão é bastante defendida pela Igreja e foi atenuada com Papa Bento XVI, que explicitou ainda mais ainda esta premissa presente neste magnífico livro poético. Vamos desvendar mais um pouco do enigma do amor?!
“O Cântico dos Cânticos é uma expressão da essência da fé bíblica: na verdade, existe uma unificação do homem com Deus... mas esta unificação não é confundir-se, um afundar no oceano anônimo do divino; é unidade que cria amor, na qual ambos – Deus e o homem – permanecem eles mesmos, mas tornando-se plenamente uma coisa só” (Papa Bento XVI). Como um livro que fala com evidência usando metáforas sexuais pode retratar o amor de Deus? Não seria um pouco obscena esta associação? Na verdade, não. A nossa santa e madre Igreja reconhece na relação matrimonial o vínculo entre Deus e a humanidade. Papa João Paulo II diz que essa analogia conjugal é a melhor analogia para depreender o amor de Deus pela humanidade.
O site do secretariado nacional da pastoral da cultura traz o seguinte, acerca desta visão presente em Cântico dos Cânticos: “(...) Por isso, a pergunta: mesmo que o Cântico dos Cânticos nos remeta, apenas, para a realidade de um profundo amor humano, quem ama como se ama no Cântico dos Cânticos? Ninguém! Somos tentados a responder! Ninguém, senão o Deus da aliança; ninguém senão o amor que precede todos os amores. Percebemos, então, que o amor humano cantado nas palavras do Cântico dos Cânticos transporta no seu âmago a linguagem de uma aliança e do amor que redime e precede todos os amores”.
“És um jardim fechado, minha irmã, minha noiva, uma nascente fechada, uma fonte selada.” (Ct 4,12). Neste trecho podemos ver que o amado busca entrar nesta fonte selada e ter a graça de adentrar nesta fonte selada, do mesmo modo somos nós com Jesus. Ele não irá se jogar em nós, pelo contrário, Ele se abrirá aquele que o procurar com o coração sincero, puro e santo. Depois que o buscarmos com sinceridade, amor e com total desprendimento das coisas terrenas, descobrir-se-á que na verdade era Ele quem nos procurava o tempo, mas sempre como um bom cavalheiro, que nada força, somente espera ansioso pelo nosso amor. Ele espera pelos seus amados e os chama “Levanta-te, minha amada; vem, formosa minha. Eis que o inverno passou: cessaram e desapareceram as chuvas. Apareceram as flores na nossa terra, voltou o tempo das canções. Em nossas terras já se ouve a voz da rola. A figueira já começa a dar os seus figos, e a vinha em flor exala o seu perfume; levanta-te, minha amada, formosa minha, vem”. (Ct 2, 10-13). Muitas vezes estamos como a amada deste trecho, precisamos ser convencidos de que temos de ir, às vezes não vemos o amado, mas mesmo assim ele nos chama e não desiste de nós.
“Por isso, pode dizer-se, sem receio, que sem a experiência que o leitor crente tem do amor de Deus é impossível a inteligência plena do poema do Cântico dos Cânticos. Porque só o amor entende o amor” (Luísa Alemdra).  Amados irmãos, é preciso correr em direção ao nosso Pai, da mesma forma como ele vem em nossa direção. Este livro, mais do que um grande poema nupcial, trata também de um amor eterno, imenso e inexorável de um Deus – Tudo – por um povo – nada. “Dize-me, ó tu, que meu coração ama, onde apascentas o teu rebanho, onde o levas a repousar ao meio-dia, para que eu não ande vagueando junto aos rebanhos dos teus companheiros” (Cânticos dos Cânticos). Permaneçam sob o amor de Cristo. Jesus doce, Jesus amor.
Paz e bem!


(K. S – Minions Católicos)

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