Evangelho – Mc 9, 30-37

“Ele não queria que ninguém soubesse disso, pois estava ensinando a seus discípulos.” (Mc 9, 30-31)

Bom dia, irmãos e irmãos! Vamos começar o nosso dia meditando na Palavra do Senhor?
São Marcos nos revela hoje que Jesus caminhava com seus discípulos atravessando toda a Galileia, mas, curiosamente, não queria que mais ninguém os visse ou soubesse que eles ali estavam. Enquanto caminhavam, Jesus dava-lhes seus ensinamentos e realizou uma predição da Paixão que Ele estava prestes a sofrer por cada um de nós. Dizia Ele: “O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens e matá-lo-ão; e ressuscitará três dias depois de sua morte. ” (Marcos 9, 31)
O primeiro ponto que eu gostaria de destacar nesse texto, amados, é o fato de Jesus não desejar a presença de mais ninguém com eles naquele momento. Penso eu que Ele assim pensava para que pudesse ter liberdade e tranquilidade para dedicar seu tempo única e exclusivamente aos seus amigos mais íntimos. Estar com eles, era o que queria Jesus. E assim é com cada um de nós, pois antes de querer algo de mim, devo ter a certeza de que Ele quer a mim simplesmente.
Reflita isso, irmãozinho. Reflita isso, irmãzinha. Quantas vezes nos pegamos pensando: “Mas, Senhor, que queres de mim? Qual é a minha vocação? Para que me queres? (...)”? Passamos horas, dias, as vezes até mesmo algumas noites em claro matutando isso em nossas mentes quando, na realidade, o que o Senhor quer e espera de nós no momento é simplesmente a nossa presença. Ele não quer nossas palavras, nossas súplicas, ouso dizer até mesmo que algumas vezes Ele não espera (apesar de aceitar alegremente, é claro) os nossos jejuns e sacrifícios por Ele... o que Ele realmente espera é a nossa presença, o nosso olhar, nossa escuta, o nosso coração!
Mas os discípulos não tiveram a sensibilidade para notarem isso nas palavras do Cristo e seguiram o caminho discutindo entre si para ver qual deles era o maior. Irmão, ei! Presta atenção nisso que o Senhor vem nos dizer! O Evangelho de hoje nos exorta a não pensarmos tanto em nós mesmos para que possamos nos abrir à graça que é estar na presença do Pai. Jesus estava ali, frente a frente com seus amigos, falando seriamente a respeito da maior prova de amor que Ele estava disposto a nos dar afim de nos redimir e reunir com o Pai e eles o que fizeram? Prenderam-se às suas frivolidades, suas vaidades, seus egos. Preferiram olhar para os próprios umbigos e centrarem-se em si mesmos do que olhar para o Senhor. O egoísmo e a vaidade tomaram conta de seus corações a ponto de os endurecer.
É claro que os discípulos tinham entre si muitas diferenças, principalmente pelas diversas histórias de vida que cada um trazia consigo desde antes de atenderem ao chamado de Jesus, mas será que isso era tão importante assim? Será que eles precisavam ser tão egocêntricos a ponto de nada perceberem para além daquilo que queriam? É por isso que Jesus, conhecendo seus corações, lhes exorta e diz: “Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Marcos 9, 35).
O crescimento espiritual é o único em que, quanto mais crescemos, menores nos tornamos porque, na lógica ensinada na Sagrada Escritura “importa que Ele cresça e que eu diminua” (João 3, 30). O que importa é que o Meu Amado seja exaltado e louvado, importa que ao Seu Santo nome, todo joelho se dobre (Filipenses 2, 10) e que, enquanto isso, eu desapareça perante sua majestade e soberania.
Amados, eu já escrevi isso várias vezes aqui no nosso blog, mas hoje vou repetir: o Senhor espera por nós! Ele espera ansiosamente pela nossa presença no Sacrário, na Santa Missa, no Sacramento da reconciliação. Mesmo sem saber o que fazer, o que falar, como me comportar... Ele me espera porque, no fundo, Ele nunca quis nada além do meu coração.
Irmão, irmã, o Senhor espera por você! Sem vaidades e egoísmos, corra ao encontro do nosso Amado! Se lance sem perder mais tempo e nada mais queira do que a presença d’Aquele que é o nosso verdadeiro amor e nossa real razão de existir.

Paz e Bem.

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