O sequestro da subjetividade


Olá, meus irmãos! Uma santa noite a todos. Continuaremos o nosso estudo acerca da subjetividade. No texto da semana passada, discorreu-se sobre o seu significado e complexidade. Observamos que a subjetividade “é toda estrutura que tem referência direta ao sujeito particular”, entre outras considerações que foram tecidas a respeito de sua significação.
Hoje, será realizada a dissertação sobre o sequestro da subjetividade. O título do nosso texto é o mesmo de um subtítulo encontrado no livro “Quem me roubou de mim?”. Então, vamos aprender como é, e como ocorre esse tipo de sequestro.
A palavra sequestro é comum e conhecida entre nós. Geralmente, os noticiários nos informam que alguém, em tal lugar foi vítima de um sequestro. Esses sequestros noticiados fazem menção ao sequestro do corpo. “O sequestro do corpo refere-se primeiramente ao aprisionamento material da pessoa. É o corpo que é aprisionado, e o corpo é matéria, é concreto, manuseável. O primeiro passo, portanto, é a condução violenta do corpo para o cativeiro, lugar também material” (Padre Fábio de Melo).
Faz-se uma diferenciação entre o sequestro do corpo e o sequestro da subjetividade. No entanto, para o Padre Fábio, essa diferenciação tem o objetivo meramente didático, pois “tratar do sequestro da subjetividade na comparação com o sequestro do corpo não significa que estamos fazendo uma ruptura entre a materialidade do ser humano e sua subjetividade. Não queremos compartimentar as duas realidades, tampouco legitimar no nosso discurso a perspectiva platônica de que o corpo é a prisão da alma”.
O padre explica que com a ocorrência do aprisionamento do corpo, toda a subjetividade sofre, e este sofrimento acontece de uma maneira imediata, pois é um sofrimento brutal, porque o corpo está sendo levado, roubado. Porém, no sequestro da subjetividade “nem sempre há o sofrimento imediato do corpo. O que há é o sofrimento psicológico, que com o tempo, refletirá no corpo”.
Entretanto, há casos de sequestro da subjetividade que acabam gerando violências físicas. Em um primeiro momento, esse tipo de sequestro pode até parecer prazeroso, satisfatório, pois o sequestrador não pode usar de violência para atrair a sua vítima.
Para continuar a nossa explanação sobre o sequestro da subjetividade, é mister tecer algumas considerações realizadas pelo Padre Fábio, a respeito de como são os cativeiros em cada tipo de sequestro. Ele nos explica que no sequestro do corpo há um cativeiro localizado, o qual precisa ser aberto. Já no sequestro da subjetividade “os cativeiros não possuem localização para que possamos chegar pelas forças de nossos pés. Trata-se de uma prisão mais sutil, mas nem por isso menos cruel”. Ele também nos alerta para o fato de que o sequestro da subjetividade acontece a todo momento em nosso meio: “ou porque estamos presenciando alguém sendo levado de si, ou porque estamos sequestrando, ou sendo sequestrados”.
O padre ainda explica que a estrutura social em que estamos inseridos é fortemente marcada por relações que sequestram. “É sequestro da subjetividade tudo aquilo que nos priva de nós mesmos. Até mesmo nas pequenas realidades, as mais simples, há sempre o risco de que estejamos abrindo mão de nosso valores em detrimento  da vontade de sequestradores que em nada estão comprometidos com nossa realização humana”(Padre Fábio de Melo).
Ainda a  respeito do que venha a ser o sequestro da subjetividade, ele continua: “é sequestro da subjetividade todo o processo que neutraliza e impede o ser humano de conhecer-se, passando a assumir uma postura ditada pelos outros. É sequestro da subjetividade a projeção da vida humana em metas inalcançáveis, costurada à mentalidade de que as pessoas são perfeitas e que há um final feliz reservado, pronto para chover do céu sobre nossas cabeças”.
No livro podemos encontrar outras situações que podem ser consideradas como sequestro da subjetividade. Irmãos, como foi dito anteriormente, a todo momento esse sequestro acontece entre nós. Precisamos estar atentos à todas essas situações.
Precisamos tomar cuidado com os sequestradores que não reconhecem o nosso valor e nos privam de nós mesmos, tomar cuidado também para nós não sermos na vida do outro um sequestrador, que o mantém em algum cativeiro psicológico ou emocional. Não podemos reduzir a pessoa do outro, mas sim, ajudá-la a se encontrar verdadeiramente, a descobrir a sua essência de filho amado de Deus. E também precisamos reconhecer essa nossa identidade de filhos de Deus, eleitos e amados por Ele. Não podemos nos submeter aos julgamentos alheios.
Vamos refletir hoje: Será que mantenho algum sequestrador em minha vida? Será que eu sou um sequestrador?  Será que exerço minha liberdade ou me mantenho em algum cativeiro ocasionado por um relacionamento ou algum outro tipo de situação?
Só em Deus podemos ser verdadeiramente livres. Reconheça seu valor diante da vida, liberte-se desse cativeiro e exerça a liberdade que está em Cristo, em fazer a sua vontade e viver a sua verdade.
Paz e bem!

Alguém me levou de mim. Alguém que eu não sei dizer
Alguém me levou daqui.
Alguém, esse nome estranho.
Alguém que eu ão vi chegar
Alguém que eu não vi partir
Alguém, que se alguém encontrar,
Recomende-se que me devolva a mim
(Alguém - Padre Fábio de Melo)

(S. A – Minions Católicos)

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