Irmãos e irmãs em Cristo,
boa noite! No texto da semana passada iniciamos o estudo sobre os sacramentos,
falamos sobre os sacramentos da iniciação da vida Cristã, onde o homem recebe a
vida nova em Cristo. Dando continuidade sobre o assunto, hoje falaremos sobre
os sacramentos de cura, que se subdividem em: O Sacramento da Penitencia e
Reconciliação e a Unção dos Enfermos.
O Catecismo no seu
parágrafo 1422 nos diz o seguinte: “Aqueles
que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia de Deus o
perdão da ofensa a Ele feita e, ao mesmo tempo, são reconciliados com a Igreja,
que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração,
trabalha pela sua conversão”
O pecado é, antes de
mais, ofensa a Deus, ruptura da comunhão com Ele. Ao mesmo tempo, é um atentado
contra a comunhão com a Igreja. É por isso que a conversão traz consigo, ao
mesmo tempo, o perdão de Deus e a reconciliação com a Igreja, o que é expresso
e realizado liturgicamente pelo sacramento da Penitência e Reconciliação.
Só Deus perdoa os
pecados. Jesus, porque é Filho de Deus, diz de Si próprio: “O Filho do Homem
tem na terra o poder de perdoar os pecados” (Mc 2, 10) e exerce este poder
divino: “Os teus pecados são-te
perdoados!” (Mc 2, 5). Mais ainda: em virtude da sua autoridade divina,
concede este poder aos homens para que o exerçam em seu nome.
Cristo quis que a sua
Igreja fosse toda ela, na sua oração, na sua vida e na sua atividade, sinal e
instrumento do perdão e da reconciliação que Ele nos adquiriu pelo preço do seu
sangue. Entretanto, confiou o exercício do poder de absolvição ao ministério
apostólico. É este que está encarregado do “ministério da reconciliação” (2 Cor
5, 18). O apóstolo é enviado em nome de Cristo e é o próprio Deus que, através
dele, exorta e suplica: “Deixai-vos
reconciliar com Deus” (2 Cor 5, 20).
Durante a sua vida
pública. Jesus não somente perdoou os pecados, como também manifestou o efeito
desse perdão: reintegrou os pecadores perdoados na comunidade do povo de Deus,
da qual o pecado os tinha afastado ou mesmo excluído. Sinal bem claro disso é o
fato de Jesus admitir os pecadores à sua mesa, e mais ainda: de se sentar à
mesa deles, gesto que exprime ao mesmo tempo, de modo desconcertante, o perdão
de Deus, e o regresso ao seio do povo de Deus.
Cristo instituiu o
sacramento da Penitência para todos os membros pecadores da sua Igreja, antes
de mais para aqueles que, depois do Batismo, caíram em pecado grave e assim
perderam a graça batismal e feriram a comunhão eclesial. É a eles que o
sacramento da Penitência oferece uma nova possibilidade de se converterem e de
reencontrarem a graça da justificação. Os Padres da Igreja apresentam este
sacramento como “a segunda tábua (de salvação), depois do naufrágio que é a
perda da graça”.
Toda a eficácia da
Penitência consiste em nos restituir à graça de Deus e em unir-nos a Ele numa
amizade perfeita. O fim e o efeito deste sacramento são, pois, a reconciliação
com Deus. Naqueles que recebem o sacramento da Penitência com coração contrito e
disposição religiosa, seguem-lhe a paz e a tranqüilidade da consciência,
acompanhadas duma grande consolação espiritual. Com efeito, o sacramento da
reconciliação com Deus leva a uma verdadeira ressurreição espiritual, à
restituição da dignidade e dos bens próprios da vida dos filhos de Deus, o mais
precioso dos quais é a amizade do mesmo Deus.
A Igreja crê e confessa
que, entre os sete sacramentos, há um, especialmente destinado a reconfortar os
que se encontram sob a provação da doença: a Unção dos enfermos: Esta santa
unção dos enfermos foi instituída por Cristo nosso Senhor como sacramento do
Novo Testamento, verdadeira e propriamente dito, insinuado por São Marcos, mas
recomendado aos fiéis e promulgado por São Tiago, apóstolo e irmão do Senhor.
Pela santa Unção dos Enfermos e pela oração dos presbíteros, toda a Igreja
encomenda os doentes ao Senhor, sofredor e glorificado, para que os alivie e os
salve: mais ainda, exorta-os a que, associando-se livremente à paixão e morte
de Cristo, concorram para o bem do povo de Deus. A doença e o sofrimento
estiveram sempre entre os problemas mais graves que afligem a vida humana. Na
doença, o homem experimenta a sua incapacidade, os seus limites, a sua
finitude. Qualquer enfermidade pode fazer-nos entrever a morte.
A Constituição Apostólica
“Sacram Unctionem Infirmorum”, de 30 de Novembro de 1972, na seqüência do II
Concílio do Vaticano, estabeleceu que, a partir de então, se observasse o
seguinte no rito romano: “O sacramento da
Unção dos Enfermos é conferido aos que se encontram enfermos com a vida em
perigo, ungindo-os na fronte e nas mãos com óleo de oliveira ou, segundo as
circunstâncias, com outro óleo de origem vegetal, devidamente benzido,
proferindo uma só vez, as palavras: "Por esta santa unção e pela sua
infinita misericórdia o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito
Santo, para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na sua bondade,
alivie os teus sofrimentos".”
A Unção dos Enfermos não
é sacramento só dos que estão prestes a morrer. Por isso, o tempo oportuno para
recebê-la é certamente quando o fiel começa, por doença ou por velhice, a estar
em perigo de morte. Só os sacerdotes (bispos e presbíteros) são ministros da
Unção dos Enfermos.
A primeira graça deste
sacramento é uma graça de reconforto, de paz e de coragem para vencer as
dificuldades próprias do estado de doença grave ou da fragilidade da velhice.
Esta graça é um dom do Espírito Santo, que renova a confiança e a fé em Deus, e
dá força contra as tentações do Maligno, especialmente a tentação do desânimo e
da angústia da morte. Esta assistência do Senhor pela força do seu Espírito
visa levar o doente à cura da alma, mas também à do corpo, se tal for à vontade
de Deus. Além disso, se ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados (Tg 5, 15).
Pela graça deste sacramento, o enfermo recebe
a força e o dom de se unir mais intimamente à paixão de Cristo: ele é, de certo
modo, consagrado para produzir frutos pela configuração com a paixão redentora
do Salvador. O sofrimento, sequela do pecado original, recebe um sentido novo:
transforma-se em participação na obra salvífica de Jesus.
Assim, do mesmo modo que
os sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia constituem uma
unidade chamada o sacramento da iniciação cristã também se pode dizer que a
Penitência e a Santa Unção, constituem, quando a vida do cristão chega ao seu
termo,os sacramentos que preparam a entrada na Pátria ou os sacramentos com que
termina a peregrinação.
Deus nos abençoe.
(G. C. G – Minions Católicos)

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