Quarta-feira de cinzas

“Porque és pó, e em pó te hás de tornar” (Gen 3, 19)

Hoje, a Igreja celebra a quarta-feira de cinzas, mas de onde surgiu essa tradição de impor a cinzas e qual é o seu significado? Bom, nós vamos explicar para vocês. Vamos lá?
Com a quarta-feira de cinzas damos início ao tempo da Quaresma, tempo em que somos chamados à conversão e a preparação para vivermos verdadeiramente a Semana Santa. A imposição das cinzas é uma tradição que vem desde a Igreja primitiva em que as pessoas se apresentavam para a comunidade com um “hábito penitencial” para receber o Sacramento da Reconciliação na Quinta-feira Santa.
“O começo dos quarenta dias de penitência, no Rito romano, caracteriza-se pelo austero símbolo das Cinzas, que caracteriza a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas. Próprio dos antigos ritos nos quais os pecadores convertidos se submetiam à penitência canônica, o gesto de cobrir-se com cinza tem o sentido de reconhecer a própria fragilidade e mortalidade, que precisa ser redimida pela misericórdia de Deus. Este não era um gesto puramente exterior, a Igreja o conservou como sinal da atitude do coração penitente que cada batizado é chamado a assumir no itinerário quaresmal. Deve-se ajudar os fiéis, que vão receber as Cinzas, para que aprendam o significado interior que este gesto tem, que abre a cada pessoa a conversão e ao esforço da renovação pascal” (artigo 125 do Diretório sobre a piedade popular e a liturgia). Ou seja, a cinza nos faz recordar de onde viemos e para onde iremos: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra” (Gn 2,7); “até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3,19).
As cinzas são obtidas da queima dos ramos usados no Domingo de Ramos do ano anterior, recebem água benta e são aromatizadas com incenso. Assim como todo sacramental, as cinzas só podem ser abençoadas por um sacerdote ou um diácono. São impostas na fronte, em forma de cruz e enquanto estão sendo impostas, o ministro pronuncia as palavras “Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás” ou “Convertei-vos e crede no Evangelho”.
Lembrando que hoje é dia de jejum e abstinência, conforme os trechos do Direito Canônico:
·        "Cân. 1249 Todos os fiéis, cada qual a seu modo, estão obrigados por lei divina a fazer penitência; mas, para que todos estejam unidos mediante certa observância comum da penitência, são prescritos dias penitenciais, em que os fiéis se dediquem de modo especial à oração, façam obras de piedade e caridade, renunciem a si mesmos, cumprindo ainda mais fielmente as próprias obrigações e observando principalmente o jejum e a abstinência, de acordo com os cânones seguintes.
·        Cân. 1250 Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas- feiras do ano e o tempo da quaresma.
·        Cân. 1251 Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
·        Cân. 1252 Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os sessenta anos começados. Todavia, os pastores de almas e os pais cuidem que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados a lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade.
·        Cân. 1253 A Conferência dos Bispos pode determinar mais exatamente a observância do jejum e da abstinência, como também substituí-la, totalmente ou em parte, por outras formas de penitência, principalmente por obras de caridade e exercícios de piedade."
A prática do jejum e da abstinência vai muito além de práticas externas. É muito importante que busquemos uma mudança de coração, de mentalidade. Assim também acontece com a Quaresma. O que vivemos durante esse tempo não é algo só para este tempo, mas algo que devemos levar para toda a nossa caminhada rumo ao céu.
”Tenho sede do Céu, dessa mansão bem-aventurada, onde se amará Jesus sem restrições. Mas, para lá chegar é preciso sofrer e chorar; pois bem! Quero sofrer tudo o que aprouver a meu Bem Amado, quero deixar que Ele faça de sua bolinha o que Ele quiser” (Santa Teresinha)
Devemos nos lembrar de que pertencemos ao céu e lá é o nosso lugar. Devemos ter o mesmo anseio que Santa Teresinha teve em chegar até o céu. Muitas vezes seremos provados, passaremos por sofrimento e dor, mas nada disso vai superar a felicidade em estar no céu.
”Os olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou” (Is 64,4), “o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1 Cor 2,9).
Hoje, também damos início a Campanha da Fraternidade que este ano o tema: ‘Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida’ e o lema ‘Cultivar e guardar a criação’ (Gn 2.15). A partir de hoje até o fim do ano, a campanha nos convida a dar ênfase a diversidade de cada bioma e criar relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles habitam, especialmente à luz do Evangelho. Dom Leonardo Ulrich Steiner, bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, diz que: “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem sejamos conduzidos à vida nova”.
Deus nos abençoe!


(M. N. S – Minions Católicos)

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