“Dou-vos um novo mandamento. Que vos ameis como
eu vos tenho amado” (Jo
15,12)
Olá, amados de Jesus e
Maria! Daremos início a um novo caminho, que necessita ser trilhado para o nosso
crescimento cristão e pessoal, onde será necessário mexermos em algumas feridas
para que possamos ser plenamente curados. Mergulharemos em águas mais profundas
que nos conduzirão a analisarmos a nossa maturidade afetiva e consequentemente
buscarmos a nossa cura interior por meio do amor do Pai. Somos seres com
necessidades, e dentre elas está à carência de afeto, demonstrações de carinho,
amor, atenção e respeito, mas quando essas nossas necessidades não são
supridas, ficamos com a afetividade ferida, magoada, triste... Tudo isso
provoca o acúmulo de feridas em nossa alma, que mesmo que o tempo passe
permanece, porque não buscamos uma maneira de curá-las.
“Afetividade é a maneira de nos
relacionarmos com o que esta dentro de nós e com o que está fora de nós. ” (EmmirNogueira). O
que nos impede de buscarmos a cura da nossa afetividade? Medo? Necessitamos
reconhecer que somos pessoas com limites e que muitas vezes não conseguimos
buscar a nossa cura sozinhos. Mas, onde devo buscar a cura da minha
afetividade? Em Deus; mergulhando em seu coração transpassado pela lança que
jorrou sangue e água repleto de amor e misericórdia por cada um de nós, mas
para isso precisamos exercitar o dom da mansidão e paciência, porque Deus
quando adentra o nosso coração vai mexendo em tudo aquilo que nos machucou e
necessita de tempo para que possamos amadurecer e aprender a esperar e confiar
em seu propósito para as nossas vidas.
A nossa afetividade está
intimamente ligada com o nosso relacionamento com a família, amigos, colegas de
trabalho, faculdade, escola, com as pessoas na Igreja e com as coisas que estão
ao nosso redor, porque quando a nossa afetividade está ferida, perdemos a
essência da nossa identidade como pessoa e como cristãos. Precisamos aprender a
amar, como uma oferta de vida sem ficarmos a espera de recompensas, mas com a
certeza em nosso coração de que a nossa doação está sendo completa, porque
estamos buscando ser imagem e semelhança do Pai.
Com isso, baseado em uma pregação de
Emmir Nogueira, cofundadora da comunidade Católica Shalom, vamos destrinchar algumas
gavetas da nossa vida que necessitam serem mexidas e analisadas para iniciarmos
um processo de cura da nossa afetividade. Quais são as gavetas da nossa
afetividade? A gaveta mais baixa da nossa afetividade é o humor, humor como
estado de espírito. O humor é considerado o estado de base da afetividade. Muitos de nós mudamos de estado de humor muitas vezes
durante um dia, infelizmente isso acontece, e acontece porque temos problemas
em nossa afetividade. Há pessoas que sempre estão de bom humor, sempre sorriem,
sempre promovem a unidade, onde elas chegam alegram o ambiente, mas também tem
gente que está sempre de mau humor e estas pessoas são aquelas negativas,
insuportáveis, onde elas chegam o ambiente fica pesado, esta pessoa precisa
crescer em sua afetividade. Há pessoas que andam de cara feia, estas são as
pessoas que desejam dizer: “me olhem, me vejam, eu não estou bem”, cara feia é um
grito de socorro.
A
segunda gaveta é a da emoção, a emoção é um fenômeno passageiro, algo acontece
que afeta a pessoa naquele momento, seja ouvindo uma música, seja vendo um fato
acontecer. A emoção vem e vai e às vezes nem nos lembramos dela e isso
significa que nenhuma decisão da minha vida deve ser tomada de acordo com meu
humor ou com minhas emoções. Nunca
peça para ninguém fazer um trabalho muito difícil quando a pessoa estiver
cansada, pois o humor de base desta pessoa não está preparada. Tudo isso nos
ajuda a nos relacionarmos com as pessoas, por isso é preciso que percebamos o humor
e as emoções das pessoas. Se você está com uma enxaqueca e uma pessoa te pede
para resolver um problema você poderá responder a esse pedido de forma
negativa. Eu não posso dizer que meu humor e minhas emoções são bons ou ruins,
pois são uma característica da minha identidade, mas eu posso controlá-los, o
que faço com meu humor e com minhas emoções depende do meu amor a Deus, do meu
amor a mim e ao meu irmão. É preciso em um momento de humor e emoções abaladas
responder às pessoas de maneira evangélica e Deus nos dá a graça de fazer isso. Você não foi feito para reagir
segundo seu humor e suas emoções, mas segundo a caridade.
A
terceira gaveta é a dos sentimentos e eles estão sempre ligados aos valores.
Por exemplo, o valor da justiça, da verdade, da pureza, os sentimentos estão
ligados a estes valores, o contra valor da desonestidade os sentimentos estão
ligados também aos contra valores. Nós reagimos segundo os sentimentos que
estão ligados a determinados valores. Algumas
pessoas foram educadas a fugir e quando estiverem de cabeça cheia irão fugir,
pois o sentimento delas está ligado ao valor da fuga, por isso é importante a
educação dos valores, em uma comunidade é importante que os valores estejam
claros, pois os sentimentos estarão ligados a estes valores.
A
quarta gaveta é a do afeto, assim como os sentimentos se ligam aos valores, os
afetos se ligam a idéias. Se você
fechar os olhos e eu dizer palavras como beber, pai, terrorismo, Jesus, cada
uma destas palavras lhe despertarão afetos diferentes, os afetos estão ligados
a um conceito, a uma idéia. Entre duas pessoas as mesmas palavras terão
relações afetivas diferentes, por isso nossas famílias, a sociedade, a
comunidade, precisam ter valores e conceitos claros, valores e conceitos evangélicos.
A última gaveta é a das paixões, ela também
não é boa e nem má, o que é bom ou mau é o que fazemos com elas. Einstein passava tantas horas estudando que a sua esposa brigava
com ele, mas essa sua paixão nos trouxe boas descobertas. As paixões são como
uma bigorna (molde), a gaveta das paixões é a mais alta do armário, a gaveta da
identidade é a que segura toda a estrutura deste armário de gavetas e a gaveta
das paixões com essa bigorna se torna pesada e pode fazer desmoronar todo o
armário, pois está sobre todas as outras gavetas.
As paixões devem nos levar as virtudes, devo
ser apaixonado pelo Evangelho e viver bem esta paixão. As paixões influenciam
nosso humor, nossas emoções, nossa afetividade, influenciam tudo. Os estudiosos
dizem que as paixões têm o poder de nos levar para o
bem e para o mal. Deus me criou e me deu a graça do batismo e me criou homem ou
mulher e nisto Ele demonstra sua vontade sobre minha sexualidade. Deus me criou
para um carisma, para um estado de vida específico e isso para mim, porque é
vontade de Deus deve se tornar um valor. Eu ser batizado como filho de Deus,
por exemplo, deve ser um valor.
Os meus
sentimentos estão ligados a estes valores que são vontade de Deus para mim e
quando vivo isso começo a querer conhecer melhor a vontade de Deus para minha
vida e começo a buscar a vontade de Deus e meus afetos se ligam aos conceitos
expressos pela vontade de Deus. Como meus afetos estão ligados a filiação
divina e tudo que ela representa para mim, o meu ser inteiro se envolve e se
deixa envolver e se apaixona pela vontade de Deus, o que acontece então é uma
reestruturação dos conceitos para mim, não ajo mais como a carne pede e me
impulsiona, mas como aquilo que é vontade de Deus.
Se eu viver sobre meus afetos, meus
sentimentos, minhas emoções, meu humor, eu viverei só para mim. Se minha
identidade é uma confusão, e minha afetividade esta de cabeça para baixo, eu
serei uma pessoa débil em minha auto-identidade. A cura interior não é para me
ajudar a me centralizar sobre mim, é para me ajudar a ficar de pé, enxergando a
verdade, Deus nos cura para que sejamos santos. Cura interior é Jesus dizendo: “Levanta-te e anda, eu quero ajeitar tua afetividade que está de
cabeça para baixo, eu quero te libertar de ti mesmo, eu te criei para que você
tenha controle de suas emoções e seus afetos. Eu não te criei para sua
identidade ser amarrada e escravizada, não te criei para ser levado por teus
sentimentos, mas para ter o domínio sobre eles e sobre suas paixões. ”
Portanto, é necessário
revisitarmos as gavetas da nossa afetividade, por meio de uma vida de oração,
possibilitando o moldar de Deus em nós, através de uma intimidade concreta.
Assim, fortaleceremos a nossa identidade de filhos de Deus, pautada no autoconhecimento
e na busca constante pela cura das nossas feridas na afetividade.
(Monique Evangelista –
Minions Católicos)

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