Teu olhar me trouxe aqui...

Olá, pessoal! Eu gostaria de pedir licença para vocês para fazer uma partilha muito especial, ao invés de continuar o nosso especial sobre a cultura da morte.
Há alguns meses, eu falei aqui com vocês sobre a Encíclica Mulieris Dignitatem, de São João Paulo II e a minha partilha tem muito a ver com esse assunto. No último domingo, eu estive em um retiro feminino e o tema do retiro foi justamente a questão da dignidade da mulher.
Sabemos que a humanidade é a parte mais importante da criação, mas digamos que a mulher é o ápice do ápice. A mulher veio para dar sentido e vida a tudo. Ser mulher é um dom de Deus. Existem características únicas que nós carregamos e que são a nossa identidade. Por exemplo, é a mulher quem gera vida (seja física ou espiritualmente), nós temos uma capacidade muito maior de preservar algumas memórias, guardamos os tesouros de Deus e os distribuímos. Tem uma frase que diz que “a maior beleza revelada por uma mulher está no quanto ela distribui amor”.
Apesar de ter mais de dez anos de caminhada, eu diria para vocês que faz uns quatro anos que eu iniciei um processo de conversão, de fato. Eu cheguei no fundo do poço da minha dignidade como mulher. Me sujeitei a muitas situações degradantes, permiti que muitas pessoas fizessem do meu coração um terreno baldio. Na verdade, eu mesma fiz do meu coração um verdadeiro lixão. E, enquanto eu ia ouvindo falar sobre a dignidade, sobre o valor da mulher (coisas que não eram tão novidade assim para mim, pois tudo isso eu li quando fiz os textos sobre a Encíclica Mulieris Dignitatem), a minha ficha ia caindo para muita coisa. Lembro que vinha na minha cabeça “viu? Você está no caminho certo! ”.
Nesses quatro anos eu caí, eu tropecei, eu me machuquei, eu senti as podas que Deus fazia em mim. Eu trazia e ainda tenho em mim convicções erradas de quem eu verdadeiramente eu sou, para que eu sirvo, mas Deus tem me mostrado a verdade d’Ele. Ele tem me revelado aos poucos os mistérios sobre a minha personalidade, sobre quem eu sou de verdade. É um processo que dói, gente! Não é nada fácil, mas é muito gratificante quando você percebe que está buscando fazer aquilo o que Deus quer.
Na sala onde aconteceu o retiro tem um quadro com o rosto de Jesus e esse quadro esteve em um outro retiro há uns cinco anos e enquanto eu olhava para o quadro, eu pensava “foi esse olhar que me trouxe até aqui, foi esse olhar que me devolveu a minha dignidade de filha de Deus”. Santa Teresa d’Ávila tem uma frase linda que diz “olha Aquele que te olha”. Sim! O nosso maior tesouro será encontrado quando olharmos verdadeiramente para Deus. Só quando o nosso coração estiver em Deus é que ele vai ser verdadeiramente feliz.
E por que eu estou falando isso para vocês hoje? Nossa vida, seja você homem ou mulher, é um dom dado por Deus. E, todo dom dado é dom ofertado. Devemos devolver nossa vida para Deus, devemos buscar fazer a sua vontade, devemos buscar o seu amor.
Eu, Mariana Neves, nunca quis viver tanto o meu chamado, viver bem a minha vocação como nesses últimos tempos. Eu quero poder colher os frutos de Deus, quero distribuir todo esse amor que eu recebo. Santa Teresinha vai dizer que Deus nunca coloca em nosso coração um sonho que seja impossível de realizar. Hoje, eu sonho com a santidade! Além de sonhar, eu sinto que posso sim ser essa mulher segundo o coração de Deus.
Meus irmãos, que todos nós possamos buscar viver bem a nossa vocação. Chega de perder tempo com o que é passageiro. Vamos mirar no que é eterno!

Seu olhar me trouxe aqui
Já faz tanto tempo que eu me despedi
Quis outro caminho pro meu coração
Eu quis voar
Quero lhe contar por onde andei
E o que sobrou de mim
Quando eu duvidei
Da primeira vez que você me olhou
No seu calar entendi
Eu vim pra recomeçar
Tenho tanto pra andar
Eu só preciso
Ouvir a sua voz
Eu não quero mais me esconder
De mim mesma e nem de você
Ainda há tanta vida por viver
Você me faz capaz
Quando já não posso mais
Você me faz voar
Quando não posso nem andar
Seu amor me faz seguir
Quando nem sei por onde ir
Quando penso que estou só
Ouço seus passos por aqui
(Me faz capaz – Ziza Fernandes)

(Mariana Neves – Minions Católicos)


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