“Assim,
uma ação ou uma omissão que, em si ou na intenção, gera a morte a fim de
suprimir a dor constitui um assassinato gravemente contrário à dignidade da
pessoa humana e ao respeito pelo Deus vivo, seu Criador. O erro de juízo na
qual se pode ter caído de boa-fé não muda a natureza deste assassinato, que
sempre deve ser condenado e excluído” (Cf. Sagrada Congregação para a Doutrina
da Fé, decl. Iura et bona: 1980)
Olá, meninos e meninas!
Hoje, nós iremos conversar sobre um assunto que foi muito falado nos últimos
dias: a eutanásia. Por providência de Deus, eu acho, na semana passada eu dei
uma pausa nos nossos textos a respeito da “cultura de morte” ou “cultura do
descarte”, para fazer uma partilha rápida com vocês. Mas por que eu acho que
foi providência de Deus?
Nos últimos dias estamos
vendo nas redes sociais uma grande repercussão do caso do bebê Charlie Gard, em
Londres. Charlie tem 10 meses de idade e sofre de uma doença mitocondrial, que
provoca o enfraquecimento dos seus músculos e sérios danos cerebrais. Os
médicos do hospital onde o pequeno Charlie está sendo tratado decidiram
desligar os aparelhos que lhe dão suporte de vida, uma decisão que é totalmente
contrária a vontade dos pais do bebê. Chris Gard e Connie Yates, os pais do
bebê, queriam levar o filho até o EUA para fazer um tratamento experimental,
até arrecadaram 1,5 milhão de euros (aproximadamente R$5,5 milhões), mas os
médicos consideram ser um esforço inútil. Com isso, se iniciou uma batalha na
justiça e foi autorizado pela Justiça Britânica o desligamento dos aparelhos.
Foi determinado que os aparelhos
fossem desligados na sexta-feira, dia 30/06. Com isso, os pais de Charlie, fizeram
uma grande movimentação nas redes sociais afim de noticiar ao mundo sobre a
decisão e sobre o direito que lhes foi tirado de lutar pela vida de seu filho.
Uma questão que me fez
pesquisar um pouco mais sobre o assunto da eutanásia, principalmente por causa
da história de Charlie Gard, foi uma dúvida que surgiu em vários debates que eu
vi por aí. O questionamento era: “se, mesmo recorrendo ao tratamento
alternativo, muito provavelmente ele irá a óbito, por que não desligar os
aparelhos dele? ”.
Entendemos por eutanásia uma
morte suave sem sofrimentos atrozes, porém hoje em dia é atribuída à
intervenção da medicina afim de minimizar as dores ou sofrimento causados pela
doença. Tenho certeza que você já ouviu o termo “dar uma morte digna” ou “dar a
morte por compaixão”, que é justamente o termo que a Justiça Britânica utilizou
para justificar a sua decisão.
“Quaisquer
que sejam os motivos e os meios, a eutanásia direta consiste em pôr fim à vida
de pessoas deficientes, doentes ou moribundas. É moralmente inaceitável. Assim,
uma ação ou uma omissão que, de per si ou na intenção, cause a morte com o fim
de suprimir o sofrimento, constitui um assassínio gravemente contrário à
dignidade da pessoa humana e ao respeito do Deus vivo, seu Criador. O erro de
juízo, em que se pode ter caído de boa-fé, não muda a natureza do ato homicida,
o qual deve sempre ser condenado e posto de parte” (CIC
§2277)
A vida humana é
inviolável, ainda que marcada pelo drama da dor e do sofrimento. A vida é dom
de Deus. Ninguém tem o direito a matar quem quer que seja ou destruir a própria
vida. “Só Eu é que dou a vida e dou a
morte” (Dt 32,39)
Existe a Declaraçãoda Sagrada Congregação para Doutrina da Fé sobre eutanásia, que fala
justamente sobre a doutrina da Igreja sobre o problema da eutanásia. Eu acho
muito válido que todos leiam. “A matéria
proposta neste documento diz respeito, antes de mais, àqueles que põem a sua fé
e a sua esperança em Cristo que, pela sua vida, morte e ressurreição, deu um
sentido novo à existência e especialmente à morte dos cristãos”.
Rezemos pelo Charlie Gard
e por todas as outras pessoas que se encontram na mesma situação. Unidos em
oração poderemos alcançar muitos milagres. Já podemos ver pelo fato de o
desligamento dos aparelhos ter sido adiado. Oremos, oremos!!
Deus nos abençoe!
(Mariana
Neves – Minions Católicos)

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