“E qual é a melhor maneira de praticar o sacrifício? A melhor
maneira consiste no adorar a vontade de Deus todos os dias em todas as pequenas
coisas que nos faz sofrer, dizer para tudo aquilo que acontece: ‘Fiat: A sua
vontade Senhor’. E repetir cem vezes ao dia.” (Santa Gianna Beretta Molla)
Olá, meninos e meninas!
Há algumas semanas venho falando com vocês sobre a cultura de morte e hoje, com
a ajuda da Letícia Reis, também colaboradora do nosso blog, iremos contar para
vocês um lindo testemunho de uma mulher santa que disse não a esta cultura que
está tão impregnada na nossa sociedade nos dias de hoje.
Não sei como é no mundo
masculino, mas nós mulheres quando ouvimos ou lemos uma linda história de amor,
ficamos suspirando pelos cantos, imaginando e pedindo a Deus para que
aconteça a mesma coisa na nossa vida. Pois foi exatamente isso que aconteceu
com nós duas. Só que não foi uma história de amor baseada em um conto de fadas,
ou em um filme hollywoodiano, mas é a linda história de uma santa. Estamos
falando de Santa Gianna Beretta Molla, a santa intercessora das famílias.
Antes, vamos contar para
vocês um pouco da história de Gianna:
Gianna
Beretta nasceu em Magenta (Milão, Itália) em 04 de outubro de 1922. Devido a
sua formação religiosa recebida por seus pais desde cedo, considerava a vida
como um dom maravilhoso de Deus, a tinha confiança na Providência e a estimava
a necessidade e a eficácia da oração.
Durante
os anos de estudos e na Universidade, enquanto se dedicava diligentemente aos
seus deveres, vinculava sua fé com um compromisso generoso de apostolado entre
os jovens da Ação Católica e de caridade para com os idosos e os necessitados
nas Conferências de São Vicente. Se formou em medicina e cirurgia em 1949 pela
Universidade de Pavia (Itália), em 1950 abriu seu consultório médico em Mêsero
(nos arredores de Milão). Especializou-se em pediatria na Universidade de Milão
em 1952 e, entre seus clientes, demonstrava especial cuidado para as mães,
crianças, idosos e pobres.
Enquanto
exercia sua profissão médica, que a considerava como uma “missão”, aumentou seu
generoso compromisso para com a Ação Católica, e consagrou-se intensivamente em
ajudar as adolescentes. Através do alpinismo e do esqui, manifestou sua grande
alegria de viver e de gozar os encantos da natureza. Através da oração pessoal
e da dos outros, questionava-se sobre sua vocação, considerando-a como dom de
Deus. Optou pela vocação matrimonial, que a abraçou com entusiasmo, assumindo
total doação “para formar uma família realmente cristã”.
Iniciou
seu noivado com o engenheiro Pedro Molla. Preparou-se ao matrimônio com
expansiva alegria e sorriso. Ao Senhor tudo agradecia, e orava. Na basílica de
São Martinho, em Magenta, casou-se aos 24 de setembro de 1955. Transformou-se
em mulher totalmente feliz. Em novembro de 1956, deu à luz a Pedro Luís; em
dezembro de 1957 à Mariolina e, em julho de 1959, à Laura. Com simplicidade e
equilíbrio, harmonizava os deveres de mãe, de esposa, de médica e da grande
alegria de viver.
Em
setembro de 1961, no final do segundo mês de gravidez, viu-se atingida pelo
sofrimento e pela dor. Apareceu um fibroma no útero. Antes de ser operada,
embora sabendo o grave perigo de prosseguir com a gravidez, suplicou ao
cirurgião que salvasse a vida que traz em seu seio e, então, entrega-se à
Divina Providência e à oração. Com o feliz sucesso da cirurgia, agradeceu
intensamente a Deus a salvação da vida do filho. Passou os sete meses que a
distanciava do parto com admirável força de espírito e com a mesma dedicação de
mãe e de médica. Receava e temia que seu filho pudesse nascer doente e suplicou
a Deus que isto não aconteça.
Alguns
dias antes do parto, sempre com grande confiança na Providência, demonstrou-se
pronta a sacrificar sua vida para salvar a do filho: “Se deveis decidir entre
mim e o filho, nenhuma hesitação: escolhei - e isto o exijo - a criança.
Salvai-a”. Na manhã de 21 de abril de 1962 nasceu Joana Manuela. Apesar dos
esforços para salvar a vida de ambos, na manhã de 28 de abril, em meio a
atrozes dores e após ter repetido a jaculatória “Jesus eu te amo, eu te amo”
morreu santamente. Tinha 39 anos.
(Fonte:
Site Vaticano)
Há algumas semanas, nós
começamos a leitura do livro “Cartas de amor de uma santa”, em que estão
registradas algumas cartas que Santa Gianna escreveu para o seu marido, Pedro
Molla. São cartas que expressam todo o seu amor e um pouco do seu dia-a-dia
como esposa e mãe. Abaixo nós iremos partilhar um pouco das nossas impressões
sobre o livro.
Gianna demorou para que
encontrasse o seu tão amado Pietro. Se dedicou aos estudos, à vida espiritual,
cuidou de si mesma. E, ao encontrar Pietro, teve a certeza que a sua vocação
era a vocação matrimonial.
Ela com toda a certeza
dizia: "Toda vocação é vocação à
maternidade: material, espiritual, moral, porque Deus nos deu o instinto da
vida. O sacerdote é pai; as irmãs são mães, mães das almas. Preparar-se para a
própria vocação, preparar-se para ser doador da vida... saber o que é o grande
sacramento do Matrimônio". Gianna sabia que o chamado de Deus para ela
era realmente o de ser mãe. Não somente mãe de seus filhos, mas mãe também
espiritual de tantas outras pessoas.
Ela soube esperar o
momento certo, sabia que Deus tinha planos maravilhosos para a sua vida. E com
grande alegria, ela confiava no Senhor. Além da sua confiança, Santa Gianna
demonstrava uma grande maturidade afetiva e fez uma excelente observação àqueles
que se sentem chamados ao matrimônio: “Ser
chamado para a vida de família não quer dizer ficar noivo aos 14 anos. Isso é
apenas um sinal de alarme. Deve preparar-se também para a família. Não se deve
entrar por esse caminho se não souber amar. Amar quer dizer aperfeiçoar-se a si
mesmo, a pessoa amada, dominar o próprio egoísmo, doar-se”.
Ao encontrar Pietro, não
demoraram para que viessem a se casar. E dias antes do casamento, Gianna
escreveu para o noivo: "Quero formar
uma família verdadeiramente cristã; um pequeno cenáculo onde o Senhor reine nos
nossos corações, ilumine as nossas decisões, guie os nossos programas".
Seu namoro, noivado e casamento foi todo vivido na vontade de Deus para eles.
E, logo depois de se casarem não demoraram para serem pais.
Gianna e Pietro viveram
um matrimônio lindo. Ela era sempre preocupada com Pietro e vivia a dizer que
queria fazê-lo feliz, ela pedia a Deus todos os dias e comungava pedindo para
que Deus desse a ela a graça de fazer Pietro um homem feliz.
Por razões de trabalho,
Pietro e Gianna viviam muitas vezes distantes, já que ele viajava muito a
trabalho. Porém, Gianna sempre o esperava ansiosamente. Mandava-lhes cartas
apaixonadas e esperava que ele a ligasse sempre para que pudessem matar um
pouco toda a saudade.
Gianna, além de ser mãe e
esposa era dedicada a profissão de pediatra. Cuidava das crianças que ali
passavam em seu consultório como cuidava de seus próprios filhos.
A Santa ia às missas
todos os dias e em uma de suas cartas disse a Pietro: "vou à Igreja todas as manhãs para que Deus me ajude a ser uma mãe
corajosa e que eu possa torná-lo cada vez mais feliz a cada momento". Ela
tinha sede pela sua família, Gianna anseiava por uma família cristã e pedia
isso a Deus todos os dias.
Era aberta a vida, teve 6
gestações, mas apenas quatro nasceram. Foi no parto da sua última filha que
Gianna faleceu. Na verdade, digo que não foi uma morte, mas sim uma entrega ao
amor.
Santa Gianna dizia o
seguinte: "Se amar não nos custa
nada, significa que não amamos de verdade" e Gianna amou tanto seus
filhos e seu marido que se sacrificou por eles, dia a dia. O amor é sacrifício,
não é? Que possamos assim como Santa Gianna nos entregar em prol do amor.
Santa Gianna x Cultura da
Morte
Logo no início de sua
última gestação, Santa Gianna recebeu o diagnóstico de fibroma no útero e para
que ela sobrevivesse, seria necessário interromper a gestação. Devido aos seus
valores cristãos que estavam profundamente enraizados em seu coração, Gianna defendia
o direito à vida e decidiu, assim, continuar sua gestação e dar à luz a sua
filha Joana Emanuela.
Eu fico imaginando Santa
Gianna sendo julgada pelas pessoas por ter optado em arriscar a sua vida ao
preferir dar à luz a mais um filho. Fico imaginando que devem ter ficado
horrorizados porque uma mãe deixou seu marido e outros três filhos mais velhos
sozinhos com um recém-nascido, sendo que poderia ter abortado o bebê e ter
gozado de sua saúde até a velhice. Quantas vezes isso não acontece nos nossos
dias atuais? Pois é, aconteceu, e foram duas dessas histórias que fizeram com
que Gianna se tornasse santa, de fato.
Os dois milagres para a
beatificação e canonização de Santa Gianna Baretta Molla aconteceram no Brasil.
O primeiro foi em Grajaú, no Maranhão, em 1977, num hospital onde a própria
Santa Gianna gostaria de ter vindo prestar seus serviços como médica e
missionária. O segundo aconteceu em Franca, SP, quando uma gestante cujo filho
corria perigo de morte em seu útero, por ausência total de líquido amniótico
desde o terceiro mês de gravidez. A mãe, Elisabete Arcolino Comparini, como
Santa Gianna, não quis abortar, assumindo todos os riscos e pedindo a
intercessão de Santa Gianna. A gravidez progrediu sem líquido amniótico, o que,
por si só, não tem explicação científica. Ao final da gravidez, o bebê, Gianna
Maria, nasceu perfeito e foi aceito pela Igreja como milagre válido para a
canonização de Santa Gianna.
A sua canonização
aconteceu em 16 de maio de 2004, e o Papa João Paulo II disse em sua homilia: “Do amor divino, Gianna Beretta Molla foi
uma mensageira simples, mas mais significativa do que nunca. Poucos dias antes
do matrimônio, numa carta enviada ao futuro marido, escreveu: ‘O amor é o
sentimento mais bonito que o Senhor colocou na alma dos homens’”. Santa
Gianna Beretta Molla se tornou símbolo da luta pró-vida.
Assim como Santa Gianna
dizia, só podemos constituir uma família quando aprendemos a amar
verdadeiramente. E no que consiste o amor? No sacrifício! Olhemos para a nossa
maior prova de amor: a Cruz. O amor é a entrega total de si pelo outro, sem
egoísmo.
O que encontramos na
nossa realidade são pessoas pouco dispostas a realizar sacrifícios em suas
vidas, para viverem da forma que mais lhe dão prazer e por isso a cultura de
morte ganha mais força todos os dias. Precisamos ser a diferença, assim como
lemos no testemunho de vida desta mulher. Precisamos viver a vontade de Deus em
nossas vidas e ter a convicção de Santa Gianna e repetir todos os dias: “Ó, Jesus, prometo submeter-me inteiramente
a tudo que Tu permitires acontecer comigo, faça-me apenas conhecer a Tua
vontade”.
Deus nos abençoe!
(Letícia
Reis e Mariana Neves – Minions Católicos)

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