A Nova Funda de Davi



“tomou seu cajado e escolheu no regato cinco pedras lisas, pondo-as no alforje de pastor que lhe servia de bolsa”. (I Sm 17:40)

Caríssimos correspondentes em Cristo. A Paz e a proteção dos Santos Anjos! Com certeza vocês já devem ter ouvido, e lido muito sobre a história do Rei Davi e, de como escolheu cinco pedrinhas lisas, para batalha contra Golias (I Sm 17, 31 – 58). E com apenas uma pedra ele venceu, não só o gigante Golias, mas todo o exército dos filisteus que se armavam contra os filhos de Israel. Com certeza, já ouviram pregações comparando o que seria essas cinco pedrinhas nos dias de hoje. Gostaria de propor uma reflexão diferente...

Como essas cinco pedrinhas ainda existem? E como cada um de nós carregamos uma fundas de Davi em nossas mãos?

Vejam sabemos que a Sagrada Família (Jesus, Maria e José), são da linhagem da casa de Davi, como nos aponta os evangelistas (Mt 1, 1 – 17 e Lc 3, 23 – 38).
Maria nossa santa Mãe ouviu a saudação angélica (Lc 1, 26 – 36) e a saudação de sua prima santa Isabel (Lc 1:42). Assim a primeira parte da oração da Ave Maria é evangélica e a segunda parte passou a ser elaborada e revisada pelos séculos.
Destacamos entre elas três pessoas que contribuíram em lugares e épocas diferentes que são: Dois monges do século XV, São Bernardino de Senna e Venerável Gasparin Borro, que escreveram poemas em como é baseado a parte final dessa oração[i]. Ela aparece como complemento a oração pela primeira vez no 2º Catecismo de São Pedro Caníso, anos antes do Concílio de Trento[ii]. Após esse grande Concílio Ecumênico em que o doutor da Igreja participou (1545 – 1563), foi lançado entre os documentos do concílio um compilado chamado Catecismo do Concílio de Trento[iii], onde foi a primeira vez onde a oração da Ave Maria apareceu completa.
Bom mas o que isso tem a ver com as cinco pedrinhas? Fácil, onde nós mais rezamos a Ave Maria... SIIIMMMM no Terço... No Rosário. A Nova funda de Davi, com todas as cinco pedrinhas de uma vez é o nosso terço[iv]. Como a sempre Virgem Maria, é descendente de Davi, assim como José seu castíssimo esposo e Jesus nosso Senhor, trazem para nós mais esse presente, para podermos lutar e refletir, durante nossa caminhada. “O Poder que o Rosário tem de Inspirar Confiança em quem o reza, o tem também em mover à piedade para conosco no coração da Virgem!”[v]
Muitos podem achar o terço, longo, repetitivo e cansativo e dizer... “Ah, prefiro eu mesmo fazer minhas orações, prefiro eu mesmo rezar com o coração... E não ficar numa repetição de palavras”.

Para esclarecer isso vamos pedir ajuda aos doutores da Igreja e aos Papas?

Pois bem, caros correspondentes, Santo Agostinho nos ensina: “As palavras da oração nos ajudam a manter a atenção naquilo que desejamos, para não acontecer que, tendo começado a arrefecer, não se esfrie completamente”[vi]. Podemos entender que com mais firmeza as palavras de João Paulo II, quando disse “A Ave Maria é uma oração Cristológica”... “Rezar a Ave Maria é contemplar Jesus pelo olhar de Maria”[vii], por isso rezamos essa oração e rezamos ela de forma constante e frequente, repetindo-a, pois a cada repetição e recitação dessa oração Mariana, contemplamos pelo olhar de Maria os mistérios da Encarnação de Jesus, seu carinho pela humanidade e a perseverança que Jesus, através da oração da mãe estendeu para toda nossa Igreja.
Santo Agostinho ainda complementa que: “Também orar por muito tempo não é o mesmo que orar com muitas palavras, como pensam alguns. Uma coisa é a palavra em excesso, outra a constância do afeto”[viii]. E ele conta que as orações devem ser breves como tiros, para que não percamos a atenção[ix].
Por isso quando rezamos o terço rezamos em cada mistério uma das cinco Pedras, o Pai Nosso, oração completa de Fé, Esperança e Caridade, que até nos defende do mal e sem ter muitas palavras[x], seguindo de cinquenta Ave-Marias. Quando rezamos, pegamos as pedrinhas de Davi em sua funda, estamos intimamente ligados com o Saltério (a oração dos 150 Salmos)[xi] Compostas por ordem de Davi, não se esqueçam.
“E quanto mais nos fixarmos a nossa atenção a natureza íntima do Rosário, mais claramente se manifesta em nós a sua excelência e humildade”[xii]. E como a Virgem Maria penetrou na mais profunda sabedoria divina[xiii], através da contemplação de todos os mistérios nós aprendemos: “Os Desígnios de Deus, Os Desígnios da Sabedoria e Os Desígnios da Misericórdia”[xiv]
Por isso quando rezamos o Rosário, O terço e em cada Ave Maria, levantamos essa nova funda para suplicar nos auxiliar, nos proteger, e para que “sejamos dignos das promessas de Cristo!” E quanto deve ser agradável para ela, ouvir-nos, ver-nos enquanto a cada giro dessa funda, nós externamos súplicas e louvores a ela e, dando a Glória que é devida a Deus.

Vamos rezar com Maria!?!

“Se voltarmos a repetir dez, vinte, tantas vezes a mesma saudação a Maria, é por que nossa oração fraca e defeituosa, seja fortalecida pela confiança necessária que nasce em nós pensando em Maria, e ela mais do que rezar por nós reza em nosso Nome” (Venerável Leão XIII Iacunda Semper)[xv]


Que os Anjos Vos Zelem e Vos Guardem! Salve Maria!
Derlei Andriotta – Minions Católicos


[i](VÁRIOS) Enciclopédia Católica.

[ii](Pedro Canísio.) Catecismo Trilingue de Pedro Canísio. E (Bento XVI) Doutores da Igreja Catequese

[iii](Pio V) Também chamado de Catecismo Romano, a versão anterior a atual versão do Catecismo da Igreja Católica Apostólica Romana.

[iv](Pe. Antônio Maria S.J.) Sermões sobre nossa Senhora e (Pe. João Alape) Homilia de 9 de outubro de 17

[v](Leão XIII) O Rosário Mariano e a tarefa de medianeira.

[vi](Agostinho) Carta a Proba Ep. 130,

[vii](João Paulo II) Rosário da Virgem Maria

[viii](Agostinho) Carta a Proba Ep. 130,

[ix](Agostinho) Carta a Proba Ep. 130,

[x](Agostinho) Carta a Proba Ep. 130,

[xi](VÁRIOS) Enciclopédia Católica. David pode ter composto alguns Salmos, mas a maioria foi composta em seu nome. Ou seja, a pedido do Rei David

[xii](Leão XIII) O Rosário Mariano e a tarefa de medianeira. 

[xiii](Leão XIII) O Rosário Mariano e a tarefa de medianeira.

[xiv](Bernardo de Claraval) Homilia da Natividade

[xv](Leão XIII) O Rosário Mariano e a tarefa de medianeira.


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