Dando
continuidade ao nosso aprofundamento sobre as virtudes, hoje nós vamos falar
sobre a virtude da Prudência, ou como é conhecida: a mãe de todas as virtudes,
porque só através dela todas as outras poderão se manifestar plenamente.
O
Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 1806, diz que a prudência é a virtude que
dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro
bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo. E segue explicando do que escreve Santo
Tomás na Suma Teológica a prudência é a “regra certa da ação”. Não
se confundo com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou a
dissimulação(...) conduz a outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida.
A
prudência cuida dos nossos atos para que eles nos levem ao nosso objetivo
final: o céu! Numa formação do Padre Paulo Ricardo ele fala sobre a falta de
objetivo nas pessoas no mundo atual e do quanto se parou de falar sobre o céu.
Ora, nós devemos buscar o céu a todos os momentos e nos repugnar do que nos
afasta dele. Essa é a nossa essência enquanto cristãos. A caminhada para a
morada eterna junto do pai! E o que pode nos encaminhar para lá senão todas as
boas ações em nome do Senhor?
Somente
através dessa virtude podemos discernir o que é mais importante. A prudência
também nos impele a avaliarmos todas as situações com maior cuidado e isso leva
um certo tempo, este pode ser bem longo em alguns casos.
Nesse
mundo de mensagens instantâneas transferidas a qualquer parte num clique nos
oferece muitas vezes informações errôneas, chateações desnecessárias ou até
aquela oferta do “produto espetacular” que você nunca sentiu a menor falta até
aquele determinado momento. Com tudo isso, nós estamos perdemos o foco! Ter a
virtude da prudência significa saber avaliar todas essas situações com o foco
na eternidade.
É
um esforço contínuo, mas que só por ele as outras virtudes poderão se
manifestar, pois é pela virtude da prudência que as demais se afloram.
Nos
últimos meses tenho vivido uma experiência concreta nesse caminho em busca da
virtude da prudência. Estou vivendo um processo de discernimento de namoro.
Quando o moço e eu conversamos pela primeira vez sobre o assunto o calendário
marcava: maio, e combinamos de rezar por isso. Nos aproximamos enquanto amigos
e mantivemos a nossa posição, era preciso rezar, não havia nada o que
pudéssemos conversar e assim fizemos por cinco meses. Não tratamos em nenhum
momento sobre o assunto, até que em um dia decidimos conversar. O intervalo
entre uma conversa e outra foi de extrema renovação pra mim, o cuidado de Deus
foi muito grande ao me fazer enfrentar com firmeza e obediência todas aqueles
meses, quando em outro momento eu não saberia esperar nem alguns dias. Eu
aprendi com a prudência a esperar, não uma espera passiva, mas uma espera de
contato constante com Deus. Eu me aproximei muito mais da oração nesse período,
e as próprias orações conformaram o combustível capaz de me manter perseverante
nesse caminho.
Hoje
vejo que estamos tentando caminhar através da prudência, pois nós não estamos
seguindo uma atração física ou uma paixão qualquer, nós estamos buscando
entender se esse é o propósito de Deus para as nossas vidas. Se estarmos juntos
for para trilharmos um caminho de santidade, que nos fará chegar ao céu nós
saberemos se for essa a vontade do Senhor! Quando duas pessoas se unem, Deus
deve ser o centro, e o objetivo da união deve ser acima de tudo, amar
profundamente o outro a ponto de querer o maior bem que pode haver que é o céu!
Unidos o casal deve caminhar para o céu. Devemos buscar sermos virtuosos e
primeiramente se esforçar mais ainda no que tange à virtude da prudência, pois
ela é que também guiará um namoro casto e santo o qual se transformará um dia
num matrimônio santo e frutuoso.
A
Palavra de Deus nos diz sobre a prudência e a prática das virtudes: Sede portanto, prudentes e vigiai na oração.
Somente baseados na oração nós estaremos de fato atentos ao que o Senhor
nos orienta e poderemos assim tomar decisões verdadeiramente virtuosas. No que
segue podemos ver a advertência de São Pedro: Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a
caridade cobre a multidão dos pecados. Exercei a hospitalidade uns para com os
outros, sem murmuração. Se buscamos viver a santidade, se buscamos o céu em
nossas ações devemos nos basear na caridade, no amor. Fazer tudo com disposição
e entrega para que os outros também possam sentir o amor de Deus e assim também
viver, pelas virtudes, a graça do Pai. É nisto justamente que se trata a
continuação da passagem: Como bons
dispensadores das diversas graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição
dos outros o dom que recebeu: a palavra, para anunciar as mensagens de Deus; um
ministério, para exercê-lo com uma força divina, a fim de que em todas as
coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo. A ele seja dada a glória e o
poder por toda a eternidade! Amém (I Pe 4,7-11).
Tenhamos,
então, queridos irmãos, despertados em nós o desejo das coisas do alto. Façamos
de nossas vidas uma caminhada rumo ao céu, pedindo a Deus Pai a graça de bem
viver das virtudes. Que todas as nossas ações sejam para a glória do Senhor,
que elas nos encaminhem, pelos meios corretos, a alcançar o nosso verdadeiro
bem.
São
Domingos Sávio tão jovem santo, que tanto repudiou o pecado, intercessor da
juventude, disse: “Não posso fazer
grandes coisas. Mas quero que tudo o que faço, mesmo a menor das coisas, seja
para a maior glória de Deus“. Peçamos à Deus, pela intercessão de São
Domingos Sávio, que sejamos prudentes em nossas ações a fim de glorificá-lo
ainda em vida terrena, para quando chegar a nossa hora possamos contemplá-lo
face a face na vida eterna!
(Deise
Lima – Minions Católicos)

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