São Francisco Xavier





"Oh! Como é enorme o número dos que excluídos do céu, por vossa culpa se precipitam nos infernos!"[1]

Caros correspondentes em Cristo. A paz do Senhor dos Anjos, com a suavidade da mãe!
Todos sentem o clamor por Deus, principalmente quando saímos da missa, de um retiro ou de um evento de evangelização. Todos temos esse clamor de evangelizar na casa, na escola, nas ruas. Será que fazemos mesmo? E se nos fosse pedido para evangelizar em outro estado, outro país. Um colaborador do nosso blog o Rodrigo, aceitou a missão e está no Uruguai, com o diploma em um excelente curso no exterior, não hesitou em ir, seguiu os desígnios do Senhor. Coragem não é mesmo? Teríamos coragem de ir a outro país, ao Uruguai, a China, a Síria ou a Líbia? Ou ao Myanmar que passou por uma forte violência civil? Só pra avisar o Papa Francisco tem essa coragem...;)
Isso sempre me faz refletir, a onde temos coragem de evangelizar. Na reflexão da Liturgia de terça e quarta aqui do blog, as nossas redatoras compartilharam momentos de evangelização. Uma delas presenciou o amigo convidando um morador de rua para ir num evento de evangelização, o que feliz comovido agradeceu, pois ninguém havia convidado para nada por muito tempo. O nosso bispo D. Júlio, compartilhou um lindo testemunho de um simples ato de evangelizar.
Muitas vezes não sabemos como seguir a Cristo como atender o seu chamado.  São Paulo nos fala que: “Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus” (Rm 8:28). Temos coragem de seguir de atender esse chamado. Muitas vezes podemos evangelizar com nossas atitudes, pois “Para mim o bem é aderir a Deus (Sl 72/73,28). Praticando as obras de misericórdia podemos realizar um apostolado de evangelização.
Entretanto alguns são chamados a exercer esse apostolado de outra forma. Já que “o objetivo do apostolado, diz que foram enviados por ele, como ele o fora pelo Pai e soubessem ter recebido a missão de chamar os pecadores à conversão; de curar os doentes de corpo e de espírito; de não procurar, no ministério, sua vontade, mas a daquele por quem foram enviados; e de salvar o mundo por sua doutrina![2]
É bem verdade que a Igreja em sua hierarquia não tem mais o título solene e formal de apóstolo. Entretanto considera os bispos como sucessores dos apóstolos[3]. Entretanto a alguns cristãos, beatos e santos são concedidos após seu falecimento o título de apóstolo em reconhecimento a seu caráter evangelizador, caritativo e de vivenciar a conversão própria e dos outros de forma heroica[4].
Assim foi com São Francisco Xavier, cuja festa celebramos dia 03 de Dezembro. Um dos primeiros seguidores e amigo de Santo Inácio de Loyola e junto a ele e outros companheiros fundaram a Companhia de Jesus – os Jesuítas, para saber mais leiam a parte I, II e III dedicada a santo Inácio e aos Jesuítas.
Pois bem acontecia o Rei de Portugal D. João III, ficou muito admirado com essa nova ordem e por volta dos anos 1538, pediu ao Papa Paulo III que concedesse missionários dessa nova ordem para evangelizar nas Índias e o extremo Oriente. Atendendo o pedido papal Inácio só podia dispor de dois padres, entretanto um de seus escolhidos adoeceu e o único que sobrará em Roma era Francisco Xavier. Quando Inácio “apresentou lhe o caso”, Francisco respondeu “Pues, heme aqui, vamo” (Aqui estou vamos)[5]
E assim de bate pronto, com as vestes finas e uma flanela dada por insistência de Sto. Inácio, Francisco Xavier partiu para as índias, “Forçado e esforçado da caridade de Cristo, como o Apóstolo das Gentes (2Cor. 5, 14), sentia-se chamado a explorar e desbravar e lançar à terra as primeiras sementes, deixando aos continuadores da sua obra o cuidado de regar e cultivar e colher os frutos”.[6]
E Francisco chegando primeiramente em Goa estabelece um frutífero apostolado. Onde seus trabalhos eram constantes: “Desde que aqui cheguei, não parei um instante: visitando com frequência as aldeias, lavando na água sagrada os meninos não batizados. Assim, purifiquei grandíssimo número de crianças que, como se diz, não sabem absolutamente distinguir entre a direita e a esquerda. Estas crianças não me permitiram recitar ofício divino, nem comer, nem dormir, enquanto não lhes ensinasse alguma oração; foi assim que comecei a perceber que delas é o reino dos céus.”[7]
Vejam a maravilha em que é evangelizar, notem que uma pessoa poderia dizer, não tenho que rezar, devo rezar pela conversão dos outros; mas deixamos de demonstrar e ensinar como se faz isso. Devemos sim fazer esse sacrifício. E com certeza Francisco Xavier seguiu os ensinamentos do seu superior Sto. Inácio de ajudar e evangelizar os que ainda não sabiam.

Esperem! Não se esqueçam que Francisco Xavier mal sabia as línguas daquele lugar, converteu e catequizou nativos da Índia, Malaca, Siri Lanka, Japão[8]. Onde passou por todas as adversidades, como enfermidades, alimentação, costumes e climas locais e que também correu risco de vida. E “como não podia, sem culpa, recusar pedido tão santo, começando pelo testemunho do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinava-lhes o Símbolo dos Apóstolos, o Pai-nosso e a Ave-Maria. Observei que são muito inteligentes; se houvesse quem os instruísse nos preceitos cristãos, não duvido que seriam excelentes cristãos”[9]
Francisco Xavier deve ter levado muito a sério o argumento que o convenceu a seguir Sto. Inácio: “"De que vale a um homem ganhar o mundo inteiro se perder sua alma? Ao passo que, perdendo a vida no seguimento de Cristo, o homem se tornará rico em Cristo”[10]. E com penhor evangelizou e catequizou, convertendo até samurais. Segundo Pio XII, depois do Apóstolo Paulo ninguém converteu mais pessoas do que Francisco Xavier, “dando a Ásia seu segundo Apóstolo”[11]
Com muito Mérito Francisco é reconhecido até por outros santos com São Vicente de Paulo que recomenda “O vosso primeiro cuidado seja modelar os vossos passos pelo exemplo do grande S. Francisco Xavier”[12]. Inácio tinha esperanças que Francisco Xavier o sucedesse como superior da Ordem dos Jesuítas, chegando a enviar uma carta que retornasse à Roma para cumprir esse propósito. Entretanto a carta chegará após a morte dele.[13] E a vontade de Xavier era de: “ir pelas academias da Europa, particularmente a de Paris, e por toda a parte gritar como louco e sacudir aqueles que têm mais ciência do que caridade, clamando: "Oh! Como é enorme o número dos que excluídos do céu, por vossa culpa se precipitam nos infernos!"[14]
“Ninguém se arroga esta honra, mas quem foi chamado por Deus (Hb 5,4). Pois nosso Senhor Jesus Cristo chamou ao nobilíssimo apostolado, antes de todos os outros, os seus discípulos”[15]. Francisco Xavier viveu ardentemente as chagas de Jesus exercido em seu apostolado, por isso é tido como patrono do Apostolado da Oração.
Que possamos viver com alegria o nosso apostolado a Exemplo de Francisco Xavier grande patrono dos missionários, do Apostolado da Oração e da Ásia.

“Poucos anos volvidos, os mil cristãos que ele lá deixara, crescem a setecentos ou oitocentos mil, aspirantes todos a virtude heróica e sedentos de martírio. E a perseguição rebenta. Duzentos e cinquenta anos de perseguição implacável, metódica, refinadamente cruel, uma das mais terríveis que nunca sofreu a Igreja. Então os fiéis, pela pena de um deles, « dão graças a Deus de que pelos méritos do Padre Mestre Francisco e pela Misericórdia divina, agora são verdadeiros discípulos de Jesus Crucificado, e esperam sê-lo constantes até ao fim!”[16]

Oração das Cinco Chagas (São Francisco Xavier)
Meu Senhor Jesus Cristo, em cuja mão são todas as coisas, e ninguém pode resistir à sua vontade, que você se dignou a nascer, morrer e ser ressuscitado: o mistério do seu Corpo Santo, e as cinco chagas, e o derramamento de o seu precioso sangue.
Lamente para nós, como você sabe o que você precisa em nossas almas e em nossos corpos; livra-nos das tentações do diabo e tudo que você ver que nos aflige; e conserva-nos e fortalece-nos até o fim, em seu serviço, e dar-nos uma verdadeira alteração, e espaço de verdadeiro arrependimento e perdão de todos os pecados após a morte; e fazer-nos a amar os nossos irmãos, irmãs, amigos e inimigos; e com todos os santos regozijar para sempre no seu reino, com Deus Pai e o Espírito Santo vive e reinado, Deus para todo o sempre. Amém.
Derlei Andriotta – Minions Católicos



[1]Das Cartas a Santo Inácio, de São Francisco Xavier, presbítero (E Vita Francisci Xaverii, auctore H. Tursellini, Romae, 1596, Lib. 4) 

[2](São Cirilo de Alexandria) Do Comentário sobre o Evangelho de João, Lib. 12,1

[3](João Paulo II) Catecismo da igreja Católica 861 - 862

[4]José de Anchieta antes mesmo de sua beatificação era reconhecido popularmente com apóstolo do Brasil e posteriormente em sua beatificação foi denominado como apóstolo do nosso país.

[5](Plínio Solimões) Santo Inácio de Loyola o Guerreiro de Cristo

[6](Pio XII) Aos Fiéis De Goa Por Ocasião Das Celebrações Em Honra De São Francisco Xavier, 03 de dezembro de 1952 - Discorsi e Radiomessaggi di Sua Santità Pio XII, vol XIV, pág. 403-409.

[7]Das Cartas a Santo Inácio, de São Francisco Xavier, presbítero (E Vita Francisci Xaverii, auctore H. Tursellini, Romae, 1596, Lib. 4)

[8]O Japão ainda vivia no regime fechado de Shogunato, o que era mortal para qualquer cultura e religião que não fosse a autorizada pelos Soguns do Imperador

[9]Das Cartas a Santo Inácio, de São Francisco Xavier, presbítero (E Vita Francisci Xaverii, auctore H. Tursellini, Romae, 1596, Lib. 4, epist. 4) 

[10](Inácio) autobiografia, Santo Inácio completa a frase dita por Jesus em Marcos 8:36.

[11](Pio XII) Aos Fiéis De Goa Por Ocasião Das Celebrações Em Honra De São Francisco Xavier,

[12]Idem

[13](Inácio) Cartas escolhidas

[14]Das Cartas a Santo Inácio, de São Francisco Xavier, presbítero (E Vita Francisci Xaverii, auctore H. Tursellini, Romae, 1596, Lib. 4, epist. 4 [1542] et 5 [1544]) 

[15](São Cirilo de Alexandria) Do Comentário sobre o Evangelho de João, Lib. 12,1: PG 74,707-710

[16](Pio XII) Aos Fiéis De Goa Por Ocasião Das Celebrações Em Honra De São Francisco Xavier

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