Sou inspirado pelo Espirito Santo e ele fala em mim! Sei frases e vidas de alguns santos! E sobretudo sei boas passagens da Bíblia de Cor... Com isso faço orações e pregações ungidas... E se Deus “fala” comigo e por Ele eu CURO... Então por que devo conhecer e ler os Documentos da Igreja?
Série sobre os documentos da Igreja – Parte II: A Luz de Cristo pelos documentos Papais
“Quem deve te ensinar como reter o Cristo, senão a santa Igreja? Ou melhor, já ensinou!” (Santo Ambrósio)[1]
Caros Correspondentes em Cristo,
alguma vez você também já pensou ou se assumiu assim? Também? Pois confesso que
tomado pela soberba, muitas e muitas vezes, eu achava que o “Espírito Santo”,
proveria todo meu conhecimento e ele falaria por nós, pois “Com efeito, o
Espírito do Senhor enche o universo, e ele, que tem unidas todas as coisas,
ouve toda voz.” (Sb. 1:7).
Então por que devemos nos
preocupar em estudar e em nos prepararmos, basta uns minutos de adoração e uma
rezadinha no santíssimo e pronto “Deus fala por mim!” E aí é só abrir a Bíblia
(antes ou na hora mesmo) e o Espírito Santo age. E tudo ocorre segundo a
“vontade de Deus’ e muitos são tocados e curados!
Sim como vós eu também acredito
que Deus age! E Deus é tão misericordioso que mesmo em nosso despreparo e
tomados pela soberba, O Senhor vai nos utilizar como ferramentas, até por que:
“o Altíssimo possui toda a ciência! Ele manifesta o passado e o futuro e revela
as coisas ocultas. Nenhum pensamento lhe escapa e nenhuma palavra lhe fica
escondida” (Eclo 42, 19 -20). E ele prova a sua misericórdia.
Caso não estudemos, não conheceremos
e aí não estaremos de acordo com que orienta a Santa Madre Igreja! E caímos no
risco de cometer o erro que uma personagem histórica fez, sabe quem? Martim
Lutero! Que entre suas teses pregava que não era preciso ler, conhecer e
compreender qualquer documento da igreja ou sua teologia para pregar e alcançar
a salvação. Segundo ele só a Fé e a Escritura[2]
já eram o começo da Salvação... Compreendem o problema? Quando nós negamos, ou
nos omitimos de conhecer e estudar os documentos da Igreja – sobretudo os Papais,
não estaremos em comunhão plena com nosso Deus.
A importância dos Documentos e
dos primeiros Santos Padres (patrística), dos primeiros Papas se vem “não foi seguindo
fábulas habilmente inventadas que vos demos a conhecer o poder e a vinda de
nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim, por termos sido testemunhas oculares da sua
majestade” (1Pd 1:16). Portanto os Cristãos dos primeiros séculos
que conheceram a Cristo pessoalmente e transmitiram aos seus discípulos e
apóstolos por pregações orais e escritas, combateram muito dessas fábulas!
Omitir ou não reconhecer esses
documentos é negar o ministério que Cristo proferiu aos Apóstolos e aos
Discípulos. Notem que o apóstolo João Evangelista (que viveu cerca de cem anos)
quando também diz: “nós ouvimos, o que vimos com os nossos olhos e as nossas
mãos tocaram” e “anunciamos para que estejam em comunhão conosco” (1 Jo 1, 1.3)
e ele muitas vezes finaliza chamando os seus discípulos de “meus filhinhos” e
completa “escrevo isso para que não pequeis” (1Jo 2:1).
Tenhamos então Humildade para não
pecar e procurar conhecer ainda mais a Deus, pois somos responsáveis pelas
Almas que educamos: "o Espírito Santo educador (das almas) fugirá da falsidade,
afastar-se-á dos pensamentos insensatos, e a iniquidade que sobrevém o
repelirá." (Sb 1:7)
Na primeira parte (https://blogminionscatolicos.blogspot.com.br/2018/01/o-que-eu-sei-sobre-igreja-catolica.html),
comentamos a importância dos documentos da Igreja. Hoje falaremos um pouco dos
Documentos Papais, da Santa Sé, dos primeiros santos entre outros. De forma
breve pois futuramente iremos aprofundar alguns como de Patrística ou da CNBB
·
Documentos
Papais – documentos formulados, expedidos, organizados ou revisados e
autorizados pelo Papa. Em geral decorrem de uma série de Estudos do próprio
Pontífice ou provém de reuniões como Concílios, Sínodos ou Consistórios. Os
Documentos Papais servem para orientar, conduzir, posicionar e direcionar a
Igreja e os fieis em questões de Fé e de Moral, visto que para nós Católicos a
Sagrada Escritura é fielmente interpretada pelo Magistério da Igreja através do
Papa, dos Bispos e dos Santos.
o
Constituição Dogmática: É documento mais solene
e importante, pois proclama um Dogma qual faz parte da nossa Fé, como o Munificentissimus
Deus – Sobre a Ascensão de Nossa Senhora como o. Muitas vezes Uma Constituição
Dogmática vem fortalecer e esclarecer um Dogma de Fé, como é o caso do Pastor
Aeternus que reforça as questões do Primado de Pedro (clique aqui para saber
mais: https://blogminionscatolicos.blogspot.com.br/2017/06/dogmas-sobre-o-papa-e-igreja-parte-1.html)
o
Constituição
Apostólica: Também voltada aos Dogmas, mas em sua parte prática e de
atuação, como a Constituição sobre a Cúria Romana (Pastor Bônus) de João Paulo
II, que organiza e descreve a Cúria da ICAR, de acordo com a a Constituição
Dogmática Lumem Gentium (Sobre a Igreja), ou Constituições de novas Diocese,
arquidioceses, Eparquias, Arquiparquias ou Províncias Eclesiásticas
o
Bula
é um documento assim chamado muito mais pela sua forma de apresentação do que
propriamente o conteúdo próprio. Sendo que as de maior importância têm,
pendentes de cordões coloridos, um globo de chumbo no qual está gravada a
imagem das cabeças de São Pedro e São Paulo[3].
A Bula pode ser utilizada de acordo com o assunto, a solenidade, a importância,
a autoridade, a ocasião, ou mesmo aprovação de uma ordem, pastoral ou
movimento, de acordo com que o Papa convir melhor. Por exemplo o Papa Pio IX
Proclamou a Constituição Dogmática sobre a Imaculada Conceição na bula
Ineffabilis Deus. A Companhia de Jesus foi reconhecida e aprovada por uma Bula
de Paulo III.
o
Breve (ou
bula breve): Documento curto, que trata de questões privadas, como
dispensas, autorizações ou mesmo para responder uma petição feita a Santa Sé.
o
Motu
Próprio: Documento que o próprio Papa expede, tendo total conhecimento das
causas de origem, da função e da finalidade do documento. Serve para abordar
temas importantes, aprovar documentos ou aplicar reformas legislativas. Muitas
vezes o Motu Próprio pode estar em uma Breve, uma Carta Apostólica, ou em um
Decreto/Edito. O Papa Francisco promoveu duas reformas Canônicas em forma de Motu
Proprio: Sobre o processo de nulidade matrimonial[4]
e sobre a Sagrada Liturgia[5]
o
Encíclica:
Particularmente o documento que mais gosto de ler. É uma carta a todos os fiéis
contento orientações e recomendações da fé com assuntos doutrinários.
Elucidando o que a nossa Fé ensina e ao mesmo tempo refutando formas contrárias
a doutrina da ICAR. Portanto as Encíclicas não contêm novas definições de
Dogmas, mas orientam e fortalecem os Dogmas existente e aprofundam sua crença
através da prática da doutrina. Elas podem ser dirigidas a todos os Fieis (como
de costume) ou e casos específicos para uma determina Nação/Povo – e assim
escrita e Latim e na língua dos destinatários como é da Non abbiamo bisogno de
Pio XI sobre o fascismo na Itália ou A Igreja no Brasil de Leão XIII[6].
As Encíclicas podem ser:
§
Sobre a
doutrina: Que vai ser extensamente debatida no documento, como a Encíclica
Sobre a Esperança Cristã de Bento XVI[7].
§
Exortação:
Sobre temas espirituais para ajudar os fieis em sua vida devocional.
Exemplo a Encíclica Rosário da Virgem Maria do São João Paulo II[8].
§
Disciplinar:
Tratam de questões particulares, disciplinares ou práticas, como a Príncipe
dos Pastores do São João XXIII[9]
§
Sociais: Trata
de temas sociais, como justiça, igualdade, equidade, saúde, habitação, direitos
básicos, teve início com a Encíclica: Sobre as Coisas Novas do Venerável Leão
XIII[10]
ou A Laudato si do Papa Francisco[11]
o
Exortação
Apostólica: São recomendações dirigidas com ênfase para determinados
assuntos ou grupo de pessoas (Clero, Congregações, Ordens, fieis, por exemplo).
As duas Cartas mais recentes redigidas pelo Papa Francisco Evangelii Gaudium
(Sobre o Anuncio do Evangelho) e Amoris Laetitia (Alegria do Amor). São
Dirigidas a Igreja como um todo, sobretudo aos leigos pois tratam de uma Igreja
de saída e sobre a Família e sua relação com a ICAR
o
Carta
Apostólica: é um documento que tanto pode tratar de matéria doutrinaria
sobre como deve ser observada como a: Ordenações Sacerdotais, de São João Paulo
II (1994), Administrativa onde torna uma igreja título cardinalício, como para
Proclamação de Beatos, santos ou doutores da Igreja como a Exulta, feliz
Lusitania de Pio XII[12]
o
Mensagens,
Discursos, Homilias e Catequeses: O Papa faz regularmente uma séries de
pronunciamentos, todos eles relevantes a nossa fé, no entanto são mais
reflexivos.
§
Mensagens:
Em geral, curtas e médias, são mensagem de apoio, muitas vezes pessoal, ou de
parabenizarão, a grupo de pessoas, profissões, institutos ou ordens.
§
Discursos:
Em geral quando alguma organização do Vaticano se reúne como Pontifícia
Academia de Ciência, ou alguns profissionais se reúnem no Vaticano com o Papa
ele profere discurso para determinado grupo.
§
Homilias:
Tradicionais sermões realizados nas missas papais.
§
Angelus/Regina
Caeli: Quando o Papa após essas orações promove breves ensinamentos e
reflexões
§
Catequeses:
Geralmente faladas nas audiências, onde toda semana o papa promove uma
catequese que pode ser única ou sequencial, podendo se estender ao longo dos
anos. Por exemplo o Papa Bento XVI fez uma série de catequeses sobre as Beatas,
Santas e Teólogas da Igreja na Idade Média. Atualmente o Papa Francisco está
fazendo uma série de catequeses sobre a missa.
o
Documentos
da Cúria Romana: Emitido pelas Congregações e ou Tribunais apostólicos da
Santa Sé – em geral presidido pelos Cardeais. Contém normas, diretrizes,
resoluções, sentenças sobre como a Igreja deve se portar e está em consonância
com o Papa e harmonia com o Magistério da Igreja Católica. Em destaque os
Documentos da Penitenciaria Apostólica que orientam sobre as Indulgencias. Ou
da Congregação do Divino Culto sobre as regras litúrgicas.
Nas próximas semanas serão abordados
os documentos pastorais e documento e vida dos santos medievais e modernos.
Caros Correspondentes, que este material seja proveniente para sua sede de
Sabedoria e possamos aprender e enriquecer nosso conhecimento conforme o
apóstolo Pedro recomenda:
“Antes procurai crescer na graça e no conhecimento de nosso
Senhor e salvador Jesus Cristo” (1 Pd 3:18). “Por isso mesmo, dedicai todo o
esforço em juntar à vossa fé a virtude, à virtude o conhecimento, ao
conhecimento o autodomínio, ao autodomínio a perseverança, à perseverança a
piedade, à piedade o amor fraterno. Se estas virtudes existirem e crescerem em
vós, não vos deixarão vazios e estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus
Cristo” (1Pd 2, 5 – 9).
Derlei
Andriotta – Minions Católicos
[1] (Santo Ambrósio) Do Livro
sobre a Virgindade
[2] Lutero entre as suas 95
teses prega as chamadas 5 solas – do Latim somente 5 coisas: Somente A Fé,
Somente a Escritura, Somente Cristo, Somente a Graça, Glória Somente a Deus.
Cf. (Sheffener, Fernando) Da Reforma a Contra Reforma e, (Varela, Alexandre;
Varela Viviane) As grandes mentiras que contam sobre a Igreja Católica
[3] (Dom Estevão Bittencourt) Revista
“Pergunte e Responderemos” (Nº 483 – Ano: 2002)
[4] (Papa Francisco) Mitis Et
Misericors Iesus Sobre A Reforma Do Processo Canónico Para As Causas De
Declaração De Nulidade Do Matrimónio
[5] (Papa Francisco) Magnum
Principium com a qual modificou o cân.
838 do Código De Direito Canônico
[6] (Leão XIII) Litteras a
Vobis
[7] O Documento refere sobre
como devemos colocar a Nossa Esperança em Deus e no que ensina a nossa Igreja,
não em ideologias, sistemas de governo ou de consumo.
[8] Essa encíclica que
acrescentou os mistérios da Luz (luminosos) na oração do Rosário
[9] Trata sobre as Missões
Católicas
[10] A Encíclica mais citada e
revidada pelo Papado, inaugurou a doutrina social da Igreja
[11] Carta que fala sobre o
cuidado da casa comum, ou seja da Natureza e todas as obras da Criação
[12] Carta que proclamou santo
Antônio como Doutor da Igreja

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