Evangelho - Mt 6: 7-15

O tempo litúrgico da Igreja em que vivemos hoje nos convida a viver um tempo profundo de reflexão e escuta da voz de Deus. Essa semana o Papa Francisco disse que a quaresma não é um tempo de tristeza, refletindo essa fala do sucessor de Pedro é possível lembrarmos de que costumeiramente fazemos deste tempo, um tempo de tristeza, quando na verdade é um tempo de “retiro”, onde eu tento sair um pouco dos barulhos do mundo e de minha zona de conforto para ouvir a voz de Deus que quer falar aos nossos corações. Mas, não podemos confundir silêncio e reflexão com tristeza, nós somos chamados o tempo todo a viver a alegria que vem de Deus, a deixar refletir no nosso modo de se portar a figura do próprio Cristo que habita em nós.
O profeta Isaías na primeira leitura de hoje vem falar sobre a palavra do Senhor, ele diz assim: “Assim como chuva e neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra e fazê-la germinar e dar semente para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair da minha boca não voltará para mim vazia”. Imagine o seguinte, a palavra de Deus é a água, vivificante e transformadora, nós, ou melhor o nosso coração é como o deserto, árido, seco e duro. Quando o solo árido do deserto é tocado pela água brota ali uma plantinha. Observe os sertões onde as chuvas não são tão frequentes, basta uma garoazinha e as plantas começam a florescer, fica tudo verdinho, assim é a palavra de Deus em nós, transforma a nossa dureza em compreensão, o nosso amargor em doçura, faz aquilo que jamais conseguiríamos fazer se fosse a depender de nossa própria capacidade.
Jesus, no santo evangelho de hoje vem nos ensinar a oração universal, mas vou me ater ao que ele fala antes dessa parte. Muitas vezes nós queremos passar a nossa vida vivendo de encontros, de retiros, de emoções vazias, inconstantes, que se apagam facilmente. Queremos viver de aparências, passamos uma intimidade falsa com Deus que nós não temos. Na frente das pessoas nos ajoelhamos, gritamos, pulamos, viramos cambalhota, mas na intimidade do nosso quarto nós não falamos com Deus. Deus conhece os nossos corações, conhece intimamente nossas misérias, com Ele não há as máscaras que colocamos com as pessoas. Jesus hoje nos chama a sermos de verdade, de dentro de nossa inconstância e miséria, pare de mentir para si mesmo, seja de verdade.

(Agenor Ferraz – Minions Católicos)

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