“Família, torna-te
aquilo que és” (Familiaris Consortis – Exortação Apostólica de São João Paulo
II)
A família tem
sido, cotidianamente, colocada em cheque pela sociedade. Há uma inversão de
valores. E antes que você deduza algo sobre o assunto caro leitor. Quando falo
em inversão de valores não digo sobre homossexualismo, um suposto “comunismo”,
quando abordo este tema, falo em falta de amor, de perdão, de misericórdia, de
enxergar o outro como alguém que também precisa ser respeitado. Afinal, o
centro do Evangelho é o amor. E como bem nos disse o Papa Francisco: “quem
somos nós para julgar?”
Portanto, este
texto conduz-nos a refletirmos sobre uma família segundo o coração de Deus
através da Exortação Apostólica de São João Paulo II intitulada Familiaris
Consortis, com recorte para a terceira parte, a qual versa sobre os deveres da
família cristã. Na epígrafe acima, o convite é para que reconheçamos, enquanto
família, a nossa identidade em Deus e, nesta apropriação possamos revelar esse
amor que comunga da união entre o homem e a mulher, como narra os escritos de
Gênesis.
Desse modo, versa-se sobre quatro deveres gerais da
família: 1) a formação de uma comunidade de pessoas;
2) o serviço à vida; 3) a participação no desenvolvimento da sociedade; 4)
a participação na vida e na missão da Igreja; sobre este último discorrei de
modo mais preciso nas próximas linhas destes escritos.
Neste sentido, está entre os deveres
fundamentais da família o dever eclesial, cujo alicerce está orientado na
disposição em ofertar-se pela construção do Reino de Deus, para que o Evangelho
possa ser testemunhado através da vida. Portanto, “a família cristã é
chamada a tomar parte viva e responsável na missão da Igreja de modo próprio e
original, colocando-se ao serviço da Igreja e da sociedade no seu ser e agir,
enquanto comunidade íntima de vida e de amor” (São João Paulo II –
Familiaris Consortis).
Esse chamado de Deus à família cristã só se
constitui no/pelo amor, pois este é a centralidade da missão de Jesus e, o
convite àqueles que se dispõem a carregar suas cruzes diárias nesta sociedade
tão necessitada de uma experiência de Deus. “O Concílio Vaticano II
recorda-o quando escreve: «Cada família comunicará generosamente com as outras
as próprias riquezas espirituais. Por isso, a família cristã, nascida de um
matrimônio que é imagem e participação da aliança de amor entre Cristo e a
Igreja, manifestará a todos a presença viva do Salvador no mundo e a autêntica
natureza da Igreja, quer por meio do amor dos esposos, quer pela sua generosa
fecundidade, unidade e fidelidade, quer pela amável cooperação de todos os seus
membros» (119)” (São João Paulo II – Familiaris Consortis).
Eu poderia aqui discorrer sobre distintas formas
de participação da família na Igreja e na sociedade, mas nada superaria o amor.
Pois “ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver
caridade, sou como o bronze que soa ou como o címbalo que retine” (I Cor 13,
1). Seja amor por onde for. O mundo experimenta tanto de pessoas que só
sabem ofertar o pior. Você enquanto família cristã, oferte o melhor. Oferte
amor. Seja amor. Pois o amor “tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo
suporta” (I Cor 13, 7). E não deixe para amanhã. Deus quer o nosso hoje.
Mas, antes de tudo, abra-se a experiência no amor de Deus, este amor genuíno
que nos alcança e nos molda como vasos nas mãos do oleiro. Quando você
experimenta o amor de Deus, é a única coisa que consegue ofertar ao outro,
porque o Cristo que é amor, habita em teu coração. Seja amor!!
Manuela Evangelista - Minions Católicos

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