“A dignidade da mulher é
mensurada na medida em que ela ama” (São João Paulo II).
A mulher... Ser que Deus criou da costela do
homem para lhe ser sua companheira. “O
Senhor Deus disse: ‘Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar
que lhe seja adequada’” (Gn 2, 18). A mulher contemporânea que está a ler
este texto não se imagina no lugar de auxiliar, porque lhe parece uma ideia de
submissão. No entanto, “na origem da
palavra auxiliar – que vem do hebraico ezer
kenegdo –, encontramos seu real significado: socorro de Deus. podemos dizer então que o que Deus pretendia era
fazer um ‘socorro Dele’ para o homem” (SOARES, 2017, p. 22 grifos meus).
Retornemos, pois, ao título deste texto que,
nos convida a uma reflexão sobre a historicidade do papel da mulher na Igreja e
na sociedade; no entanto, seria impossível tratá-lo em um único texto, dada a
complexidade desta temática. Portanto, deter-me-ei em situações pontuais que
nos possibilite (re)pensar sobre o ser mulher no mundo, tendo em vista, a
construção da identidade feminina.
O marco histórico inicial, sem uma ordem
cronológica, é a Idade Média, em destaque por Santa Hildegarda de Bingen,
mulher que se distinguiu por sua forte espiritualidade e vida de oração.
Possuía visões místicas semelhante às dos Profetas do Antigo Testamento,
testemunhando a experiência que possuía com as sagradas escrituras. “Numa carta a São Bernardo, a mística renana confessa: «A
visão arrebata todo o meu
ser: não vejo com os olhos do corpo, mas aparece-me no espírito dos
mistérios... Conheço o significado profundo do
que está exposto no Saltério, nos Evangelhos e nos outros livros, que me são
mostrados na visão. Ela arde como uma chama no meu peito e na minha alma, e
ensina-me a compreender profundamente o texto»” (Epistolarium pars prima I-XC: CCCM 91 apud Bento XVI).
Estes belos escritos nos conduzem a perceber a
intelectualidade de Hildegarda e, o quanto ela contribuiu para os estudos
teológicos da época, escrevendo sobre medicina, ciências naturais, músicas e
compondo-as. E você pode estar a se questionar, cara leitora, como esta mulher
fez tanto, em um período da história conhecido como Idade das Trevas? Do mesmo
modo, você pode fazer muito, na constituição do seu ser mulher, nesta sociedade
machista e repleta de estereótipos. Assim como Santa Hildegarda, não pare nas
imposições sociais, saiba alçar novos voos. “Por
favor não pare, siga nessa direção...” (Não pare – Ana Gabriela). Pois, ser
santo é fazer bem àquilo que se dispõe.
E seguindo ao século XIII, temos Santa Clara,
cujo testemunho de vida revela as virtudes do ser cristão: humildade, penitência
e caridade. Soube doar-se na vida religiosa ao lado de São Francisco,
reiterando a relação com a etimologia da palavra “auxiliar” – socorro de Deus –. “Todo grande homem de Deus teve (tem) uma grande mulher de Deus ao seu
lado” (SOARES, 2017, p. 23). Seja você este socorro na vida daqueles que
ama. Assim como Santa Clara, saiba se recolher no silêncio da oração e,
interceder por àqueles que necessitam. “O
papel da mulher é de amar incondicionalmente o outro ao ponto de lhe dar a
vida. Todo ser humano tem a vocação do amor [...] São João Paulo II afirma na
Teologia do Corpo que a mulher não pode encontrar a si mesma senão doando amor
aos outros” (SOARES, 2017, p. 25). Seja amor...
Darei um salto na história da humanidade e,
ater-me-ei a Santa Teresa de Calcutá, mulher que deixou a vida nos conventos
para estar junto dos pobres. Não somente pobres financeiramente, mas,
principalmente, pobres por não conhecerem a misericórdia de Deus pelo olhar
bondoso de um irmão. Teresa quis ser bondade, quis se ofertar, quis se
mortificar por amor à Deus. Quando o mundo prega a individualidade, o
egocentrismo, esta mulher nos mostra que é possível sermos misericórdia, saindo
de nós mesmos, mortificando as nossas vaidades. A ternura desta mulher era
acalento de Deus para àqueles socialmente segregados. Seja carinho de Deus na
vida dos que ainda não experimentaram.
Eu poderia escrever uma dissertação de mestrado
e, talvez, não o fosse suficiente para construir esta linha do tempo sobre o
papel da mulher. No entanto, comum a todas estas citadas anteriormente, é a
presença de Nossa Senhora em suas vidas. As virtudes que, podemos construir na
nossa vida de santidade passam pelos ensinamentos de Maria. Por vezes,
precisamos abdicar dos nossos sonhos, para acolher os projetos de Deus e, Maria
também os tinha e, para fazer a vontade do Pai, entregou-se inteiramente dando
o seu SIM.
Independente do que hoje estejas enfrentando na
sua vida, Deus anseia pelo teu SIM, para que sua vontade possa se concretizar
na tua vida. É o teu hoje que precisas ofertar. É no hoje que precisar amar. É
no hoje que precisas mortificar os teus pecados. É no hoje que precisas buscar
romper àquela característica na sua personalidade que fere a si mesma e ao
outro. Mas entenda, você mulher, seja dona de si mesma. Deus é o seu Pai, mas
você, inspirada pelo Espírito Santo tem livre arbítrio. Saiba construir sua
trajetória de vida acadêmica, profissional, na Igreja. Saiba ser independente,
não por ser autossuficiente, mas por saber a necessidade de construir sua
própria identidade.
Referências
Bibliográficas
Ana Gabriela. Não pare. Disponível em: <https://www.vagalume.com.br/ana-gabriela/nao-pare.html>.
Acesso em: 04 mar 2018.
BENTO XVI. Audiência
geral. Sala Paulo VI. Libreria Editrice Vaticana, 2010. Disponível em:<https://w2.vatican.va/content/benedictxvi/pt/audiences/2010/documents/hf_benxvi_aud_20100908.html>.Acesso
em: 04 mar 2018.
BÍBLIA.
Português. Bíblia Sagrada Ave-Maria.
96 ed. São Paulo: Editora Ave Maria, Edição Claretiana, 2015.
SOARES,
Fernanda. A mulher segundo o coração de
Deus. 7 ed. Editora Canção Nova: Cachoeira Paulista, 2017.
Manuela
Evangelista - Minions Católicos

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