Vá e não peques mais!


E aí, meus queridos amigos. Tudo bem com vocês? Que a paz de Deus esteja sempre presente em nossos corações e o Espírito de Deus nos conduza a um encontro verdadeiro e profundo com a pessoa de Jesus Cristo.
Estamos nos aproximando do grande ápice da vida litúrgica na Igreja: o tríduo Pascal! E como está a nossa preparação espiritual para esta grandiosa celebração? Aproveitamos o tempo propício da Quaresma para confessarmos e arrependermos de nossos pecados? E, sobretudo, aproveitamos esse tempo da Quaresma para mudança de vida profunda e radicalmente?
Pois de nada adianta apenas pedirmos perdão à Deus de nossos pecados cometidos. É necessário uma conversão de vida sincera e verdadeira para que possamos adentar no átrio de Deus e ali habitarmos.
Obviamente, não devemos pedir perdão de nossos pecados somente no tempo da Quaresma. Mas esse é um tempo propício, justamente para arrependermos de nossas vidas transviadas, de nossos atos que nos distanciam da graça de Deus e para nos voltarmos à Ele.
Porém, de nada adianta o pedido de perdão de nossos pecados sem antes o sincero e profundo arrependimento dos mesmos. De nada adianta reconhecermos que somos miseráveis e pecadores, mas não nos arrependermos dos pecados. Uma coisa é reconhecer que precisa de perdão. Outra coisa é se arrepender dessas atitudes e desejar, do fundo da sua alma e do fundo do seu ser, não cometer tais pecados novamente.
Obviamente somos humanos e pecadores. Logicamente estamos sujeitos à falhas e quedas, novamente. Porém, não podemos viver sempre pedindo perdão sem termos dentro de nós o profundo desejo de não pecar mais.
A verdade é que eu estou cansado, irmãos. Eu estou, sinceramente, cansado de pecar. O pecado nos fere, mancha nossa dignidade, fere a nossa alma. O pecado traz em nós e também nos outros consequências ruins. O pecado nos distancia de Deus, de sua graça e de sua bondade. Porém, sabemos que as misericórdias de Deus se renovam a cada manhã (Lamentações 3, 20-23).
E nós não podemos mais alimentar o pecado. O que acontece na verdade é que nós pedimos perdão de nossos pecados, mas não temos o desejo profundo e sincero de não pecarmos mais. Nós temos os chamados “pecados de estimação”. Estes pecados de estimação são aqueles que nós somos habituados a cometer. São aqueles pecados nos quais sempre caímos. Em toda confissão nós os confessamos. Todas as vezes que nós vamos diante de um sacerdote da Igreja pedir pelo sacramento da Penitência e Reconciliação, proferimos os mesmos pecados. São aqueles pecados que não saem de nós e nós somos viciados em cometê-los, apesar de saber que é errado, diante de Deus.
Talvez muitos de nós ainda peque mais gravemente ainda: nós cometemos o pecado, mesmo sabendo que é pecado, e logo em seguida vamos pedir perdão diante de uma confissão, mas sabendo que alimentamos dentro de nós um desejo de cometê-lo novamente. O pensamento é: “basta pedir perdão pois Deus é misericordioso e se voltar a pecar novamente, Ele vai te perdoar e fica tudo certo!”. Muitos de nós caímos nesse vacilo, irmãos. E não podemos ser assim.
A eficácia do sacramento da Penitência está no arrependimento e no desejo de não voltar a errar mais, amparado pela graça de Deus e sustentado pelo seu Amor. Portanto, não podemos pecar com a ideia ilusória embutida em nós que “basta pedir perdão que tá tudo certo”. Não pode ser assim!
O que nós devemos buscar é a santidade, a perfeição e uma vida justa e correta (Mateus 5, 48). Portanto, não devemos alimentar tais atitudes. A conversão consiste justamente no desejo de não pecar mais. Embora saibamos que estamos sujeitos ao erro e ao pecado, devemos nos esforçar pela Graça do Senhor a não pecar! E não ficar pensando: “Ah, se pecar, tá tudo bem...” Não tá tudo bem. Você não foi feito para o pecado. Você foi feito para a Santidade. Portanto, o pecado não deve habitar em você!
Infelizmente, nós somos teimosos. Embora saibamos que é pecado, teimamos em fazer. Às vezes por impulsividade, por desobediência, por falta de coragem ou por carência mesmo. E aí que mora o perigo. Nós sabemos, ou seja, temos a razão, em conceitos de racionalidade, que tal atitude é pecado e mesmo assim cometemos.
O Catecismo da Igreja Católica define o pecado como sendo uma falta contra a razão, a verdade e a reta consciência. Na verdade, é uma falta ao amor verdadeiro que devemos à Deus. O São João Paulo II afirma que o pecado, mesmo sob a aparência de “bom” ou mesmo “agradável” é pecado e é um ato suicida. E, metaforicamente, suicidamos a alma quando cometemos o pecado revestido dessas aparências falsas.
Vejamos as consequências do pecado, segundo o CIC: O pecado mortal entranha a perda da caridade e a privação da graça santificante, quer dizer, do estado de graça. Sem o arrependimento do homem e o perdão de Deus, causa a morte eterna no inferno.
Observe a grave consequência do pecado: perda da caridade e privação da graça de Deus. Meus irmãos, quão grave consequência é o pecado em nós. Devemos ter repulsa ao pecado e apegarmos mais em Deus para que não pequemos novamente.
Temos a ciência de que Deus aceita o pecador e o ama integralmente, apesar dele ser pecador. Deus rejeito o pecado, mas acolhe o pecador. Deus te acolhe tal como você é.
Devemos pedir perdão de nossos pecados, pois agrada à Deus. O próprio Santo Padre, o papa Francisco, em sua homilia proferida no dia 06 de março de 2018, disse que o ato de confessar os pecados “agrada o Senhor, porque o Senhor recebe o coração contrito porque é como de Azarias, ‘não se sentirá frustrado quem põe em ti sua confiança’, o coração contrito que diz a verdade ao Senhor: ‘Eu fiz isso, Senhor. Pequei contra Ti’. O Senhor lhe tapa a boca, como o pai ao filho pródigo; não o deixa falar. O seu amor o cobre. Perdoa tudo”.
Porém, há outra condição que Deus perdoe os nossos pecados, além do sincero arrependimento e desejo de conversão: “O perdão de Deus vem forte em nós desde que nós perdoemos os outros”, segundo afirma o Sumo Pontífice.
E isso não é fácil. Perdoar o outro é difícil, é uma tarefa árdua. Porém, Francisco ainda recorda que devemos pensar: “Essas são as duas coisas que nos ajudarão a entender o caminho do perdão: ‘O Senhor é grande, mas infelizmente eu pequei’ e ‘Sim, eu o perdoo setenta vezes sete desde que você perdoe os outros’”.
Irmãos, tal como entregamos nossas vidas ao Senhor, é preciso também que entreguemos os nossos pecados, sem medo e sem vergonha. Não devemos ter vergonha do pecado. Devemos confessar o pecado com nome e sobrenome, como disse Francisco em 05 de dezembro de 2016. Não tenhamos vergonha. E nem tampouco coloquemos o nosso pecado por debaixo do tapete e fingimos que está tudo bem. Não devemos ignorar. Admita seus pecados e os entregue ao Senhor Deus.
O papa Francisco chegou a contar uma anedota para ilustrar como devemos entregar nossos pecados à Deus: “Um estudioso da Bíblia tinha um caráter muito forte, com momentos de ira e que pedia perdão ao Senhor: “O santo, falando com o Senhor, dizia: ‘Está feliz, Senhor?’ – ‘Não!’ – ‘Mas dei tudo!’ – ‘Não, falta alguma coisa…’. E este pobre homem fazia outra penitência, outra oração, outra vigília: ‘Dei-lhe isto Senhor. Está bom assim?’ – ‘Não! Falta alguma coisa…’ – ‘Mas o que falta, Senhor?’ – ‘Faltam os seus pecados! Dê-me os seus pecados!’. Isso é o que o Senhor pede a nós hoje: ‘Coragem! Dê-me os seus pecados e eu farei de você um novo homem e uma nova mulher’.
O Catecismo da Igreja Católica afirma que o Sacramento da Penitência para ter eficácia é necessária a contrição, que nada mais é que o firme propósito e desejo de não cometer os pecados novamente.
Tenhamos a consciência da frase da Madre Teresa que nos diz que “Santo não é aquele que menos se suja, mas aquele que mais se lava”. Portanto, se quisermos ser santos é necessário que nos lavemos muitas vezes no oceano que é a misericórdia de Deus. O próprio Pontífice afirma: “Deus é maior que nosso pecado e seu amor é um oceano em que podemos mergulhar”.
Mergulhemos no oceano de sua Graça e de sua misericórdia. Esforcemo-nos para não pecar mais e não alimentar os pecados de sempre.
Deus te liberta e te perdoa dos seus pecados por meio da Reconciliação sacramental. Viva essa reconciliação. “Se cai, levanta-te! Se você cai por fraqueza no pecado, levanta a tua mão: o Senhor a pega e te ajudará a se levantar. Essa é a dignidade do perdão de Deus! A dignidade que nos dá o perdão de Deus é aquela de nos levantarmos, colocarmo-nos de pé, porque Ele criou o homem e a mulher para que estejam de pé”, disse Francisco.
E qual é a nossa maior motivação para não pecarmos mais? A motivação de Jesus, uma vez que esse é um pedido dEle! Jesus, ao perdoar a mulher apanhada em adultério, levada a ele pelos escribas e fariseus que queriam apedrejá-la, disse após a multidão sair pois também eram pecadores: “Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais” (João 8, 10-11). Ao sair da confissão, Jesus diz a mesma coisa para ti: “Vá e não peques mais!
Deus abençoe!

(Wesley Fernandes Fonseca – Minions Católicos)

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