E aí, meus queridos
amigos. Tudo bem com vocês? Como estamos vivendo esse tempo tão especial e
essencial que é o tempo da Quaresma? Temos refletido bastante acerca de Jesus e
das tentações sofridas? Temos intensificado nossas orações e praticado mais
atos de caridade com o próximo?
O Tempo da Quaresma também é importante para refletirmos acerca do amor. O amor é o fundamento de tudo. Somente por AMOR é que Jesus superou o deserto. Se não fosse por amor, definitivamente não iria superar. Sem o amor, sem se apegar ao amor do Pai e ao amor que ele sentia e sente pela humanidade, ele não iria passar pelo deserto e ficar durante 40 dias e 40 noites sofrendo tentações.
É necessário lançarmos
luz sobre a experiência que Jesus enfrentou no deserto. Definitivamente, Jesus
sendo Deus na segunda pessoa da Santíssima Trindade, não deveria se sujeitar ao
deserto. Ele, certamente, não precisaria enfrentar o deserto. Ele, sendo ao
mesmo tempo 100% Deus e também 100% homem, não precisaria jejuar durante os 40
dias. Ele, sendo Deus verdadeiramente, não precisaria se afastar de tudo para
que o demônio viesse a fim de lhe tentar. Além disso, é necessário refletirmos
também que Jesus, sendo Deus e Poderoso como é, não precisaria ser tentado por
Satanás durante esse período. Nenhuma tentação haveria de vencê-Lo. Nenhuma
tentação iria abalar a sua fé. E além disso, nenhuma tentação proveniente do
Capiroto seria capaz de fazer Jesus padecer.
Então, por que Jesus
enfrentou o deserto, mesmo sendo Deus? POR AMOR!
Era necessário que Jesus
passasse pelo deserto a fim de experimentar em tudo a condição humana, exceto o
pecado. Nós também passamos por momentos de deserto em nossas vidas. Nós nos
sentimos sozinhos, desamparados, isolados e até mesmo excluídos. O deserto é o
momento quando nós achamos que não temos ninguém, que estamos abandonados,
literalmente sozinhos. O deserto é o momento no qual sentimos na pele a dor
desesperadora de não ter ninguém, de não ter companhia para nada. Além disso,
quando enfrentamos o deserto em nossa vida, sentimos mais nitidamente as
tentações afrontando-nos. A tentação chega e abala a nossa fé. Sofremos
tentações de todos os tipos, atingindo nossas fraquezas, indo de frente às
nossas misérias. As tentações atacam nosso lado sexual, nossa família, nossas
casas. A tentação chega para abalar seu relacionamento, seu trabalho, sua vida
espiritual.
Em determinados momentos em nossas vidas, a tentação é tanta que parece que não vamos aguentar. Preferimos parar e não continuarmos a atravessar o deserto.
Em determinados momentos em nossas vidas, a tentação é tanta que parece que não vamos aguentar. Preferimos parar e não continuarmos a atravessar o deserto.
Como suportar? De que
modo aguentar tamanho sofrimento, tanta dor, tanta solidão e tanta tentação?
POR AMOR!
Somente o amor é capaz de
fazer-nos suportar os momentos de deserto. Foi pro amor que Jesus suportou o
deserto. Foi por amor do seu Plano de Salvação. Ele sabia que após o deserto,
após vencer as tentações, viria a resistência, a resiliência, e o início de sua
vida pública, na qual ele salvava vidas! Foi por amor que ele aguentou o
deserto pois após o momento de deserto ele salvou vidas quando anunciava o
Reino, quando fazia o coxo e o paralítico andar, quando curava o leproso,
quando fazia o morto voltar à vida.
Ele amou quando estava no
deserto e acreditou que após o momento de amargor, viria a salvação para aquele
povo que necessitava do Filho de Deus no meio deles.
Para aguentarmos o
deserto, devemos ter amor.
E foi pro amor que Ele
suportou o deserto e começou a sua vida pública a fim de demonstrar a maior
prova de amor da humanidade: a morte do Filho unigênito de Deus para
salvar-nos.
Portanto, só por amor ele
aguentaria o deserto para depois ser morto por cada um de nós.
Ele sabia tudo que estava
por vir. Ele sabia que após o deserto, viria a Evangelização, a Boa Nova
anunciada, os milagres, as curas, os prodígios, os sinais messiânicos nos
quais, àqueles filhos da Luz reconheceram que Ele era de fato o Filho de Deus.
E Ele sabia também que após o deserto viria a morte.
Ele poderia ter desistido
no próprio deserto. Ele poderia ter abandonado o projeto de salvação. Ele sabia
que estava aguentando o deserto para depois ser negado pelo seu próprio
discípulo. Ele sabia que estava aguentando todas aquelas tentações para depois
ser traído! Ele sabia que estava enfrentando Satanás cara a cara para depois
ser entregue por aqueles que Ele salvou anteriormente. Ele sabia que estava
aguentando aqueles 40 dias no deserto para depois morrer de uma forma tão
vexatória e humilhante, sendo açoitado e coroado por uma coroa de espinhos.
Então, por que mesmo assim suportar as dores do deserto e aguentar as tentações
de Satanás? POR AMOR!
Por amor à mim e por amor
à você!
Se não tivesse amor, de
nada valeria (I Coríntios 13).
Mas é necessário refletir
melhor esse amor....
O amor de Jesus foi
demonstrado em cada momento: desde a encarnação no seio da Virgem Maria, no
nascimento, no batismo, no deserto e sobretudo, na CRUZ!
A cruz é símbolo maior do
amor de Jesus por nós.
Em João 3, 16 está
escrito: “Porque Deus amou o mundo de tal
forma que entregou seu Filho único para que todo aquele que nEle crer, não pereça
mas tenha a vida eterna”
Irmãos, Deus sendo o Pai
de Jesus Cristo, entregou seu Próprio Filho para que Ele morresse.
Que pai faria isso com o
Seu Filho? Que pai seria capaz de entregar o próprio filho para ele morresse no
lugar de outra pessoa? Que pai poderia ser capaz de entregar o filho inocente a
fim de morrer como vítima em prol de outra pessoa? Entregar um filho inocente
como vítima para morrer no lugar de outra pessoa é um crime!
Seria isso loucura?
Se fossemos compreender
apenas na visão do mundo, segundo os olhos da carne, sem sermos iluminados pelo
Espírito Santo certamente pensaríamos que isso seria loucura!
Que pai seria esse?
Que pai seria esse?
Se a morte de um filho
inocente, entregue pelo próprio pai, repercutisse hoje nos jornais e sites de
notícias por aí, certamente nós condenaríamos esse pai. Certamente acharíamos
isso insanidade, loucura! Seria um crime, certamente. O pai seria levado aos
tribunais, seria julgado e condenado.
Mas eis que Paulo exorta:
“A linguagem da cruz é loucura para os
que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina”
(1 Coríntios 1, 18). Em Isaías ainda está escrito: “Destruirei a sabedoria dos sábios, e anularei a prudência dos
prudentes” (Is 29,14; 1 Coríntios 1:19). Paulo ainda deixa claro: “Já que o mundo, com a sua sabedoria, não
reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que creem pela
loucura de sua mensagem” (1 Coríntios 1; 21).
E eis a maior prova de
amor do mundo escondido numa cruz, símbolo de loucura para muitos, mas para mim
o maior símbolo de salvação e amor.
Naquela cruz, um filho
inocente, entregue pelo Próprio Pai, pagou o preço dos pecados de toda
humanidade a fim de demonstrar esse amor tão grandioso, tão eloquente.
A cruz, que outrora fora
símbolo de vexame, revela-nos uma verdade oculta que só é possível perceber
mediante a fé e mediante ao amor: que é a maior prova de amor por alguém.
Jesus, padeceu por mim e
por você, a fim de que tivéssemos a vida eterna.
Eis que eu me pergunto:
você seria capaz de morrer, sendo inocente, por alguém?
Você seria capaz de
morrer de uma maneira tão humilhante, tão vexatória, sendo condenado a morte e
morte de cruz em prol da vida de outra pessoa?
Por isso que em toda
Quaresma cantamos: “Prova de amor maior
não há que doar a vida pelo irmão”
Porém, isso é muito belo
quando cantamos. O discurso é muito bonito. Porém, será que na prática temos
tanto amor assim? Será que realmente somos capazes de morrer pelo outro?
Certa vez, num testemunho,
uma senhora contou que estava passando um feriado prolongado na praia com sua
família. Num dia chuvoso de sábado, quando estavam ainda na praia, se
preparando para ir embora, o seu filho mais novo olhou para o mar e viu uma
pessoa se afogando. A chuva já estava copiosa e anunciava a tempestade que
aproximava. O seu filho, sem hesitar, entrou no mar para ajudar aquela pessoa
que estava se afogando. Com o tempo, o temporal já havia aumentado e o
desespero havia tomado conta daqueles que estavam nas areias. A mãe desesperada
bradava por socorro. O filho, nas águas do mar, lutava para tentar salvar a
vida daquela pessoa que estava se afogando. Com muito esforço e com muita luta,
ele conseguiu salvar aquela moça que antes estava em apuros no mar. No entanto,
ele não conseguiu se salvar. Num ato heroico e de bravura, num ato de puro
amor, salvou a vida daquela pessoa, mas acabou morrendo.
Certamente, o trecho da
música se aplica nesse contexto: “prova
de amor maior não há que doar a vida pelo irmão”. Sim, ele doou a vida. Ele
entregou todas as forças para que a moça sobrevivesse, embora isso tivesse lhe
custado a própria vida.
Eis o amor que Jesus nos
ensinou. O amor sem limites, tal como ele teve por nós, para nos salvar. Eis
que Jesus nos diz: “Este é o meu
mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor
maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos” (João 15, 12).
São Tomáz de Aquino
afirma que o amor de Deus é caracterizado em 4 formas quando lemos o trecho de
João 3, 16.
1-
Por
parte do amante:
O amante é Deus. “Com efeito, de tal modo Deus amou...”
(João 3:16). Ou seja, Deus é amante. É ele quem nos ama. E Ele quem prova esse
amor por cada um de nós
2-
Esse
amor é grandioso porque Ele ama o mundo
“Com
efeito, de tal modo Deus amou o mundo” (João 3:16). Ou seja,
Ele amou o mundo e o mundo inteiro. Ele amou aquele que o nega, amou aquele
fraco, amou o pecado. É o mundo inteiro, sem exceções. Ele amou o ser humano na
sua desgraça, na sua separação com o próprio Deus.
3-
Ele
entregou o filho único como DOM
“Com
efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único”
(João 3,16).
Quando Deus nos dá algo, é um dom. Portanto, não há dom maior do que o próprio Jesus, que foi dado por Deus para nos salvar. Ele deu a sua riqueza, a sua herança como dom para expiação dos nossos pecados.
Quando Deus nos dá algo, é um dom. Portanto, não há dom maior do que o próprio Jesus, que foi dado por Deus para nos salvar. Ele deu a sua riqueza, a sua herança como dom para expiação dos nossos pecados.
4-
Finalidade:
Para que Deus entregou o
filho? Para que nos alcançássemos a salvação: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho
único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”
(João 3,16)
Portanto, a finalidade de
tal ato é a salvação de toda humanidade que NELE CRER!
Mas para crer é
necessário reconhecer quem é o filho de Deus!
Quando Jesus pergunta aos
seus discípulos: “Quem dizem os homens
ser o Filho do homem?” (Mateus 16,13). E eis que Pedro faz a mais bela
profissão de fé e revelação divina: “Tu
és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16, 16).
O Filho de Deus vivo que
morreu por nós como prova de amor.
Jesus Cristo, inocente,
se fez vítima por mim e por você, para que tenhamos a vida eterna. E é mediante
a essa graça que somos salvos, como diz Paulo aos Efésios: “quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a
vida juntamente com Cristo - é por graça que fostes salvos!” (Efésios 2,5)
Há um vídeo disponível na
internet que ilustra de maneira artística um pouco desse amor. É um vídeo de
uma banda protestante de uma música chamada “Vai valer a pena”. Esse vídeo
conta a seguinte história: Existia um
homem, que tinha um filho que ele amava DEMAIS. Esse homem trabalhava no
controle da ponte do trem. A ponte atravessa um rio, então ele fazia o controle
quando tinha que passar barcos e quando tinha que passar trens! De vez em
quando levava seu filho para o trabalho junto com ele. Porque o menino amava
observar os trens.
O
menino ficava admirado vendo o trem passar e notava as pessoas nas janelas, as
vezes acompanhadas, mas na maioria das vezes as pessoas estavam sozinhas.
As
pessoas que viajavam eram solitárias... Com ira no coração... Orgulhosas...
Frustradas... Algumas até viciadas.
Um
belo dia o homem chegou ao trabalho como de costume entrou na cabine e ergueu a
ponte para um barco passar... Enquanto avistava o barco atravessando viu que
seu filho estava próximo dos trilhos do trem, quando olhou mais adiante viu que
o trem estava vindo... Algo de errado havia acontecido e os horários acabaram
batendo, quando viu que o barco estava terminando de passar viu que daria tempo
de baixar a ponte, neste mesmo momento ele viu que seu filho tropeçou e caiu no
buraco que era a base da ponte. Aquele pai desesperado viu que tinha que tomar
uma terrível decisão. Se ele abaixasse a ponte o filho seria esmagado se ele
não fizesse isso o trem iria bater e causar uma grande tragédia matando todas
aquelas pessoas.
O
homem tinha duas escolhas: deixar que todos no trem morressem ou puxar a
alavanca e deixar que seu filho fosse esmagado pela ponte.
Aquele
homem aos prantos... completamente desesperado... escolheu puxar a alavanca e
salvar a todos do trem.
A
salvação de todos requereu o sacrifício de um mais querido, o sacrifício de um,
trouxe esperança para o futuro daqueles naquele trem.
Anos
mais tarde ele reconheceu uma das passageiras do trem e viu que ela tinha um
menino em seus braços e aí ele pode compreender os planos de Deus...
A pergunta que eu faço:
você seria capaz de morrer por alguém? Por alguém que não mereça? Por alguém
que talvez você nem conheça? Você seria capaz de morrer para que alguém
vivesse? Você seria capaz de sacrificar a sua própria vida para outro alguém
vivesse em seu lugar? Você seria capaz de morrer por mim?
(Wesley Fernandes Fonseca – Minions Católicos)

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